O futuro de Villagra no Inter ganhou uma camada extra de incerteza nesta sexta-feira. Segundo o portal Aawsat News, o Neom, clube da Arábia Saudita, iniciou negociações diretamente com o CSKA Moscou pelo volante argentino, hoje emprestado ao Colorado.
A notícia pega o torcedor colorado em um momento delicado. Villagra deixou de ser apenas mais uma peça de rotação e se tornou, aos poucos, uma das principais referências do meio-campo na temporada.
Um volante que virou peça-chave no meio-campo
Os números ajudam a entender por que a possível saída preocupa. Em 2026, Villagra disputou 20 partidas oficiais pelo Inter, com 12 vitórias, 4 empates e 4 derrotas, o que resulta em 66,67% de aproveitamento de pontos.
Além disso, o argentino soma 1.364 minutos em campo, sendo titular em 15 desses jogos. Mesmo sem gols ou assistências marcados, sua contribuição aparece em outro tipo de estatística, mais ligada ao trabalho de proteção da defesa.
Nesse contexto, vale citar um recorte mais específico dentro dessas 15 partidas como titular. Em um período de sete jogos consecutivos nessa condição, Villagra liderou o elenco em bolas recuperadas, com 41 ao todo. Ainda nesse mesmo recorte de sete partidas, o volante somou 14 desarmes, 5 interceptações e 88% de aproveitamento nos passes.
Diante desses números, fica mais fácil entender por que o Inter monitora de perto qualquer movimentação envolvendo o jogador. Perder uma peça com esse nível de entrega no meio-campo, justamente na reta final da temporada, seria um baque e tanto para a equipe de Pezzolano.
Como está a negociação entre Neom e CSKA
De acordo com a reportagem, o clube saudita já apresentou proposta oficial ao CSKA Moscou pelos direitos do volante. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla do Neom para reforçar o setor de meio-campo.
Inclusive, o mesmo clube árabe também sondou Nahitan Nández, hoje no Al-Qadsiah, o que reforça a intenção de investir pesado nessa posição. Até o momento, porém, não há confirmação de acordo fechado entre as partes.
Assim, o cenário ainda é de conversas em andamento, sem desfecho definido. Ainda assim, o simples avanço das tratativas já é suficiente para acender o alerta dentro do Beira-Rio.
A cláusula que complica o planejamento colorado
O caso ganha outra camada de complexidade por causa do contrato de empréstimo. Villagra chegou ao Inter em janeiro, junto ao CSKA Moscou, por cerca de 400 mil dólares.
O acordo prevê uma opção de compra fixada em aproximadamente 4,6 milhões de dólares. Esse valor se torna obrigatório caso o argentino participe de pelo menos 60% das partidas do clube gaúcho na temporada.
Com a sequência de jogos que Villagra vem acumulando, essa marca está cada vez mais próxima de ser atingida. Diante do calendário que ainda resta em 2026, entre Brasileirão e Copa do Brasil, o volante tem boas chances de bater esse percentual naturalmente.
Ou seja, o Inter corre o risco de perder o jogador para a Arábia Saudita antes mesmo de precisar decidir sobre a compra definitiva. Essa combinação de fatores torna a situação ainda mais delicada para a diretoria colorada.
A trajetória do volante até o Beira-Rio
Antes de desembarcar no Brasil, Villagra construiu carreira em clubes tradicionais da América do Sul e da Europa. Formado nas categorias de base do Rosario Central, o argentino passou por Talleres de Córdoba e chegou a defender o River Plate.
Depois dessa passagem, o volante seguiu rumo à Rússia, onde defendeu o CSKA Moscou antes de ser emprestado ao futebol brasileiro neste ano. Aos 25 anos, ele soma experiência em três países diferentes, o que ajuda a explicar a maturidade que vem demonstrando dentro de campo pelo Colorado.
Vale destacar que a própria negociação de empréstimo já nasceu com esse tipo de risco embutido. Quando um clube pega um jogador de outro país por temporada, fica sempre exposto a esse tipo de assédio do mercado internacional, especialmente vindo de ligas com forte poder financeiro como a saudita.
Ainda assim, o Inter seguiu confiando no potencial do argentino mesmo sabendo dessa vulnerabilidade contratual. A aposta, até aqui, tem se mostrado acertada dentro de campo, o que torna o momento ainda mais desconfortável para a diretoria colorada.
Análise Colorado Puro Sangue
Cá entre nós, colorado: perder Villagra agora seria sentir o golpe na pior hora possível. O Inter já briga contra o Z-4 e depende justamente da solidez que o argentino oferece no meio de campo para sustentar qualquer reação na tabela.
Não é força de expressão dizer que times que lutam na parte de baixo da tabela dificilmente têm reposição à altura quando perdem um volante nesse nível de entrega. Substituir 41 recuperações de bola em sete jogos não é tarefa simples no meio da temporada.
Ainda assim, vale lembrar que nada está fechado. O próprio texto da negociação deixa claro que o acordo entre Neom e CSKA ainda está em fase inicial, sem confirmação de desfecho.
Por isso, o torcedor colorado tem motivo pra ficar de olho, mas também não precisa entrar em pânico agora. Resta ao Inter torcer para que as conversas não avancem rápido demais, ao menos até o fim dessa reta decisiva do Brasileirão.
De todo modo, o episódio serve de lembrete sobre um risco que sempre existiu no acordo. Times que se apoiam em empréstimos internacionais convivem com esse tipo de instabilidade, ainda mais quando o jogador em questão vira peça indispensável tão rápido.
Bola pra frente, Colorado.
Foto: Ricardo Duarte/Inter





