O Inter vive sequência decisiva no Brasileirão, e o duelo deste sábado contra o Atlético-MG é apenas o primeiro capítulo de um roteiro que promete se estender pelas próximas semanas. Depois de deixar escapar a vitória contra o Remo, o Colorado entende que praticamente não há mais espaço para tropeços.
Isso porque a distância para o Z-4 segue mínima, de apenas um ponto. Diante desse cenário, cada rodada a partir de agora carrega um peso que poucas equipes do campeonato conhecem tão de perto.
Uma sequência que começou a ser desenhada no Remo
Aquele tropeço em casa custou caro justamente pelo contexto: cada ponto perdido pesa mais quando a distância para a degola é de apenas um ponto. Diante disso, o duelo com o Atlético-MG virou, na prática, uma extensão daquela mesma cobrança.
Depois deste sábado, o calendário não afrouxa. Na quinta-feira, dia 27, o Colorado recebe o Grêmio pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, também no Beira-Rio.
Assim, o torcedor colorado enfrenta dez dias em que cada resultado carrega peso duplo: pontos no Brasileirão de um lado, sobrevivência no mata-mata estadual do outro.
Retrospecto histórico não reflete o momento atual
Historicamente, o confronto entre as duas equipes tende a favorecer o Inter. Ao todo, são 95 jogos disputados entre os clubes. Nesse retrospecto amplo, são 39 vitórias coloradas, 33 triunfos do Atlético-MG e 23 empates.
Contudo, esse retrospecto amplo conta pouco sobre o momento recente das equipes. Nos últimos quatro confrontos diretos, o time visitante levou a melhor em três oportunidades, incluindo o triunfo do próprio Atlético-MG por 1 a 0, em março deste ano.
Ou seja, o mando de campo não tem sido garantia de nada em duelos recentes entre os dois clubes. Esse detalhe reforça a ideia de que números antigos ajudam pouco a prever o que pode acontecer neste sábado.
Um ataque que depende de poucos nomes
Além do retrospecto direto, chama atenção a produção ofensiva do Inter nesta edição do Brasileirão. Foram apenas 24 gols marcados em 23 partidas, média de pouco mais de um gol por jogo.
Esse número ajuda a explicar por que praticamente todo o perigo ofensivo do time passa pelas botas de Carbonero e Alerrandro. Quando um dos dois vive fase de instabilidade, o ataque colorado perde muito da sua principal referência de finalização.
Além disso, a comparação com equipes que brigam pela parte de cima da tabela reforça o tamanho do problema. Times que disputam vaga em torneios continentais costumam somar pelo menos o dobro de gols no mesmo número de partidas.
Vale destacar ainda uma tendência que se repete jogo após jogo no Beira-Rio. Oito dos 12 confrontos do Inter como mandante nesta edição tiveram menos de 2,5 gols somados pelas duas equipes.
Trata-se de outro sinal de que o time sofre para transformar posse de bola em chances claras e, principalmente, em gols. Contra um adversário organizado defensivamente, essa dificuldade tende a se repetir neste sábado.
Desfalques além da lateral esquerda
A ausência de Matheus Bahia, suspenso pelo terceiro amarelo, já era esperada. Porém, o departamento médico e disciplinar do Inter também confirmou o corte de Victor Gabriel, fora por decisão interna do departamento de futebol.
Assim, Pezzolano perde mais uma peça de rotação justamente na semana em que mais precisaria de opções no banco. Do outro lado, o Atlético-MG também lida com desgaste físico. Isso porque vem de uma sequência recente de jogos pela Copa Sul-Americana.
Por conta disso, o técnico Eduardo Domínguez avalia poupar alguns titulares neste sábado. O Galo ainda tem pela frente o clássico contra o Cruzeiro, já na próxima semana, pela Copa do Brasil, o que reforça a possibilidade de rodízio no time visitante.
Análise Colorado Puro Sangue
Cá entre nós, colorado: dá pra sentir que esse sábado tem cheiro de “jogo de seis pontos”, mesmo sendo só mais uma rodada isolada no papel. Não é força de expressão dizer que cada ponto perdido agora custa mais caro do que custaria em qualquer outro momento da temporada.
O detalhe que mais preocupa, porém, não é apenas o resultado contra o Remo. É a limitação ofensiva que vem se repetindo: um gol por jogo, na média, é pouco para qualquer time que queira se afastar do Z-4 com tranquilidade.
Some a isso o fato de que o Inter depende de praticamente dois nomes para criar perigo real. Quando Carbonero ou Alerrandro têm uma noite apagada, o ataque colorado costuma travar quase por completo, sem plano B evidente no banco de reservas.
Ainda assim, existe um fio de esperança nesse cenário apertado. A chegada de Sanabria, mesmo sem condições de estrear já neste sábado, sinaliza que a diretoria reconheceu o problema e tentou reforçar justamente o setor mais carente.
O retrospecto histórico contra o Atlético-MG também ajuda a lembrar que o Inter já teve fases muito melhores nesse confronto direto. Recuperar parte dessa tradição positiva passa, antes de tudo, por resolver o problema de criação e finalização que o time carrega nesta reta do campeonato.
Por isso, mais do que os três pontos, o que se espera do Inter neste sábado é sinal de reação. Se o time confirmar dentro de campo essa urgência que o momento pede, talvez a sequência de decisões pare de parecer tão assustadora daqui a algumas rodadas.
Bola pra frente, Colorado.
Foto: Ricardo Duarte/Inter





