O Internacional deixou o Z-4, ainda que por pouco, depois do empate com o Remo. O time aparece agora na 16ª colocação, com 24 pontos, e enfrenta o Atlético-MG no sábado seguinte, com bola rolando às 18h30, outra vez na capital gaúcha.
Só que esse alívio pequeno na tabela não segurou a onda de críticas que veio na sequência. Pelo contrário: a repercussão do jogo escancarou um debate que já vinha sendo puxado nos bastidores há um tempo.
Quem aprovou as contratações que não emplacaram?
No programa “Segue o Fio”, da rádio Gaúcha, o jornalista Cristiano Munari foi direto ao ponto. Ele quis saber quem, entre o executivo de futebol Fabinho Soldado e o diretor esportivo Abel Braga, deu aval para reforços como Alerrandro e Calebe.
Para o jornalista, o trabalho de Fabinho vem sendo abaixo do esperado, especialmente na hora de escolher reforços para o ataque. Ele citou o próprio Alerrandro como exemplo de contratação que não trouxe o retorno esperado dentro de campo.
Ainda segundo Munari, mesmo peças mais recentes, como o volante Sanabria, não parecem suficientes para resolver os problemas estruturais do time. Assim, a crítica não fica restrita a um jogador específico – ela mira o processo de escolha como um todo.
Vale destacar que essa não é a primeira vez que o nome de Fabinho aparece envolvido em polêmica de bastidor nesta temporada. Consequentemente, a cobrança sobre o setor de contratações já não parece mais episódio isolado, e sim um padrão que se repete.
O apego ao título de 2006 que incomoda
Além das contratações, Munari trouxe uma reflexão mais ampla sobre a gestão do clube. Para ele, o Inter segue preso demais a um passado vitorioso que já não garante nada no presente.
O jornalista lembrou que o clube segue trazendo de volta, em cargos de gestão, nomes ligados à conquista da Libertadores de 2006. Ele citou o caso de outros jogadores daquela geração que retornaram ao Inter em outras funções e não deram certo, incluindo dois que caíram junto com o clube em 2016.
Entre os exemplos lembrados por ele estão nomes que hoje remetem diretamente àquela campanha histórica, mas que, em passagens posteriores pelo clube, também acabaram associados a fases ruins – inclusive ao próprio rebaixamento sofrido em 2016. Ou seja, nem todo nome de peso do passado garante acerto quando volta em outra função.
Segundo Munari, o problema não é sentimental – é prático. Enquanto a gestão insiste em nomes ligados à história, o presente do clube continua andando para trás dentro de campo, e o Inter precisaria, na visão dele, parar de repetir a fórmula de 2006 depois de 20 anos.
Leia também: Campeões da Libertadores de 2006 do Inter: por onde andam?
Saiba mais sobre o Internacional no site oficial do clube .
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Sejamos sinceros: crítica de jornalista incomoda, mas incomoda mais ainda quando ela bate num ponto que o torcedor já vinha sentindo há tempos. Contratação que não resolve, gente do passado ocupando cargo de decisão – isso não é exagero de quem fala de fora.
Cá entre nós, questionar quem aprovou reforço que não emplacou é pergunta justa. Time que briga contra o rebaixamento não pode se dar ao luxo de errar tanto na hora de reforçar o elenco.
Por outro lado, também vale ponderar: nem toda contratação de sucesso vem de nome badalado, e nem todo nome ligado ao passado é incapaz de acertar no presente. O problema não é ter gente de 2006 no clube – é não entregar resultado, seja quem for o responsável.
Ainda assim, dá pra entender a frustração. Enquanto o time segue perto do Z-4, sobra pouco espaço para acreditar em discurso de projeto de médio prazo. O torcedor quer ver competência aparecendo em campo, não em entrevista.
Consequentemente, sábado contra o Atlético-MG vira mais do que só mais uma rodada. É chance de mostrar, dentro de campo, que o time é maior do que a crise de bastidores que segue rondando o clube.
Fica o alerta pra diretoria: discurso bonito sobre história não sustenta pontuação. Bola pra frente, Colorado.
Foto: Ricardo Duarte/Inter





