“Não vim para dois meses”: Baptista quer tempo no Inter, mas precisa de resultado já

Eduardo Baptista, técnico do Inter, concede entrevista ao InterCast na véspera da estreia

Baptista quer tempo no Inter, e disse isso sem rodeios na véspera da estreia. Em entrevista ao InterCast, o técnico disse que deixou o Criciúma por um contrato longo. Ele também afirmou que não veio só para evitar o rebaixamento, segundo o Zona Mista.

Baptista quer tempo no Inter e avisa que não veio de passagem

A frase mais forte da conversa foi curta: “não vim para dois meses”. Baptista contou que trocou um trabalho consolidado no Criciúma para construir algo maior em um clube grande. Ainda assim, o foco imediato está nos dez jogos finais do Brasileirão.

Baptista quer tempo no Inter, mas diz que o clube é grande demais para viver essa situação. Por isso, o treinador trata os dois próximos jogos como a grande chance de virar a chave. Ou seja, Corinthians e Gre-Nal pesam mais do que qualquer plano de longo prazo.

O cenário que ele encontrou

O Inter ocupa o 18º lugar, com 28 pontos. O time vem de derrota por 1 a 0 para o São Paulo, jogo que terminou com a saída de Pezzolano. A estreia acontece na quarta-feira (7), às 19h30, no Beira-Rio, contra o Corinthians. Depois, o time visita o Grêmio no domingo (11), às 17h30, e o Mirassol no dia 16.

O Corinthians está em 14º, com 32 pontos, quatro a mais que o Inter. Portanto, uma vitória na estreia deixa o time com 31 e muda o clima antes do clássico.

Baptista disse que assistiu a todos os jogos depois de fechar com o clube. Segundo ele, o time tinha bons momentos, mas levava gol na hora errada. Além disso, defendeu que a derrota para o São Paulo não foi uma má atuação.

Por que ele insiste nos três zagueiros

Baptista contou que sempre preferiu o 4-3-3 ou o 4-2-3-1. Porém, os problemas defensivos no Atlético-GO o levaram a estudar outros desenhos. No Novorizontino, na Série B, ele decidiu testar três zagueiros, num cenário em que ninguém mais jogava assim.

O time quase conquistou o acesso. A Soccerway lembra que o Novorizontino terminou em 5º lugar na Série B em 2023 e 2024, a um passo da elite. Além disso, a passagem durou 2 anos e 5 meses, a quarta mais longeva do futebol brasileiro naquele momento.

Como cada jogador entra no plano

Bruno Gomes ganha destaque porque oferece movimentos variados. Segundo Baptista, ele pode sair da linha de três para buscar o encaixe no adversário. Já Bernabei deve atacar o um contra um e aparecer na área quando a jogada vem do outro lado.

Vitinho rende mais por dentro, recebendo a bola e atacando de dentro para fora. Carbonero trabalha para ajustar a parte defensiva. Já Bruno Henrique, apesar de volante, pode jogar mais adiantado como meia de armação em alguns momentos.

Isso muda a leitura sobre quem perdeu espaço. O próprio treinador diz que não busca improvisações e quer cada um onde se sente bem. Portanto, ele ainda enxerga função para Carbonero e Bruno Henrique.

Por que Baptista quer tempo no Inter e aposta na base

Baptista disse que a salvação do futebol brasileiro passa pela base e pela venda de atletas. Ao mesmo tempo, admitiu que agora não é a hora do menino. Em outras palavras, o momento pede o “cara de mais casca”.

Mesmo assim, ele elogiou jovens do CT Parque Gigante. Raykkonen tem altura e velocidade, e João Bezerra é ambidestro e finaliza bem. João Victor e Luiz Felipe, irmãos que jogam pelos lados, aparecem como jogadores fortes e em evolução.

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Tem uma contradição boa nessa entrevista: Baptista quer tempo no Inter, mas pede jogador pronto para agora. Eu gosto da franqueza, porque ele não finge que o time pode esperar menino amadurecer em outubro. Ainda assim, ele deixa a porta aberta para Raykkonen e Bezerra.

O discurso dos três zagueiros me convence mais do que me assusta. Ele não chegou com ideia nova, mas com um sistema que já testou na Série B e quase levou ao acesso. Só que o Brasileirão cobra mais caro cada erro de encaixe.

O recado de longo prazo vale pouco se o Inter cair. Quatro pontos nos dois primeiros jogos, contra Corinthians e Grêmio, já mudam o clima e dão fôlego ao discurso. Sem pontuar, a frase do contrato longo vira cobrança na primeira semana.

Foto: Reprodução/TV Inter