Por que o Inter escolheu Eduardo Baptista? Entenda os motivos

Eduardo Baptista durante sua última passagem pelo Criciúma

Inter escolheu Eduardo Baptista depois de acumular recusas no mercado e viver a urgência de encontrar um nome disponível para a reta final do Brasileirão. A informação sobre os bastidores da decisão foi divulgada pelo Zona Mista nesta quarta-feira. Segundo o portal, uma combinação de fatores técnicos e emocionais pesou na escolha do novo comandante.

Os motivos técnicos por trás da escolha

De acordo com o Zona Mista, itens como bola parada ofensiva e características compatíveis com o atual elenco pesaram a favor de Eduardo Baptista. Além disso, respostas rápidas obtidas em clubes anteriores também entraram na conta da diretoria colorada. O treinador chega acompanhado do auxiliar Julio Cesar Schiavon e do analista de desempenho Lucas Brito Sousa.

Outro ponto que agradou a direção foi o entusiasmo do próprio treinador com o desafio. Mesmo diante de um contrato curto até dezembro e de apenas dez jogos pela frente, Baptista teria encarado a proposta como “oportunidade de carreira”. Ou seja, a disposição em assumir um cenário de pressão máxima também contou pontos na negociação.

Vale destacar ainda que essa combinação de motivos técnicos com discurso motivado não é comum em contratações de última hora. Normalmente, um clube em crise aceita qualquer nome disponível, sem tempo para avaliar compatibilidade tática. Neste caso, porém, o Inter escolheu Eduardo Baptista justamente por enxergar esse encaixe, mesmo sob pressão do calendário e da tabela.

O preço de uma negociação sem alternativas fáceis

Vale lembrar que Eduardo Baptista não era o primeiro nome da lista do Inter. Zubeldía, Mauricio Barbieri e Jair Ventura foram procurados antes e recusaram a proposta colorada. Diante disso, a diretoria precisou pagar uma multa de R$ 300 mil ao Criciúma para destravar a contratação.

Enquanto isso, a saída do treinador do clube catarinense não foi tranquila. Ele havia sido vaiado pela própria torcida na derrota para o Operário, na terça-feira, horas antes de o acordo com o Inter se confirmar. Assim, Baptista troca uma torcida insatisfeita por outra que ainda precisa ser convencida.

Nem todo mundo aprovou a escolha

Por outro lado, a contratação já rendeu críticas dentro do próprio ambiente colorado. O jornalista Alexandre Ernst, da Rádio Gre-Nal, classificou a decisão como algo que “beira o absurdo” para os dez jogos finais do Campeonato Brasileiro. Segundo ele, a atual gestão do presidente Alessandro Barcellos chega ao fim do mandato desgastada e distante da torcida.

Ernst também recuperou um episódio simbólico: o pai de Eduardo, Nelsinho Baptista, comandou o Inter em 1996 e deixou o clube no meio daquela temporada para assumir o Corinthians. Mesmo crítico à escolha, o jornalista afirmou que vai torcer pela equipe assim que o técnico estiver à beira do gramado. Portanto, a resistência inicial parece mais ligada à gestão do que ao próprio nome do treinador.

Assim, fica claro que o barulho em torno da contratação não é unânime nem dentro da própria torcida. Enquanto uma parte questiona o momento em que o Inter escolheu Eduardo Baptista, outra prefere julgar o trabalho só depois da estreia contra o Corinthians. Essa divisão de opiniões tende a acompanhar o treinador em cada resultado das próximas semanas.

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Motivo técnico bem explicado não é a mesma coisa que escolha sem risco, e esse é o ponto que mais me chama atenção nessa contratação. Bola parada ofensiva e características compatíveis com o elenco são argumentos sólidos no papel, mas o Inter só chegou a Baptista depois de esgotar opções mais badaladas no mercado. Isso não desqualifica o treinador, porém deixa claro que a escolha nasceu da necessidade, não da preferência.

O detalhe do entusiasmo declarado por Baptista também merece atenção redobrada. Time brigando contra o rebaixamento precisa de comando técnico convicto, então valorizar quem topa o desafio de cabeça erguida faz sentido nesse momento específico. Ainda assim, entusiasmo não substitui resultado, e são exatamente os resultados que vão silenciar críticas como a do Ernst.

Fico pensando que a crítica mais dura ao episódio não mirou o treinador, e sim a gestão que o contratou. Talvez isso seja o resumo mais honesto de tudo: a torcida colorada até aceita dar crédito a Eduardo Baptista, mas cobra explicações de quem deixou o clube chegar tão perto do fim do Brasileirão sem um comando técnico definido. No fim, o motivo pelo qual o Inter escolheu Eduardo Baptista importa menos do que a forma como o time vai responder dentro de campo a partir de outubro.

Foto: Divulgação/Criciúma