Abel Braga assumir o Inter vira pedido público, mas resposta é não

Abel Braga, diretor do Internacional, em foto oficial do clube

Abel Braga assumir o Inter voltou ao centro da conversa colorada nesta terça-feira. O escritor Fabrício Carpinejar publicou coluna na GZH defendendo justamente esse caminho, como saída para a crise do time. Porém, em contato direto com o Zona Mista, o próprio dirigente descartou a possibilidade agora.

O que aconteceu

O Inter demitiu Paulo Pezzolano no último domingo e ainda não fechou com um substituto. Assim, a diretoria colorada vem colecionando recusas no mercado, sem nenhum nome encaminhado até o fim desta terça. Diante disso, Carpinejar defendeu publicamente que Abel Braga assuma o time até o fim da temporada.

Ele chamou o dirigente de “a única unanimidade no caos” e disse que ninguém exigiria menos pelo cargo, já que Abel dirigiu o elenco no ano passado por salário mínimo. Contudo, Abel Braga respondeu ao Zona Mista que é “impossível” assumir o time neste momento. Por questões de saúde, ele tem evitado viagens longas e não teria condições de encarar os dez jogos finais do Brasileirão.

Por que isso pesa tanto agora

O contexto explica a pressão. O Inter está na 18ª posição, dentro do Z4, com 28 pontos em 28 jogos disputados. Portanto, cada decisão sobre o comando técnico carrega peso extra numa reta final decisiva.

Além disso, cinco dos dez jogos restantes serão fora de casa, o que torna viagens frequentes praticamente inevitáveis para quem assumir o cargo. Por isso, a limitação de saúde de Abel Braga não é um detalhe menor: ela esbarra direto na exigência física da função. Dessa forma, mesmo com todo o carinho da torcida pelo nome, a conta prática não fecha como fechou em 2025.

O espelho do Grêmio pesa na comparação

Carpinejar usou o Grêmio como exemplo na própria coluna, citando o retorno de Renato Portaluppi após a saída de Luís Castro. Cerca de 50 mil torcedores compareceram à Arena na reestreia do ídolo, contra o Palmeiras. Ou seja, o efeito emocional de convocar uma lenda existe e é real.

Ainda assim, vale destacar uma diferença importante: Renato aceitou o convite, enquanto Abel Braga já disse não. Então, comparar os dois casos ajuda a entender o apelo emocional, mas não resolve o problema prático do Inter. Antes de sonhar com um efeito Renato, a diretoria colorada precisa aceitar que Abel Braga assumir o Inter não está mais na mesa.

O calendário não dá trégua ao próximo técnico

Enquanto o nome do comando segue indefinido, a agenda do Inter não espera. O próximo compromisso é contra o Corinthians, em casa, no dia 7 de outubro. Quatro dias depois, o time enfrenta justamente o Grêmio, fora de casa, num Gre-Nal que pode pesar tanto na tabela quanto no ânimo da torcida.

Ou seja, quem assumir o cargo terá pouquíssimo tempo de treino antes de duas partidas de altíssima pressão. Assim, a escolha do próximo nome precisa considerar não só currículo, mas também capacidade de organizar o time rápido. Nesse cenário, ficar sem treinador definido por mais alguns dias custa caro, porque cada sessão perdida é tempo que não volta antes do Corinthians.

Vale lembrar ainda que o Inter chega a essa reta final com apenas seis vitórias em 28 rodadas, número que reforça a urgência da diretoria. Portanto, mais do que um nome de peso simbólico, o Colorado precisa de alguém disponível de verdade para arrumar a casa nesses dez jogos finais.

Análise Colorado Puro Sangue

Entendo perfeitamente por que o nome de Abel Braga voltou à boca do torcedor. Afinal, ele já salvou o Inter da Série B uma vez, e isso não se apaga da memória de ninguém. Porém, cobrar de um homem com limitação de saúde que encare cinco viagens em dez jogos me parece pedir demais, mesmo em nome do sentimento.

O que mais me incomoda nessa história inteira é outra coisa: por que a diretoria chegou a esse ponto sem plano B pronto? Pezzolano saiu no domingo, e até agora só ouvimos recusa atrás de recusa no mercado. Enquanto isso, o relógio corre contra um time que não pode se dar ao luxo de perder mais tempo brigando contra o rebaixamento.

Fico pensando também no risco de a torcida romantizar demais uma solução que o próprio protagonista já negou. Abel Braga assumir o Inter seria bonito de imaginar, mas insistir nisso publicamente só atrasa a busca por um nome de fato disponível. No fim, o que salva time na reta final não é nostalgia, é organização — e essa conta ainda está em aberto para o Colorado.

Foto: Ricardo Duarte/Internacional