Ricardo Mathias é emprestado ao Al-Shabab meses depois de deixar o Inter

Ricardo Mathias com a camisa do Inter antes de ser vendido ao Al-Ahli.

Ricardo Mathias foi emprestado ao Al-Shabab, da Arábia Saudita, poucos meses depois de deixar o Inter. O Al-Ahli, clube que comprou o atacante do Colorado no início do ano, confirmou a cessão até o fim da temporada 2026/27. Portanto, o centroavante muda de endereço pela segunda vez desde que trocou o futebol brasileiro pelo saudita.

Fato: Ricardo Mathias é emprestado ao Al-Shabab

O anúncio oficial partiu do próprio Al-Ahli, que aprovou o empréstimo de Ricardo Mathias ao Al-Shabab até o encerramento de 2026/27. Não há, por enquanto, cláusula de transferência definitiva divulgada publicamente. Dessa forma, o vínculo do jogador com o clube que o comprou segue existindo, mesmo com a mudança de time dentro do próprio país.

O centroavante de 20 anos chega ao Al-Shabab como reforço de ataque para a sequência da temporada. Assim, ele passa a ter o segundo clube saudita da carreira em menos de um ano fora do Brasil.

Contexto: a venda de Ricardo Mathias pelo Inter

Ricardo Mathias nasceu em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e mede 1,92 m. Ele foi revelado nas categorias de base do Inter, para onde chegou em 2022 vindo da Ferroviária. O jogador estreou no profissional em 2024 e ganhou espaço em 2025, quando disputou 34 partidas, marcou seis gols e distribuiu uma assistência pelo Colorado.

No fim de dezembro de 2025, o Internacional fechou a venda definitiva do atacante ao Al-Ahli por 10 milhões de euros, cerca de R$ 65,6 milhões na cotação da época. Como o clube gaúcho detinha 60% dos direitos econômicos e a Ferroviária ficava com os outros 40%, o Beira-Rio embolsou pouco mais de R$ 39 milhões com o negócio. Além disso, antes de fechar com o Al-Ahli, o jovem também havia recebido proposta do Al-Nassr, outro grande clube da Arábia Saudita.

A negociação, porém, não rendeu a Ricardo Mathias uma sequência imediata no futebol saudita. Pelo Al-Ahli, ele soma apenas três partidas sem gols marcados até a data do empréstimo. Ou seja, o espaço que ele teve no Inter praticamente não se repetiu no novo clube.

Números: a queda de minutos de Ricardo Mathias fora do Inter

Um levantamento simples da trajetória recente de Ricardo Mathias mostra o tamanho da mudança de cenário. No Inter, em 2025, foram 34 jogos e seis gols em uma temporada de protagonismo, superando concorrentes mais experientes como Enner Valencia e Borré em alguns momentos. Já no Al-Ahli, o retrospecto caiu para três partidas e nenhum gol.

Pelo Al-Shabab, a estreia já aconteceu e seguiu o mesmo roteiro: uma partida disputada, sem balançar as redes. Assim, o atacante segue sem marcar gols nos quatro jogos somados entre os dois clubes sauditas. Portanto, o empréstimo carrega uma missão dupla, que é ganhar minutos e também destravar o retrospecto artilheiro.

Além da queda de minutos, vale lembrar que Ricardo Mathias também é campeão sul-americano sub-20 com a Seleção Brasileira, título conquistado em 2025. Portanto, o jogador chega ao Al-Shabab com currículo de seleção, mas precisando reconstruir a confiança que tinha no Beira-Rio. Assim, a expectativa é de que o empréstimo sirva para devolver ritmo de jogo a um atacante que colorados acompanharam de perto na base e no profissional.

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O que mais chama atenção nesse caso é a velocidade do ciclo: comprado, colocado no banco e já repassado, tudo em menos de um ano. Para um clube que embolsou perto de R$ 39 milhões com a venda, faz sentido acompanhar de perto se esse dinheiro vai virar mesmo minutos de jogo pro garoto lá fora, ou se ele vai continuar rodando de empréstimo em empréstimo. Números como esses — sem gols nos quatro jogos somados pelos clubes sauditas — pesam mais do que qualquer justificativa comercial da negociação.

Tem também um ponto que vale destacar: o Al-Nassr chegou a sondar o atacante antes do acerto com o Al-Ahli, então o interesse nunca foi pequeno. Só que interesse de mercado e espaço dentro de campo são coisas bem diferentes, e o próprio currículo de campeão sul-americano sub-20 mostra que o talento não é o problema.

Fico na torcida para que o empréstimo ao Al-Shabab destrave essa fase, porque garoto formado na base carrega um carinho que não desaparece só porque a camisa mudou. No fim, quem vai responder isso é o campo — e aí sim dá pra saber se o Inter vendeu cedo demais ou na hora certa.

Foto: Ricardo Duarte/Inter