p>O retorno de Victor Gabriel ao time do Internacional segue sem data, e o calendário já começa a pesar. Segundo apurado, o clube quer o zagueiro à disposição de Eduardo Baptista na reta final do Brasileirão. Porém, o processo emperrou por falta de informação oficial sobre a recuperação de Gabriel Pec.
Quase 70 dias parado e um teto de 180
Victor Gabriel não joga desde 22 de julho, quando saiu expulso na partida contra o Cruzeiro, no Beira-Rio. Até esta segunda-feira (28), são 68 dias longe dos gramados.
A punição do STJD reúne duas regras. Além das seis partidas de suspensão, o defensor só fica livre quando Pec voltar aos treinamentos, respeitado o limite de 180 dias.
Pela conta feita aqui no Colorado Puro Sangue, se esses 180 dias valessem desde o lance, o teto terminaria em 18 de janeiro de 2027. Ainda assim, o marco exato de contagem pertence ao tribunal, então o número serve apenas como ordem de grandeza.
Do outro lado, Pec segue na fisioterapia. A imprensa mineira projeta a volta aos treinos entre outubro e novembro, embora a hipótese de ficar só para 2027 não esteja descartada.
Na prática, o cenário divide o caso em dois relógios. O primeiro é o da recuperação de Pec, que o Inter não controla, e o segundo é o do próprio campeonato, que não espera ninguém.
Por que Baptista quer a peça de volta
O interesse tem motivo tático. Na apresentação, na quinta-feira (24), o treinador afirmou gostar de um sistema híbrido e prometeu estudar estratégias com os zagueiros que tem à mão.
Segundo apurado, a comissão técnica avalia usar três defensores em algum momento da reta final. Nesse cenário, cada zagueiro do elenco ganha importância, e a volta do jogador amplia as opções da defesa.
Enquanto isso, o atleta treina normalmente no CT Parque Gigante e acompanha os compromissos da equipe no Beira-Rio. Por outro lado, a restrição vale para qualquer partida oficial, sem exceção.
Além do fator tático, existe uma questão de rotação. Com a sequência de jogos da reta final, o treinador precisa de alternativas prontas para suspensões, lesões e cansaço, e um zagueiro treinando sem poder jogar não resolve nenhuma dessas situações.
O gargalo está em Minas Gerais
O Inter buscou informações sobre o estágio da recuperação de Pec para preparar uma movimentação no processo. Até agora, porém, o Cruzeiro não atualizou o andamento do quadro, segundo pessoas ligadas ao clube gaúcho.
Ao mesmo tempo, a falta desse dado gera incômodo nos bastidores colorados. Internamente, existe o entendimento de que uma atualização oficial daria clareza ao caso e permitiria avançar nas tratativas.
Portanto, vale deixar claro o que existe de concreto. Até esta segunda-feira, não há anúncio de acordo, pedido aceito ou data para a liberação do zagueiro.
Que caminhos jurídicos ainda existem
Segundo apurações anteriores, o STJD chegou a conceder efeito suspensivo no início de agosto. Em 7 de agosto, contudo, o Pleno manteve a pena, e o recurso se esgotou.
Para a advogada Ana Mizutori, mestre em Direito Desportivo, o caminho mais concreto agora é a transação disciplinar prevista no CBJD. Esse mecanismo permite um acordo com a Procuradoria para alterar a forma de cumprimento da sanção.
No entanto, a medida não é automática. Ela depende da participação da Procuradoria e da homologação do STJD, sem garantia de aceite.
Além disso, o Inter pode tentar demonstrar que a condição da pena já se cumpriu, caso surjam sinais de que Pec está apto a treinar. A especialista lembra que o código fala em retorno aos treinamentos, e não necessariamente aos jogos.
Dessa forma, o clube tem duas frentes possíveis: negociar a mudança da pena ou provar o cumprimento da condição. As duas passam por dados que, hoje, o Cruzeiro ainda não entregou ao processo.
Análise Colorado Puro Sangue
Deixar a defesa do Inter refém do laudo de um clube de outro estado? Essa espera já custou 68 dias, e o pior é que ninguém sabe quando termina.
Enquanto o Cruzeiro não atualiza o processo, Baptista desenha uma equipe pensando em três zagueiros sem poder contar com um deles. Além disso, a projeção de outubro ou novembro para Pec cai bem no trecho do campeonato em que cada ponto pesa mais.
Também vale lembrar que o zagueiro já treina no dia a dia do CT Parque Gigante. Ou seja, o Inter não precisa de tempo para readaptá-lo, precisa apenas de uma decisão que abra a porta.
Por isso, a saída mais inteligente é tratar a transação disciplinar como plano principal, e não como plano B. Afinal, a advogada deixou claro que o caminho existe, e a Procuradoria só analisa o que a diretoria colocar na mesa.
Se o clube se mexer agora, ainda há chance de o zagueiro ajudar na parte decisiva do Brasileirão. Se esperar de braços cruzados, pode ver a liberação chegar quando o jogo já estiver decidido.
Foto: Maxi Franzoi / AGIF





