Mais um capítulo pesado na novela financeira do Colorado. Inter em dívida com Delcir Sonda voltou aos holofotes depois que a Justiça determinou o bloqueio de R$ 11,58 milhões das contas do clube. A decisão é da juíza Débora Kleebank, da 3ª Vara Cível de Porto Alegre, e está diretamente ligada a um processo antigo envolvendo o histórico investidor gaúcho.
O que motivou o bloqueio judicial por conta da dívida do Inter com Delcir Sonda
Vamos direto ao ponto. A magistrada orientou a realização de buscas nos sistemas eletrônicos do Poder Judiciário pra localizar o valor nas contas do clube. Caso o dinheiro não seja encontrado, a decisão já prevê o próximo passo: localizar veículos registrados em nome do Inter pra aplicar restrição de transferência sobre eles.
Sinceramente, esse tipo de medida escalonada não é incomum em disputas judiciais milionárias. Primeiro tenta-se o bloqueio direto em conta; se não há saldo suficiente, a Justiça parte pra outros bens do devedor, como veículos ou imóveis. No caso do Inter, o valor de R$ 11,58 milhões já supera com folga os bloqueios pontuais registrados em outras cobranças do clube nos últimos meses.
Vale destacar: esse bloqueio específico de Inter dívida Delcir Sonda representa apenas uma fração do total em disputa entre o clube e o empresário. Isso porque as cobranças de Delcir Sonda contra o Inter somam mais de R$ 60 milhões, distribuídas em quatro ações judiciais diferentes.
Entenda a dívida com Delcir Sonda
Para entender a origem da confusão, é preciso voltar no tempo. Duas das ações remontam à contratação do meia Andrés D’Alessandro, em 2008. Naquela negociação, uma empresa ligada a Delcir Sonda bancou parte da transferência do argentino. Em troca, ficou com 50% dos direitos econômicos do jogador. A expectativa era recuperar o valor numa venda futura, mas o negócio nunca aconteceu.
Em 2021, a diretoria da época reconheceu judicialmente essa pendência, então avaliada em cerca de R$ 18,9 milhões. Com a correção monetária, juros e honorários acumulados ao longo dos anos, o valor cresceu bastante — e segue sendo cobrado até hoje, mesmo com sucessivas trocas de gestão no clube desde então.
Além disso, existe uma segunda frente de cobrança. Ela vem de uma confissão de dívida assinada pelo Inter em 2018, referente a um empréstimo concedido por Delcir Sonda ao clube. Consequentemente, somando as diferentes ações, a Displan, empresa ligada ao empresário, chegou a cobrar R$ 60,5 milhões do Colorado, segundo levantamento divulgado pela imprensa gaúcha no fim de 2025.
Como fica a situação financeira do Inter agora
Por outro lado, vale registrar que o Inter não ficou parado diante das cobranças. O clube já tentou, em mais de uma ocasião, negociar prazos e formalizar acordos com os representantes de Delcir Sonda. Entretanto, as tratativas esbarraram em dificuldades, incluindo problemas de saúde do próprio empresário, o que atrasou a finalização de possíveis avenças.
Vale lembrar também que, em fevereiro deste ano, a Justiça já havia determinado prazo curto para o pagamento de duas dessas ações, somadas em mais de R$ 33 milhões, sob risco de penhora. Na ocasião, o clube conseguiu argumentar excesso de cobrança e buscou suspender o processo, alegando que um acordo estava próximo de ser fechado. Contudo, essa suspensão caiu meses depois, quando a Displan informou à Justiça que a negociação não avançou.
Aliás, o cenário fica ainda mais delicado quando se olha pro patrimônio do clube. O Parque Gigante e o CT do Inter já foram aceitos como garantia em negociações recentes envolvendo outras dívidas. Ou seja, o histórico de usar patrimônio físico como lastro financeiro não é novidade — o que reforça a gravidade de um bloqueio judicial desse porte.
Para acompanhar outros episódios envolvendo as finanças do clube, vale conferir nossa cobertura sobre a dívida do Inter com o clube ganês por Benjamin Arhin. Vale também ler sobre os bastidores do trabalho de Pezzolano à frente do time. Para mais detalhes sobre a decisão mais recente, o Jornal do Comércio confirmou o valor exato do bloqueio.
Análise Colorado Puro Sangue
Não dá pra tratar isso como um problema pontual. Afinal, são quatro ações judiciais, um histórico que remonta a 2008 e um valor total que passa dos R$ 60 milhões. Ainda assim, também não é motivo pra pânico generalizado. Bloqueio de conta não é sinônimo de penhora definitiva de patrimônio, e o clube já demonstrou, em outras ocasiões, capacidade de negociar prazos com credores.
No entanto, incomoda ver a Inter dívida Delcir Sonda voltar à tona com um valor tão expressivo — R$ 11,58 milhões de uma só vez é bem diferente de bloqueios pontuais menores. Esse tipo de instabilidade jurídica raramente combina com planejamento financeiro saudável, e o torcedor sente esse peso indiretamente, seja no orçamento pro próximo mercado, seja na imagem do clube fora de campo.
De qualquer forma, fica o alerta. Enquanto a diretoria negocia em campos como o do Benjamin Arhin lá fora, dentro de casa a pendência com Delcir Sonda segue sem solução definitiva, e agora ameaça inclusive veículos do clube. Portanto, o torcedor colorado tem motivo de sobra pra cobrar mais transparência sobre como a diretoria pretende equacionar essas dívidas antigas. Vamo, Colorado, mas bota essas contas em dia!
Foto:Reprodução/SC Internacional





