Ticketmaster entra no radar do Inter para atacar os transfer bans

Equipe do Inter antes de entrar em campo pelo brasileiro

Uma empresa de ingressos pode virar a aposta do Inter para destravar o mercado em janeiro. Segundo o jornalista Venê Casagrande, o candidato Roberto Melo se reuniu na semana passada, em São Paulo, com representantes da Ticketmaster. Na mesa, apareceu um acordo de ticketing e sócio-torcedor, com aportes que podem chegar a R$ 100 milhões. Portanto, a conversa toca direto nos transfer bans do Inter, que impedem o clube de registrar reforços.

O que se sabe sobre a conversa com a Ticketmaster

A empresa atua com eventos ao vivo, venda de ingressos e relacionamento com o público. De acordo com Casagrande, ela tenta fechar contrato com o Inter desde 2025. O dinheiro daria caixa para quitar as dívidas que geraram as punições e permitiria ao clube voltar a contratar na janela de janeiro. Até aqui, a informação parte só do jornalista, e os textos publicados não trazem confirmação oficial dos envolvidos.

Melo perdeu a eleição de 2023 para Alessandro Barcellos e chama de trágico o cenário financeiro do clube. Nas últimas semanas, ele intensificou a agenda em São Paulo, em busca de saídas para o caixa. Além disso, Leonardo Aquino e José Amarante também dizem procurar parceiros para uma eventual gestão. Aliás, o JB Filho Repórter contou que uma viagem de Melo a São Paulo ajudou a aproximar Delcir Sonda, que doou R$ 20 milhões.

A origem dos transfer bans do Inter e o tamanho do buraco

O Inter já convive com dois transfer bans. O primeiro nasceu da compra do zagueiro Juninho junto ao Midtjylland, da Dinamarca, e o segundo veio da contratação de Ramon, do Olympiacos. Além disso, outras cobranças rondam o clube, como as de Carbonero, com o Racing, e de Benjamin, com o Dansoman Wise, de Gana.

O rombo ajuda a explicar a pressa. O clube fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 160 milhões, acima dos R$ 109,3 milhões do orçamento. A direção culpa a queda da receita bruta, a falta de patrocinador máster e vendas de jogadores abaixo do esperado. Por outro lado, salários e direitos de imagem estão em dia, graças à doação de Sonda.

Alguns valores parecem pequenos perto do rombo. O Dansoman Wise cobra cerca de 70 mil euros, algo perto de R$ 400 mil, pela venda de Benjamin Arhin, e a compra tinha sido fechada em 140 mil euros. Ou seja, uma dívida desse tamanho já pode render novos transfer bans do Inter. Além disso, o clube enfrenta ações na Justiça movidas pelo Athletico-PR e pelo técnico Zé Ricardo.

Os números que colocam os R$ 100 milhões em perspectiva

Um levantamento do ge aponta R$ 117 milhões em compromissos ligados a transferências feitas desde 2021. Desse total, R$ 56 milhões já venceram, e outros R$ 61 milhões vencem mais adiante. Além disso, o levantamento soma cerca de R$ 202 milhões em outros passivos financeiros para os próximos dois anos.

Com esses valores, dá para fazer duas contas. Se os R$ 100 milhões chegassem de uma vez, cobririam os R$ 56 milhões vencidos e ainda sobrariam R$ 44 milhões. Mesmo assim, ficariam R$ 17 milhões abaixo dos R$ 117 milhões em obrigações de transferências. Só que ninguém detalhou o cronograma dos pagamentos, então a conta é teórica.

Também vale separar risco de punição já aplicada. O ge cita cinco casos que podem virar novos transfer bans se as pendências avançarem. Portanto, o Inter ainda não recebeu essas cinco punições.

Análise Colorado Puro Sangue

Antes de comemorar, eu faria uma pergunta simples: quem assina esse contrato? Hoje, quem assina pelo Inter é a gestão de Barcellos, e não o candidato que sentou à mesa em São Paulo. Isso significa que Melo pode abrir a porta, mas só uma diretoria com caneta consegue fechar o acordo. Falta saber também o que a Ticketmaster receberia em troca, já que ticketing e sócio-torcedor mexem direto com a relação do clube com o torcedor.

Se o clube esperar a eleição de 12 de dezembro para decidir, a janela de janeiro chega com pouco tempo de negociação. Por isso, eu preferiria ver a diretoria atual conversando com a Ticketmaster agora, com os três candidatos informados. Assim, o contrato não vira arma de campanha.

Outro detalhe me incomoda. Os transfer bans do Inter nasceram de compras que o clube não conseguiu pagar. Nenhum dos números divulgados mostra como o Inter evita novas pendências depois de quitar as atuais. Sem controle de gastos com contratações, R$ 100 milhões compram só um respiro, e não uma solução.

Foto: Ricardo Duarte/Inter