Base ganha espaço no Inter justamente no momento em que o clube ainda tenta destravar o mercado da bola. Com o Brasileirão exigindo regularidade e a Copa do Brasil batendo à porta, Pezzolano recorreu ao Celeiro de Ases para dar fôlego ao elenco.
Calendário apertado pesa na decisão
O Colorado vive uma sequência dura de jogos, dividindo atenção entre o Campeonato Brasileiro e o mata-mata da Copa do Brasil. Cada rodada cobra desgaste físico, e folgar peças titulares virou quase uma obrigação tática.
Nesse contexto, contar apenas com o grupo de sempre seria arriscado. Por isso, a comissão técnica passou a testar nomes da base nos treinos e, aos poucos, também em jogos de menor pressão.
Além disso, o duelo direto contra o Grêmio pela Copa do Brasil deixa qualquer desgaste desnecessário fora de cogitação. Assim, poupar titulares em partidas de rotina virou estratégia natural para chegar inteiro ao clássico decisivo.
Reforços prometidos que ainda não chegaram
A diretoria colorada sabe que o elenco precisa de reposição em pelo menos duas ou três posições. Contudo, as negociações do mercado da bola seguem travadas, sem anúncio oficial de nenhum nome novo até o momento.
Não existe, por ora, proposta fechada nem acordo confirmado com qualquer atleta. Enquanto isso não acontece, o discurso interno é de paciência: melhor esperar o negócio certo do que sair contratando por contratar.
Essa demora, entretanto, tem um efeito colateral positivo para os garotos da base. Afinal, quanto mais tempo o mercado demorar para se mexer, maior a chance de um jovem aproveitar a lacuna e conquistar minutos.
Vale lembrar que, nos últimos meses, a própria estrutura do sub-20 passou por mudanças profundas, com troca de executivos, diretor e treinador. A resposta veio rápido dentro de campo, com sequência de vitórias e classificação para as quartas de final da competição de base.
Os nomes que despontam no Beira-Rio
Anthoni, Allex e Victor Gabriel já deixaram de ser apenas promessas e viraram opções reais na rotação. Em alguns momentos, inclusive, apareceram como titulares, o que mostra confiança da comissão técnica no trabalho.
João Kempes e João Bezerra também têm sido chamados com mais frequência, sinal de que a integração entre as categorias deixou de ser só discurso. Ao mesmo tempo, Benjamin caminha para renovar contrato, o que reforça a aposta do clube nesse grupo.
Outros nomes, como Pedro Kauã e Luiz Felipe, aparecem como próximos candidatos a ganhar minutos nos próximos meses. Dessa forma, o Celeiro de Ases deixa de ser só um discurso institucional e passa a ser parte real do planejamento esportivo do clube.
Thiago Maia reforça o grupo por dentro
Enquanto o mercado externo não se mexe, o próprio elenco encontrou um reforço interno digno de nota. Recuperado de lesão, o volante Thiago Maia voltou a treinar normalmente e já é opção para os próximos compromissos.
A experiência do camisa 29, perto de completar 100 jogos pelo clube, ajuda a equilibrar um meio-campo que também abre espaço para os garotos. Dessa maneira, veterania e juventude passam a conviver na mesma lista de relacionados, cada um cumprindo seu papel.
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O equilíbrio entre resultado e formação
O desafio de Pezzolano não é pequeno diante desse cenário. Por um lado, o Inter precisa pontuar no Brasileirão e avançar na Copa do Brasil; por outro, a comissão técnica quer dar rodagem a quem vem da base.
Se a aposta funcionar, o benefício vai muito além da reta decisiva atual. Consequentemente, o clube ganha ativos para o futuro, reduz a dependência do mercado e ainda fortalece a identidade formadora do Inter.
Por outro lado, qualquer tropeço nesse processo tende a esbarrar em cobrança imediata da torcida. Ainda assim, a diretoria parece disposta a manter o rumo, mesmo sem prazo certo para a chegada de novos reforços.
Uma aposta pensada além da reta decisiva
Vale destacar que essa não é uma aposta isolada de um único momento de dificuldade financeira. Ela também aparece como resposta a um ano em que o desgaste físico já havia custado caro ao Colorado em outras competições.
Nesse contexto, cada oportunidade dada a um garoto passa a valer duplo: serve pro jogo de hoje e, ao mesmo tempo, constrói repertório pra amanhã. Portanto, o torcedor colorado tende a acompanhar de perto esses passos, mesmo sem saber exatamente onde eles vão dar.
A sequência recente de resultados positivos nas categorias de base também ajuda a sustentar essa confiança. Quatro vitórias seguidas e uma vaga nas quartas de final mostram que o trabalho de formação não vive só de discurso, tem resultado dentro de campo.
Para o torcedor, resta acompanhar como esse equilíbrio vai se sustentar até o fim da temporada. Ainda assim, fica claro que o Inter tenta transformar a falta de reforços em oportunidade, e não apenas em problema.
Análise Colorado Puro Sangue
Cá entre nós, essa história de base ganhando espaço no Inter não é força de expressão, é o time se virando com o que tem. Não dá pra fingir que a gente não queria reforço chegando logo, com nome e sobrenome, pra reforçar o elenco bem na reta mais dura do ano.
Mas convenhamos: enquanto isso não vem, ver moleque do Beira-Rio sendo relacionado, treinando junto e ganhando minutos tem um gosto especial pra quem é colorado de coração. É a cara do Inter que a gente gosta de ver, formando dentro de casa em vez de só olhar pra fora.
Se der certo, o clube sai ganhando dos dois lados: joga a temporada decisiva com gente disposta a provar valor e ainda guarda ativo pro futuro, sem depender só de janela de transferência.
Bola pra frente, Colorado.
Foto : RICARDO DUARTE / INTER / CP





