Empate do Inter com o Palmeiras: um ponto que vale mais do que parece

Marcio Botelho, analista do Colorado Puro Sangue comenta sbre a partida.

Cara, empate contra o líder do Brasileirão fora de casa é resultado bom, não tem discussão. O empate do Inter com o Palmeiras nem foi um jogo bonito, sejamos sinceros, mas 0 a 0 no Nubank Parque, contra o melhor time do campeonato, é daqueles resultados que deixam a gente com aquela sensação boa depois do apito final.

E olha que o Palmeiras não tava fazendo qualquer campanha, viu. Vinha de goleada, artilharia funcionando, mando de campo favorável, tudo a favor. Todo mundo já esperava resultado elástico. O Inter, cá entre nós, surpreendeu bem mais do que a maioria imaginava.

Por que esse empate com o Palmeiras importa tanto

O que mais chama atenção, aliás, não é nem o resultado em si, é o jeito como o time chegou lá. Não teve, dessa vez, aquele Inter afobado, correndo atrás do prejuízo antes mesmo de sofrer. Pelo contrário: teve organização, teve time que soube segurar a pressão sem se desmontar, coisa que a gente vinha sentindo falta em outros jogos dessa temporada.

Segurar o Palmeiras sem sofrer gol, portanto, não é sorte. É trabalho. E é exatamente esse tipo de detalhe que separa um time que só sofre pra sobreviver de um time que já entende o que precisa fazer em campo. Quem assistiu ao jogo, aliás, viu isso na prática: o Inter cedeu a posse, deixou o Palmeiras rodar a bola, mas fechou bem os espaços entre linhas — e, dessa forma, não deu aquelas brechas que o Verdão costuma explorar contra qualquer adversário.

A evolução do Inter vai além do empate com o Palmeiras

E olha que esse empate não caiu do céu, tampouco é caso isolado. Vem de uma sequência: segurou o Corinthians na Copa do Brasil, mesmo perdendo o jogo de volta lá em Itaquera. Antes disso, arrancou empate com o Flamengo, dentro de casa. Ou seja, dá pra ver um padrão se formando, e eu gosto disso.

Faz sentido, também. O Pezzolano vem mexendo nas peças certas: a defesa mais organizada, o Bernabei surpreendendo todo mundo como artilheiro mesmo jogando de lateral. Assim, o time, na minha visão, tá digerindo melhor a ideia do treinador. Isso, porém, não acontece da noite pro dia, ainda mais numa temporada corrida como essa, com jogo em cima de jogo e pouco tempo de treino entre uma rodada e outra.

Vale lembrar, ainda, que esse tipo de amadurecimento raramente aparece de forma linear. Tem jogo que o time regride, tem jogo que surpreende. O que importa, contudo, olhando os últimos resultados, é a tendência geral — e essa tendência aponta pra cima, não pra baixo.

Tempo é o principal aliado do Inter depois do empate com o Palmeiras

Agora, vamos com calma, viu. O bicho ainda pega lá embaixo na tabela, a distância pro Z4 continua curta e o time precisa pontuar logo. Ainda assim, time que troca de treinador no meio do ano precisa de tempo pra engrenar, isso é natural, sempre foi assim. Cobrar resultado imediato sem enxergar esse processo, portanto, é um pouco injusto com o trabalho que tá sendo feito.

Basta olhar, aliás, outros casos parecidos no futebol brasileiro: times que mudaram de comandante no meio da temporada quase sempre levam algumas rodadas pra encaixar o novo estilo de jogo. O Inter, nesse sentido, não foge dessa regra. E, cá entre nós, um empate limpo contra o líder é justamente o tipo de sinal que mostra que esse encaixe já está acontecendo.

O que esperar do Inter daqui para frente

Se o time seguir jogando assim contra os grandes, os pontos fora de casa vão aparecer com o tempo, tenho certeza disso. Afinal, segurar um zero a zero contra o líder isolado não é coisa de time fraco, não. É coisa de time que já entendeu que precisa competir antes de pensar em atacar.

O próximo passo, claro, é transformar essa solidez em pontos contra os adversários diretos na tabela — porque, contra os grandes, o Inter até vem mostrando serviço. Falta, agora, repetir essa postura contra quem está brigando na mesma parte de baixo da classificação, onde os três pontos pesam ainda mais.

Então, antes de sair xingando ou cobrando além da conta, vale reconhecer: o Inter de hoje não é mais aquele time inseguro do começo do ano. Ainda falta consistência, com certeza, mas o caminho parece certo. E, no fim das contas, time que aprende a se comportar contra os grandes costuma, cedo ou tarde, aprender a vencer os da mesma briga também. Bola pra frente, Colorado.

Crédito: Arquivo pessoal / Colorado Puro Sangue