Com a demissão de Paulo Pezzolano, o Internacional já sabe que terá o 10º técnico em seis anos de gestão Barcellos. Assim, o anúncio saiu no domingo, dia 20 de setembro, horas depois da derrota por 1 a 0 para o São Paulo, no Morumbis. Foi o próprio clube quem confirmou o desligamento, em nota publicada nas redes oficiais. Além disso, deixaram o Beira-Rio junto com o uruguaio o coordenador técnico Matias Filippini, dois auxiliares, o preparador físico e o analista de desempenho. Por ora, o auxiliar permanente Pablo Fernández assume o comando interinamente, enquanto a diretoria corre atrás de um nome definitivo.
O momento da troca não é qualquer um. O Inter folga pela Data Fifa e só volta a campo em 7 de outubro, contra o Corinthians. Portanto, o novo técnico do Inter vai ter pouco mais de duas semanas para se apresentar, conhecer o elenco e montar uma ideia de jogo antes do Gre-Nal, marcado para 11 de outubro. Isso porque o calendário não perdoa quem está no Z4: o Colorado ocupa a 18ª posição, com 28 pontos, e está a três do Vasco, primeiro time fora da zona de rebaixamento.
Fato
Pezzolano chegou ao Inter em dezembro de 2025, com contrato até o fim de 2026. Então, ele resistiu até a décima partida seguida sem vitória no Brasileirão, somada à eliminação para o Grêmio nas quartas de final da Copa do Brasil. Diante disso, a derrota para o São Paulo funcionou como o estopim final. Ao todo, o uruguaio comandou o clube em 41 jogos, com 17 vitórias, 12 empates e 12 derrotas, ficando 262 dias no cargo. Portanto, o ciclo se encerrou antes mesmo da metade do contrato original.
Contexto
A saída de Pezzolano importa porque repete um roteiro conhecido dentro do CT Parque Gigante. Desde 2021, primeiro ano do atual mandato, o presidente Alessandro Barcellos nunca fechou uma temporada inteira sem mexer no comando técnico. Além disso, essa é justamente a gestão que mais trocou de treinador na história recente do clube, o que reforça a sensação de instabilidade permanente. Ou seja, o problema não nasceu agora, com o uruguaio: ele apenas se somou a uma lista que já vinha crescendo.
Enquanto isso, o Inter tenta equilibrar dois desafios ao mesmo tempo: escapar do rebaixamento e organizar as eleições internas de dezembro. Isso deixa a escolha do próximo nome ainda mais delicada.
Levantamento: a gestão Barcellos por dentro
Antes de Pezzolano, passaram pelo cargo Abel Braga, Miguel Ángel Ramírez, Diego Aguirre, Alexander Medina, Mano Menezes, Eduardo Coudet, Roger Machado e Ramón Díaz. Aliás, Abel Braga teve duas passagens: uma no início de 2021 e outra emergencial nas duas rodadas finais de 2025. Diante desse histórico, o próximo nome que chegar ao CT Parque Gigante será, na prática, o 10º técnico efetivo da era Barcellos.
Comparando os números, os 262 dias de Pezzolano no cargo até representam uma sobrevida razoável perto do padrão recente do clube. Mesmo assim, isso não foi suficiente para evitar mais uma troca em pleno meio de temporada. Vale destacar também que essa é a sexta vez seguida que a diretoria decide mudar de comando durante o próprio ano da disputa, nunca entre uma temporada e outra. Isso mostra que o problema não é só de escolha de nome, mas também de timing e de planejamento de calendário.
Análise Colorado Puro Sangue
Rotatividade desse tamanho não cai do céu, ela é construída decisão após decisão. Todo ano a diretoria escolhe um nome, promete paciência e, então, volta atrás no primeiro momento de pressão. Por isso, cobrar só o técnico que está saindo agora seria simplificar demais um problema que já dura seis anos.
Por outro lado, também não dá para tirar o peso das costas de Pezzolano: dez jogos sem vencer é uma sequência que derruba qualquer treinador, em qualquer clube grande do país. O que me incomoda mesmo é a repetição do erro de timing. A diretoria decide demitir, mas ainda não tem o substituto pronto para assumir antes da Data Fifa acabar, exatamente como já aconteceu em outras trocas recentes.
Se o próximo nome chegar só na véspera do Corinthians, o Inter vai entrar no jogo mais decisivo do ano sem tempo nenhum de preparação. Já dá para imaginar a arquibancada cobrando resultado imediato de um técnico que talvez nem tenha treinado o time uma semana inteira. No fim, quem carrega o prejuízo dessa demora sempre é o torcedor, que assiste ao mesmo filme se repetir ano após ano.
Foto: Ricardo Duarte/ Internacional





