Desfalques do Inter contra o Bahia forçam mudança na defesa

Pezzolano observa o treino do Inter, suspenso para o duelo contra o Santos

Os desfalques do Inter contra o Bahia mudam boa parte do desenho tático colorado para este domingo (30). O duelo acontece às 19h30, na Arena Fonte Nova, em Salvador, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A.

Paulo Pezzolano não vai poder contar com seis peças do elenco. Bruno Gomes, Gabriel Mercado e Paulinho cumprem suspensão automática, pois receberam o terceiro cartão amarelo no empate sem gols com o Atlético-MG.

Desfalques do Inter contra o Bahia mudam a defesa

Victor Gabriel também está fora, suspenso pelo STJD por causa da entrada dura em Gabriel Pec, do Cruzeiro. Rochet e Kayky completam a lista, ambos afastados por lesão.

Assim, três dos seis ausentes atuam justamente na zaga ou nas laterais, setor que já vinha sendo cobrado pela torcida nas últimas rodadas. Por isso, a escalação que Pezzolano vai montar em Salvador tende a ser bem diferente da que o torcedor colorado está acostumado a ver.

Vale lembrar, ainda, que Bruno Gomes e Mercado são titulares absolutos desde o início da temporada. Perder os dois na mesma partida, portanto, não é um ajuste pontual, e sim uma reformulação de fato no setor defensivo.

A partida, aliás, terá transmissão ao vivo pela Globo, na TV aberta, e pelo Premiere, no pay-per-view. Nesse sentido, boa parte da torcida colorada vai acompanhar de perto justamente o momento em que Pezzolano precisa improvisar.

Momento das duas equipes no Brasileirão

O Inter atravessa fase difícil na competição. Com isso, são oito jogos de jejum, sequência que deixou o clube na 16ª posição, com 25 pontos, longe da tranquilidade matemática contra o rebaixamento.

Do outro lado, o Bahia mostra outro retrato. Sexto colocado, com 37 pontos, o Esquadrão chega embalado pela vitória sobre o Vitória no último Ba-Vi, resultado que encerrou uma sequência de cinco empates seguidos.

Além disso, Rogério Ceni pode ganhar um reforço de peso para o duelo. Kauê Furquim, joia da base baiana, volta a ficar à disposição depois de cumprir compromissos pela Seleção Brasileira Sub-17.

Nesse contexto, o confronto na Fonte Nova ganha um contorno de teste duplo. Enquanto o Bahia mira a aproximação com o G4, o Inter só quer estancar a sangria de resultados ruins.

A fragilidade defensiva colorada em números

Um levantamento sobre a campanha ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. Antes mesmo da lista de desfalques desta semana, o Internacional já somava 31 gols sofridos em 22 partidas na temporada, média que passa de um gol por jogo.

Ou seja, mesmo com força máxima, a linha defensiva colorada vinha sofrendo para segurar as jogadas do adversário. Com três titulares da zaga e da lateral fora ao mesmo tempo, a tendência é que a Fonte Nova exponha ainda mais essa fragilidade.

Nos bastidores, os nomes mais cotados para substituir os suspensos são Braian Aguirre ou Félix Torres ao lado de Maripán na defesa, além de Vitinho improvisado na lateral direita. Villagra, por sua vez, desponta como opção natural para a vaga de Paulinho no meio-campo.

Dessa forma, Pezzolano evita mexer em bloco nas outras posições e tenta preservar a base que joga junto há mais tempo. Mesmo assim, a repetição de peças novas na zaga em pouco tempo preocupa quem acompanha o dia a dia do clube.

Consequentemente, o meio-campo e o ataque também sentem o efeito indireto da crise defensiva. Enquanto isso, Alan Patrick tende a recuar mais no apoio à marcação, o que reduz o volume criativo do camisa 10 lá na frente.

Inclusive, o goleiro Matheus Cunha ganha um peso extra nesse cenário. Com uma zaga remontada às pressas, a exigência de intervenções decisivas sobre o arqueiro colorado deve aumentar bastante na Fonte Nova.

Análise Colorado Puro Sangue

Repetir titular por titular não é mais opção pra Pezzolano. O time que entra em campo contra o Bahia praticamente se monta na base da tentativa e erro, e isso pesa.

Não estamos falando de qualquer defesa: eram 31 gols sofridos com o time completo. Por fim, dá pra imaginar o tamanho do risco com metade do setor trocado de uma vez só.

Ainda assim, não dá pra tratar esse jogo como fatalidade e só torcer de longe. No entanto, o retrospecto recente mostra que o Inter sofre quando perde peças-chave na zaga, e domingo esse cenário vai se repetir com força total.

Por outro lado, tem um detalhe que pode pesar a favor do Colorado: o Bahia também empatou cinco vezes seguidas antes de encontrar o caminho da vitória no Ba-Vi. Não é, de forma alguma, uma equipe imbatível.

De fato, times em reconstrução defensiva costumam vencer mais pela organização coletiva do que pelo nome de quem está em campo. Por isso, a marcação combinada entre os improvisados pesa tanto quanto a qualidade individual de cada um.

Se a torcida quer ver o time sair da zona de desconforto, esse é o tipo de jogo que precisa virar pontos, nem que seja no sacrifício. Bola pra frente, mas com atenção redobrada na zaga — contra o Bahia, não vai sobrar margem pro erro.

Foto: Ricardo Duarte/Inter