“Não tem que acreditar.” Foi assim que Paulo Pezzolano resumiu, em coletiva de imprensa, a relação da torcida do Internacional com o seu trabalho depois da eliminação na Copa do Brasil. O treinador admitiu que só resultados dentro de campo podem reverter esse cenário.
Segundo o uruguaio, palavras não bastam neste momento. “Tenho que ganhar jogos para que acreditem”, completou, reforçando que a confiança do torcedor só volta com vitórias, não com discurso. Além disso, ele reconheceu que insistir em explicações não muda a percepção de quem está nas arquibancadas.
Na sequência, Pezzolano foi direto ao afirmar que prefere ação a fala. Segundo ele, esse momento exige respostas práticas, não mais declarações de intenção à imprensa.
O golpe mais duro do ano
Para Pezzolano, cair da Copa do Brasil para o Grêmio doeu mais do que qualquer outro resultado nesta temporada. Segundo ele, a eliminação representa um dos momentos mais difíceis desde que assumiu o comando do Colorado.
Na avaliação do treinador, o time pecou taticamente ao se expor demais em busca do resultado. Assim, o excesso de volume ofensivo teria aberto espaços que o Grêmio soube aproveitar, principalmente em bolas paradas.
Apesar da autocrítica, Pezzolano evitou dramatizar o momento. Ele reconheceu que fases ruins fazem parte do futebol, mas insistiu que a resposta precisa vir rápido, já na próxima rodada. Dessa forma, o discurso combinou reconhecimento do erro com um pedido implícito de paciência ao elenco.
Com a chave virada para o Brasileirão
Fora da Copa do Brasil, o discurso do treinador agora é de foco total no Campeonato Brasileiro. “Não temos mais nada para pensar”, destacou, deixando claro que a permanência na Série A virou prioridade única do clube até o fim do ano.
Os números reforçam a urgência. O Internacional soma apenas 25 pontos em 25 partidas, com 30 gols marcados e 42 sofridos. Consequentemente, o aproveitamento de Pezzolano no Brasileirão está em 33,3%, patamar considerado insuficiente para tirar o time da zona de rebaixamento.
Vale um detalhe que passou quase despercebido: o Colorado só não terminou a rodada passada na vice-lanterna porque o Coritiba venceu seu compromisso. Ou seja, a permanência fora do Z-4 dependeu de resultado de terceiros, não de mérito próprio.
O próximo teste vem já no domingo (6), contra o Santos, no Beira-Rio. Do lado paulista, o principal desfalque é Neymar, ausência que pode facilitar a vida do Inter, mas não tira a obrigação de vencer. Afinal, uma vitória em casa é o mínimo esperado diante de um adversário desfalcado.
Vale destacar que o próprio presidente Alessandro Barcellos já havia garantido a permanência de Pezzolano ao menos até esse duelo. Assim, o treinador chega ao confronto sem ameaça imediata ao cargo, mas sabendo que uma nova derrota reabriria de vez a discussão sobre seu futuro no clube.
Análise Colorado Puro Sangue
Existe algo de honesto na fala de Pezzolano, e isso merece ser dito. Poucos treinadores admitem publicamente que a torcida não tem motivo para confiar, mesmo sabendo que a frase pode ser usada contra ele depois.
Por outro lado, sinceridade não substitui resultado. Discurso maduro ajuda a manter o vestiário coeso, mas não sobe posições na tabela nem tira o time do Z-4. Nesse sentido, a torcida colorada já ouviu discursos parecidos de outros treinadores nos últimos anos, sem que isso revertesse o quadro em campo.
A explicação sobre as bolas paradas também levanta uma dúvida incômoda. Se o problema já era conhecido, por que a equipe insistiu em se expor tanto contra o maior rival, justamente numa decisão? Ainda assim, é justo reconhecer que admitir o erro publicamente já é um passo que nem todo treinador dá.
No fim, o discurso de foco total no Brasileirão soa acertado, mas tardio. Depender do tropeço alheio para escapar da vice-lanterna, como aconteceu com o resultado do Coritiba, é um alerta que a diretoria e o próprio treinador não podem ignorar.
Contra o Santos, o teste é simples de descrever e difícil de cumprir: ganhar, sem desculpa e sem margem para outro discurso de autocrítica. Se vier a vitória, a fala de hoje vira nota de rodapé. Se não vier, ela volta como prova de que o próprio treinador já sabia, antes de todo mundo, que a queda podia continuar.
Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional





