A candidatura de Roberto Melo à presidência do Inter já é oficial. O ex-vice de futebol lançou o próprio nome na noite de quinta-feira (17), em evento do Movimento Inter Grande, em Porto Alegre. Dessa forma, o pleito de 2026 ganha o primeiro grande nome de oposição confirmado, num cenário eleitoral que ainda vai esquentar bastante até dezembro.
Fato: Melo confirma chapa e já anuncia primeiro nome
Melo ocupou a vice-presidência de futebol entre 2017 e 2019, na gestão de Marcelo Medeiros. Ele também tentou a presidência em 2023, quando perdeu para o atual mandatário Alessandro Barcellos. Agora, o dirigente repete a dose e assume a liderança da chapa do MIG para a eleição deste ano.
Durante o evento, Melo confirmou Alexandre Chaves Barcellos como um dos nomes do futuro Conselho de Gestão. Além disso, o candidato defendeu experiência e credibilidade como bandeiras centrais da campanha. “A gente precisa de gente experiente, com credibilidade e que conheça o Inter”, declarou, segundo o Zona Mista.
Ex-presidentes como Fernando Carvalho e Giovanni Luigi também compareceram ao evento e declararam apoio público a Melo. Ambos fazem parte do MIG, movimento que já havia sustentado o dirigente na disputa anterior. Portanto, a base política de Melo aparece reforçada logo na largada da campanha.
Contexto: quem entra na disputa e como funciona a votação
A candidatura de Roberto Melo à presidência do Inter não chega sozinha ao tabuleiro eleitoral. Leonardo Aquino representa o movimento Sangue Colorado, enquanto José Amarante lidera o grupo Sou Inter. Assim, o Colorado caminha para ter ao menos três chapas competitivas nesta eleição.
O clube já definiu o calendário completo da eleição. As chapas têm até 5 de outubro para fazer a inscrição oficial. Em seguida, o Conselho Deliberativo vota em primeiro turno no dia 9 de novembro, e apenas os dois mais votados avançam. No dia 12 de dezembro, os associados aptos entram na disputa e definem o próximo presidente.
Vale lembrar que Barcellos não pode disputar a reeleição. O estatuto do clube veta um terceiro mandato consecutivo, então o atual mandatário sai automaticamente do páreo. Isso muda a lógica da campanha, já que nenhum dos três candidatos concorre contra o presidente em exercício.
Números mostram que a candidatura de Roberto Melo parte de um cenário diferente de 2023
Um levantamento rápido do histórico eleitoral ajuda a entender o tamanho do desafio. Em 2023, Melo chegou ao segundo turno depois de somar 130 votos no Conselho Deliberativo, contra 150 de Barcellos. Na etapa final, com voto direto dos sócios, o resultado ficou em 15.994 votos (53,68%) para Barcellos e 13.531 (45,41%) para Melo.
A diferença no primeiro turno de conselheiros já apontava dificuldade, e ela cresceu na etapa popular. Contudo, o cenário de 2026 muda em um ponto importante: não existe mais candidato de situação disputando reeleição. Isso porque Barcellos está fora, e os votos que antes reforçavam a base governista agora ficam livres entre três nomes de oposição.
Além disso, o momento esportivo pesa de um jeito que não existia há três anos. O Inter aparece na 18ª colocação do Brasileirão, dentro do Z4, com 28 pontos em 27 jogos. Assim, a disputa política ocorre justamente num momento em que a torcida cobra resultados dentro de campo com mais força.
Análise Colorado Puro Sangue
Confesso que fico com um pé atrás quando vejo o mesmo nome tentando a presidência pela segunda vez seguida. Não porque falte mérito a Melo, mas porque repetir a chapa sem uma autocrítica clara sobre a derrota de 2023 talvez não convença quem votou em Barcellos da última vez.
Por outro lado, o cenário agora é bem diferente daquele triênio. Sem candidato de situação na disputa, os votos que antes ficavam concentrados em Barcellos se espalham entre três chapas. Isso pode beneficiar justamente quem já chegou ao segundo turno antes. Melo larga com estrutura política pronta, apoio de ex-presidentes e experiência de campanha, o que nenhum dos outros dois candidatos tem no mesmo nível.
Ainda assim, a proposta de “estabilização” soa vaga demais para o momento que o Inter vive. Com o time no Z4 às vésperas de enfrentar o São Paulo, a torcida provavelmente vai cobrar planos concretos sobre elenco e gestão financeira, não só discursos sobre credibilidade. Quem quiser vencer essa eleição vai precisar detalhar isso rápido, porque o Conselho Deliberativo já vota em novembro.
De qualquer forma, o anúncio de Melo esquenta oficialmente a corrida rumo a dezembro. Falta saber se Leonardo Aquino e José Amarante vão construir candidaturas com o mesmo peso político. Ou então se os mesmos protagonistas de 2023 voltam a decidir o pleito.
Foto: Reprodução/YouTube





