Futuro dos emprestados do Inter começa a ser definido

Alerrandro tem futuro em aberto no Inter

O Internacional briga contra o rebaixamento e, ao mesmo tempo, precisa resolver o futuro dos emprestados do Inter que têm contrato até dezembro. Rodrigo Villagra, Alerrandro e Félix Torres estão nessa lista, e só um deles tem chances reais de ficar depois disso. A situação dos outros dois deve esperar a definição do novo presidente colorado, ou seja, ainda não existe prazo fechado para essa conversa avançar.

Villagra tem cláusula fixa e deve continuar no Inter

Villagra é o nome mais tranquilo dessa lista. O volante argentino virou titular absoluto sob o comando de Paulo Pezzolano e tem contrato de empréstimo com opção de compra fixada, não apenas sugerida. Isso muda tudo, porque o clube não escolhe se quer comprar: se a meta bater, a obrigação simplesmente se ativa.

Para isso acontecer, o argentino precisa somar 2.800 minutos em campo na temporada. Atualmente, ele soma pouco mais de 600 minutos, então ainda falta um caminho considerável até lá. Na prática, isso significa que Villagra terá que completar sete jogos inteiros para travar o negócio.

O calendário ajuda: até o fim do ano, o Inter ainda tem 11 partidas pela frente. Porém, o argentino desfalca o time logo no próximo compromisso, contra o São Paulo, porque cumpre suspensão. Além disso, cada rodada sem minutos empurra a definição da cláusula para mais perto da reta final da temporada.

Alerrandro e Félix Torres seguem sem futuro garantido

Do outro lado dessa história estão Alerrandro e Félix Torres, dois emprestados do Inter que dividem o mesmo problema: não bateram as metas contratuais e, por isso, seguem sem futuro garantido. Enquanto isso, a torcida colorada segue de olho em cada minuto que os dois recebem em campo.

Alerrandro chegou por empréstimo do CSKA, da Rússia, com duas condições no contrato: participar de 60% dos jogos da temporada e marcar 15 gols. O centroavante até cumpriu a primeira parte, já que esteve em mais de 70% das partidas do ano. O problema mora na segunda meta, porque o atacante soma apenas quatro gols até agora, e virou reserva de Tonny Sanabria no ataque colorado.

Félix Torres, por sua vez, enfrenta a situação mais delicada entre os três. O Corinthians emprestou o zagueiro equatoriano ao Inter desde janeiro, e o contrato prevê opção de compra, mas os valores nunca foram revelados publicamente. Diferente de Villagra, aqui não existe obrigação automática que se ative sozinha.

O defensor perdeu a titularidade para Victor Gabriel ainda no primeiro semestre e, com a chegada de Maripán ao elenco, o espaço ficou ainda mais apertado. Torres também carrega críticas recentes, já que falhou na derrota para o Santos, quando pisou na bola e viu Gabigol aproveitar o erro para abrir o placar. No total, ele soma 26 jogos e dois gols pelo Inter, sendo titular em 21 oportunidades, a última justamente contra o próprio Santos.

O que os números explicam sobre os três emprestados do Inter

Colocando os três emprestados do Inter lado a lado, dá para perceber uma diferença que vai além do desempenho dentro de campo. Villagra tem uma cláusula fixa, então o Inter nem entra nessa decisão: se o volante seguir sendo escalado, a compra vira automática, independentemente do que a diretoria pense sobre o momento financeiro do clube. Segundo levantamento do Sofascore, o argentino lidera as bolas recuperadas do time desde que assumiu a titularidade, além de manter 88% de acerto nos passes, números que ajudam a explicar por que Pezzolano não abre mão dele.

Já Alerrandro e Félix Torres dependem de metas que envolvem julgamento técnico, e não apenas contagem de minutos. Isso dá ao Inter uma carta na manga que não existe no caso do volante: o clube pode simplesmente deixar as metas não baterem e evitar qualquer obrigação de compra. Enquanto Villagra bate recorde de recuperações de bola, o centroavante soma apenas quatro gols perto da meta de 15, e o zagueiro equatoriano já nem é mais titular. Essa distância entre os três casos explica bem por que só um deles tem futuro tranquilo garantido no Beira-Rio.

Sempre bom lembrar: contrato de empréstimo com meta de minutos vira decisão automática, mas meta técnica vira decisão de diretoria. É essa diferença, mais do que o desempenho isolado de cada um, que define quem fica e quem sai do Beira-Rio em dezembro.

Análise Colorado Puro Sangue

Confesso que Villagra ficando não me surpreende nem um pouco, porque o cara joga bola desde que chegou e nunca escondeu isso. O que me incomoda mesmo é pensar que o Inter pode ficar refém de uma cláusula fixa justamente num momento de aperto financeiro no clube. Afinal, obrigação automática não pergunta se o momento financeiro é bom ou ruim, ela simplesmente acontece quando a meta bate.

Com Alerrandro, sinto uma pontinha de pena, porque o centroavante corre, se movimenta e faz o trabalho sujo que muita gente não valoriza. Só que gol é a moeda que decide centroavante, e quatro em toda a temporada é pouco demais para quem precisava de 15. Duvido muito que o próximo presidente vá querer bancar essa compra sem uma reviravolta e tanto até dezembro.

Já sobre Félix Torres, prefiro ser direto: o cara perdeu espaço, perdeu titularidade e agora até briga por minutos no banco. Não vejo cenário em que o Corinthians resolva vender e o Inter resolva comprar ao mesmo tempo, ainda mais depois da falha contra o Santos. Torço para que ele aproveite as poucas chances que restam, mas sem ilusão: o caminho mais provável termina em dezembro mesmo, com a mala pronta para outro clube.

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