O jejum do Inter chega a oito jogos sem vencer no Brasileirão depois do empate sem gols com o Atlético-MG, neste sábado, no Beira-Rio. O Colorado teve mais posse de bola durante boa parte da partida, mas voltou a esbarrar na dificuldade de transformar esse domínio em chances de gol.
O resultado deixa o time de Paulo Pezzolano ainda mais pressionado justamente na semana em que o calendário só vai ficar mais exigente. Antes de falar do que vem pela frente, porém, vale entender como se desenrolou o 0 a 0 no Beira-Rio.
Um jogo de pouca produção ofensiva
Na etapa inicial, quem mais assustou foi o visitante. O Atlético-MG criou três oportunidades claras, duas delas com Minda e outra em cobrança de escanteio finalizada por Ruan, enquanto o goleiro Sergio Rochet praticamente não trabalhou do outro lado.
O Inter, por sua vez, tentou construir jogadas principalmente pelo miolo do campo. Faltou, porém, ritmo e criatividade para furar a marcação montada pelo Galo, mesmo com Braian Aguirre sendo um dos mais ativos entre os mandantes.
Na etapa final, o cenário mudou de figura. O Colorado passou a ter mais volume ofensivo, apareceu mais o talento individual de alguns jogadores e cresceu de produção, mas sem conseguir converter essa pressão em gol.
Vale destacar que esse padrão já vem se repetindo em outros jogos recentes: o time melhora nos minutos finais, mas raramente encontra a eficiência necessária para transformar essa reação em resultado positivo.
Defesa segura, ataque travado
Do lado defensivo, o Inter teve motivos para comemorar. A dupla formada por Vitão e Ruan segurou bem as investidas do adversário, fechando os espaços na área e limitando o Atlético-MG a chances pontuais mesmo com menos posse de bola.
Houve, inclusive, um sufoco: um recuo mal executado quase gerou problema para o time gaúcho, mas a zaga conseguiu se recompor a tempo. Fora esse lance isolado, a dupla manteve o controle da situação praticamente o jogo inteiro.
Ofensivamente, porém, o problema persistiu. O Galo conseguiu fechar os espaços por dentro e dificultar a progressão do Inter, o que reduziu bastante a capacidade do time da casa de entrar na área com perigo real.
Como consequência, mesmo com mais posse de bola ao longo dos 90 minutos, o Colorado converteu pouco esse domínio em finalizações de fato perigosas. O retrato geral da partida resume bem o momento ofensivo enfrentado pela equipe nesta reta do campeonato.
Chama atenção, aliás, que esse padrão se repete desde a campanha como mandante nesta edição do Brasileirão: muita bola, pouca objetividade. Contra um adversário bem postado taticamente, como foi o caso do Atlético-MG, essa limitação fica ainda mais evidente.
Um jejum que já dura dois meses
O empate deste sábado estende um retrospecto preocupante. Desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo de Clubes, o Inter venceu apenas uma vez, justamente no jogo de ida contra o Corinthians, pela Copa do Brasil.
No Brasileirão especificamente, a última vitória colorada aconteceu em 16 de maio, quando o time goleou o Vasco por 4 a 1, em casa. De lá para cá, foram sete empates e derrotas somados antes deste novo 0 a 0 com o Atlético-MG.
Com o ponto conquistado, o Inter chega aos 25 pontos, seguindo próximo da zona de rebaixamento. A distância seguirá mínima até que outros resultados da rodada sejam conhecidos, o que mantém acesa a preocupação no Beira-Rio.
Além disso, o retrospecto recente também ajuda a dimensionar o problema. Dos sete jogos anteriores a este empate, o Inter já somava quatro derrotas seguidas e outros três resultados de igualdade, o que reforça a sensação de estagnação nas últimas semanas.
O que vem por aí
Apesar da pressão crescente, o calendário não dá trégua ao Colorado. Já na próxima quinta-feira, dia 27, o Inter recebe o Grêmio pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, novamente no Beira-Rio.
O duelo já tem árbitro definido: Ramon Abatti Abel foi escalado pela CBF para apitar o primeiro Gre-Nal da fase eliminatória. Assim, o torcedor colorado terá pouquíssimo tempo para lidar com a frustração do empate antes de voltar às atenções para o clássico regional.
Depois do confronto direto com o Grêmio, o calendário do Brasileirão também segue cheio, sem qualquer pausa que permita ao elenco reorganizar as ideias com calma. Nesse contexto, cada detalhe do desempenho tático tende a ganhar peso redobrado nos próximos treinamentos.
Análise Colorado Puro Sangue
Cá entre nós, colorado: oito jogos sem vencer é um número que, por si só, já diz muito sobre o momento do time. Não é força de expressão dizer que a torcida está mais preocupada com o retrospecto recente do que com o resultado isolado de hoje.
O detalhe que mais chama atenção nesse empate específico não foi a falta de posse, mas sim a falta de pontaria. Ter mais bola e não conseguir transformar isso em finalizações perigosas é sintoma de um problema que já vem se arrastando há semanas.
Ainda assim, vale destacar um ponto positivo: a dupla Vitão e Ruan mostrou solidez defensiva num momento em que o sistema ofensivo simplesmente não funciona. Times que brigam contra o Z-4 costumam se apoiar justamente nesse tipo de solidez enquanto tentam destravar o ataque.
Por isso, mais do que lamentar o 0 a 0, o torcedor colorado deveria observar com atenção o Gre-Nal que se aproxima. Se o time conseguir repetir essa postura defensiva e finalmente acertar a mira lá na frente, o resultado pode finalmente aparecer.
Bola pra frente, Colorado.
Foto: Ricardo Duarte/Inter





