Inter Precisa de R$ 70 Milhões até Dezembro

Alessandro Barcellos, presidente do Inter, durante coletiva de imprensa

Inter precisa de R$ 70 milhões para fechar as contas até o fim de 2026 sem novos atrasos internos. O valor foi apresentado pelo presidente Alessandro Barcellos durante reunião com pré-candidatos à presidência do clube, na última segunda-feira (7). A informação é da GZH e foi confirmada por duas pessoas que participaram do encontro.

Como chegou a conta de R$ 70 milhões

A conta inclui folhas salariais, direitos de imagem, pendências financeiras e o décimo terceiro de jogadores e funcionários. Portanto, o número não representa apenas o que já está em atraso neste momento. Trata-se de uma projeção mais ampla, pensada para cobrir os meses restantes do ano sem gerar novos problemas de caixa.

Esse cenário não surgiu do nada. No fim de agosto, o clube já havia colocado a folha salarial como prioridade máxima do fluxo de caixa. Naquele momento, a restrição de registros aplicada pela FIFA, ligada à contratação de Juninho junto ao Midtjylland, também pressionava as contas coloradas.

Além disso, os valores em aberto com atletas já haviam ultrapassado os R$ 10 milhões naquele estágio, segundo apuração anterior. Ou seja, a cifra de R$ 70 milhões representa uma evolução natural de um quadro que já vinha se agravando havia semanas.

Inter busca novas receitas para fechar o ano

Diante da urgência, a direção passou a estudar formas de aumentar as receitas nos próximos meses. Uma das ideias veio de José Amarante, conselheiro e pré-candidato de oposição à presidência. A proposta é antecipar 30% das receitas previstas em contratos de placas publicitárias no Beira-Rio, mas o plano ainda depende de aprovação do Conselho Deliberativo.

O momento também coincide com um prazo dado pelo próprio Barcellos. Depois do primeiro Gre-Nal da Copa do Brasil, o presidente projetou novidades em até 15 ou 20 dias sobre a reestruturação financeira do clube. Contudo, ele não detalhou na ocasião qual mecanismo seria usado.

Mais R$ 80 milhões em dívidas com outros clubes

Enquanto isso, outra apuração amplia ainda mais o tamanho do desafio financeiro colorado. Segundo o Bolavip, o Inter também carrega uma dívida próxima de R$ 80 milhões com outros clubes. Esse valor precisa ser administrado para evitar novos transfer bans nas próximas semanas. Essa informação foi trazida originalmente por Leonardo Sonda, da Rádio Bandeirantes.

Ou seja, o clube negocia simultaneamente duas frentes distintas. De um lado, precisa dos R$ 70 milhões para sustentar salários e compromissos internos até dezembro. De outro, carrega os R$ 80 milhões de dívidas externas com outros clubes. Consequentemente, o cenário financeiro geral do Inter é ainda mais apertado do que a cifra isolada sugere.

O que Barcellos já havia admitido sobre a crise

O próprio Barcellos já havia admitido publicamente parte dessa dificuldade. Depois do empate sem gols com o Grêmio, em agosto, ele afirmou que faltavam entre R$ 60 e R$ 70 milhões para equilibrar as contas. Segundo ele, duas grandes receitas do clube caíram bastante: a venda de atletas e o patrocínio máster. Na ocasião, os jogadores já haviam decidido não concentrar antes do Gre-Nal por causa de atrasos salariais.

A situação política também está tensa por causa da crise financeira. Uma torcida organizada protestou no Beira-Rio pedindo a renúncia de Barcellos. Enquanto isso, a próxima gestão deve herdar uma dívida total próxima de R$ 1 bilhão, segundo levantamento apresentado na mesma reunião com os pré-candidatos.

O caso Juninho segue sendo tratado separadamente das demais pendências. Existem ainda discussões financeiras envolvendo outras operações, como as de Johan Carbonero e Benjamin Arhin. Porém, cada uma tem estágio próprio e não deve ser confundida automaticamente com uma nova punição da FIFA.

A gestão atual também argumenta ter reduzido parte do passivo herdado. Barcellos afirma já ter pago cerca de R$ 400 milhões em dívidas desde que assumiu o clube. Assim, pretende detalhar publicamente essa evolução até o fim do mandato, comparando o que recebeu com o que vai deixar para o próximo presidente.

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No fim das contas, a busca do Inter por R$ 70 milhões e a dívida de R$ 80 milhões com outros clubes contam duas histórias que se cruzam. De um lado, um esforço real para reduzir o endividamento histórico do clube. De outro, uma pressão de caixa que segue tão grande quanto antes. Afinal, o Inter tenta equilibrar salários, dívidas externas e a expectativa de uma torcida cada vez mais impaciente.

Não dá para separar completamente futebol e finanças neste caso. O Inter briga contra o rebaixamento dentro de campo enquanto a diretoria corre atrás de dinheiro fora dele. Assim, as duas urgências pressionam o mesmo grupo de dirigentes ao mesmo tempo.

Chama atenção o fato de a cifra de R$ 70 milhões praticamente repetir o número que o próprio presidente já havia citado publicamente em agosto. Isso sugere que o problema não piorou de forma repentina; ele só ficou mais visível agora, às vésperas de uma eleição que vai decidir quem herda essa conta.

Resta saber se a antecipação das placas publicitárias vai garantir os R$ 70 milhões a tempo. Enquanto o Conselho Deliberativo não aprova a medida, o Inter segue dependendo de outras fontes de caixa. Portanto, o risco de repetir os episódios de atraso que já afetaram a concentração do elenco neste ano segue no radar.

Foto: YouTube/Tv Inter