Inter precisa de aproveitamento inédito no Brasileirão

Inter precisa de aproveitamento inédito no Brasileirão para escapar do Z-4

O Internacional entra na reta final da temporada com a missão de reverter uma equação difícil no Campeonato Brasileiro. Depois da derrota para o Bahia, o Colorado caiu para a 18ª posição, dentro do Z-4, e o cenário é claro: Inter precisa de aproveitamento inédito no Brasileirão para escapar do rebaixamento com tranquilidade.

O tamanho do desafio na tabela

Com 25 pontos em 25 rodadas disputadas, o Colorado tem 13 jogos pela frente até o fim da Série A. A conta clássica de sobrevivência costuma girar em torno dos 45 pontos, patamar que historicamente livra a maioria das equipes do rebaixamento.

Isso significa que o Inter precisa somar 20 pontos nos 13 jogos restantes. Em termos de aproveitamento, o número passa de 51%, algo bem distante do que o time vem produzindo neste segundo turno.

O jejum que preocupa a torcida

Desde a volta da pausa para a Data Fifa, o Colorado ainda não venceu no Brasileirão. Foram seis rodadas, com quatro empates e duas derrotas, resultando em apenas quatro pontos conquistados no período.

Os empates aconteceram diante de Flamengo, Palmeiras, Remo e Atlético-MG. Já os tropeços vieram contra Athletico-PR e, mais recentemente, o Bahia, em partida que reforçou a crise vivida pelo elenco.

No recorte do returno, o aproveitamento gaúcho é de apenas 22%. Somente o Vitória tem campanha pior no mesmo período, com uma vitória em seis confrontos.

A queda de rendimento entre os dois turnos

Um levantamento próprio ajuda a dimensionar a crise. No primeiro turno, disputado em 19 rodadas, o Inter somou 21 pontos, o equivalente a um aproveitamento de aproximadamente 37%.

Já no returno, disputado até aqui em seis rodadas, o rendimento despencou para 22%. Ou seja, o time piorou de forma expressiva justamente no momento em que a temporada mais exige consistência.

Essa comparação ajuda a explicar por que o discurso de “melhorar aos poucos” perdeu força internamente. Afinal, a equipe não está apenas estagnada: está regredindo, mesmo com o elenco praticamente inalterado.

Além disso, o contraste reforça a urgência do momento. Se o aproveitamento seguir na casa dos 22%, o Inter terminaria a temporada com pouco mais de 30 pontos, número claramente insuficiente para permanecer na Série A.

Uma conta que exige reação imediata

Ao comparar os números, fica evidente o tamanho do salto necessário. Enquanto o aproveitamento recente gira perto de 22%, a meta dos 45 pontos exige rendimento superior a 51% dali em diante.

Ou seja, o Inter precisaria mais que dobrar sua eficiência atual para alcançar a marca seguidamente usada como referência de permanência na Série A.

Vale lembrar que, além da pressão direta da tabela, o calendário também não dá trégua. Antes de voltar as atenções totalmente ao Brasileirão, o Colorado decide vaga na Copa do Brasil, contra o Grêmio, nesta quinta-feira (3/9), na Arena.

Somente depois desse confronto o elenco de Pezzolano poderá direcionar o foco por completo à tarefa de reverter a situação na Série A, a começar pelo duelo com o Santos, no Beira-Rio.

Enquanto isso, times concorrentes na parte de baixo da tabela seguem somando pontos, ainda que de forma irregular. Por isso, cada rodada que passa sem reação colorada pesa duas vezes: tira pontos do Inter e aproxima os rivais diretos.

Nesse contexto, a pressão sobre Pezzolano e o elenco tende a crescer a cada resultado negativo. Consequentemente, o ambiente interno também vira alvo de cobrança, tanto da diretoria quanto da torcida.

Além disso, vale considerar o desgaste físico e emocional de disputar duas competições ao mesmo tempo. Enquanto a cabeça do grupo está no Gre-Nal, o Brasileirão segue rodando, e cada ponto deixado pelo caminho custa caro lá na frente.

Por isso, muitos torcedores defendem que a comissão técnica já deveria pensar em rodízio equilibrado, sem descuidar de nenhuma das duas frentes. Afinal, abrir mão da Copa do Brasil não é opção, mas o Brasileirão também não pode ficar em segundo plano.

Análise Colorado Puro Sangue

Passar de 22% pra mais de 51% de aproveitamento não é ajuste fino, é virada de chave completa. E virada de chave completa não costuma vir de detalhe tático, vem de atitude.

Ainda assim, futebol também é feito de sequências. Times que vivem má fase às vezes encontram, de uma hora para outra, o resultado que destrava tudo o que vinha represado.

Por outro lado, existe um lado positivo nessa conta: o Inter ainda controla o próprio destino. Diferente de outras crises do passado, a permanência na Série A depende basicamente do próprio desempenho, não de resultados alheios.

Isso muda a perspectiva. Em vez de torcer pelo tropeço de rivais, o torcedor colorado pode cobrar diretamente do time em campo, rodada após rodada, o retorno que a camisa exige.

Ainda assim, é preciso realismo: depender do próprio desempenho só é vantagem se esse desempenho realmente melhorar. Do contrário, a autonomia na tabela vira apenas um detalhe estatístico em meio a uma queda inevitável.

Treze rodadas ainda dão tempo, mas tempo que passa rápido pra quem não vence há tanto assim. O relógio já está correndo, e cada empate bobo daqui pra frente encurta ainda mais o prazo pra fugir do Z-4 de verdade.

Imagem: Reprodução Facebook