Shopee é confirmada como patrocinadora do Inter contra o Santos

Camisa do Inter com a marca Shopee, confirmada como patrocinadora contra o Santos

A Shopee é confirmada como patrocinadora do Inter contra o Santos foi confirmada neste sábado pelo clube. O acordo vale apenas para o duelo deste domingo, no Beira-Rio, pela 26ª rodada do Brasileirão.

Acordo pontual, mais uma vez

A marca de varejo online volta a estampar o centro da camisa colorada de forma pontual. Os valores do acordo, contudo, não foram divulgados pelo clube.

Essa não é a primeira parceria entre Shopee e Inter nesta temporada. A empresa já havia aparecido na camisa colorada nos jogos contra Corinthians e Palmeiras, disputados em agosto.

Com a chegada da Shopee, o acordo que o Inter mantinha com a Speedmax Pneus muda de posição na camisa. A parceria, que já dura quatro partidas, chega ao fim justamente neste duelo com o Santos, e a marca de pneus passa a ocupar um espaço secundário.

Sem patrocinador máster fixo desde janeiro

O Internacional, de fato, não tem um patrocinador máster fixo desde janeiro deste ano. Naquele mês, terminou o contrato com a Alfa Bet, que ocupava o espaço antes reservado ao Banrisul.

Desde então, o principal espaço da camisa ficou vazio na maior parte da temporada. A diretoria, enquanto negocia um acordo permanente, tem fechado parcerias pontuais como a de agora.

Segundo apurado, o próprio Inter já negocia um contrato de patrocínio máster mais duradouro. As tratativas, no entanto, esbarram em entraves internos que ainda não foram resolvidos.

Esse tipo de acordo pontual, dessa forma, ganha ainda mais importância neste momento. O Colorado vive uma fase financeira delicada, e cada receita extra ajuda a aliviar o caixa do clube.

O momento também levanta a discussão sobre a dependência colorada de acordos avulsos. Enquanto o espaço principal da camisa segue sem um dono fixo, o clube recorre a parcerias de curta duração para não deixar a área vazia em jogos importantes.

Esse tipo de solução, aliás, tende a se repetir enquanto durar a negociação por um patrocínio máster de longo prazo. Cada partida vazia na camisa representa, na prática, uma receita que o Inter deixa de embolsar.

Por outro lado, o próprio mercado de patrocínios no futebol brasileiro tem se tornado mais fragmentado. Cada vez mais clubes recorrem a acordos pontuais, por rodada ou por competição, como forma de maximizar receita em cima de jogos de maior visibilidade.

Transfer ban e risco de vendas

Hoje, o Internacional cumpre um transfer ban, que impede o registro de novos jogadores. Segundo apurado, o presidente Alessandro Barcellos já confirmou que outras punições podem surgir ao longo da temporada.

O clube também teme não bater as metas orçamentárias definidas para 2026. Por isso, ainda segundo apurado, não se descarta a saída de titulares até o fim do ano.

Johan Carbonero, por exemplo, despertou interesse do Krasnodar, da Rússia. Villagra, embora o Inter não tenha interesse em vendê-lo, também é monitorado por um clube da Arábia Saudita.

Até o momento, contudo, não existe negociação em andamento para a venda de nenhum dos dois jogadores. A situação, ainda assim, permanece no radar da diretoria.

Salários atrasados e pendências no elenco

A crise financeira, aliás, já afetou diretamente a rotina do elenco. Antes do Gre-Nal 453, que terminou em 0 a 0, parte do grupo não se concentrou no horário habitual por causa de atrasos em pagamentos.

O elenco, segundo apurado, chegou a ficar dois meses sem receber valores de direitos de imagem. Havia, além disso, um montante pendente de um acordo firmado ainda no ano passado.

Na última semana, o clube adiantou o salário de setembro e quitou parte dos direitos de imagem atrasados. Ainda assim, resta o pagamento de mais um mês de direitos de imagem e parte do valor negociado em 2025.

Não existe, até agora, uma previsão oficial para a quitação dessas pendências. O assunto, segundo apurado, segue em discussão entre clube e atletas.

Processos na Justiça

Além dos problemas internos, o Inter também enfrenta processos na Justiça. Uma empresa ligada à família de Delcir Sonda, antigo apoiador financeiro do clube, cobra cerca de R$ 17 milhões referentes a uma dívida da contratação de Andrés D’Alessandro.

O zagueiro Igor Gomes, hoje no futebol árabe, também acionou o Inter judicialmente. O jogador cobra valores não pagos de um acordo de direitos de imagem firmado com o clube.

Análise Colorado Puro Sangue

Convenhamos: um patrocínio de uma partida só normalmente não seria notícia de tanto peso. Neste contexto, porém, cada acordo pontual vira parte de um quebra-cabeça financeiro bem mais complicado.

O detalhe que mais chama atenção, de fato, não é a Shopee em si, mas o retrato que ela ajuda a completar. Um clube sem patrocinador máster fixo há oito meses, com transfer ban, processos na Justiça e salários atrasados não fecha acordos pontuais por acaso.

Ao mesmo tempo, vale reconhecer o esforço da diretoria em amenizar o problema. Adiantar parte dos salários e buscar parcerias pontuais são medidas paliativas, mas mostram que o clube tenta, dentro do possível, evitar um problema ainda maior com o elenco.

A possível saída de Carbonero ou Villagra, nesse cenário, também ganha outro peso. Vender um titular no meio de uma temporada de briga contra o rebaixamento é sempre arriscado, mas pode virar necessidade se as contas não fecharem.

No fim das contas, o torcedor colorado vê o Inter lidando com duas crises ao mesmo tempo: uma dentro de campo, na busca por resultados, e outra fora dele, tentando equilibrar um orçamento cada vez mais apertado.

Foto: Divulgação/SC Internacional