O Internacional se prepara para o jogo de volta contra o Grêmio, marcado para quinta-feira (3/9), na Arena. A vaga nas quartas de final da Copa do Brasil está em disputa.
Por isso, uma dúvida específica ocupa os bastidores do Beira-Rio. Afinal, Alan Patrick titular no Gre-Nal é a aposta certa para Paulo Pezzolano, ou o meia segue como carta na manga?
O que ficou definido no primeiro confronto
A ida terminou 0 a 0, ainda no Beira-Rio. Naquela noite, Pezzolano optou por deixar Alan Patrick no banco, escalando Calebe aberto pela direita e Vitinho como referência ofensiva central.
Consequentemente, o meio-campo colorado sentiu falta de criação. A equipe não produziu chances claras no primeiro tempo.
No intervalo, porém, o treinador mudou a peça. Bruno Henrique entrou, Calebe saiu, Vitinho voltou para a direita e, logo depois, Alan Patrick pisou em campo no lugar de Paulinho.
A resposta apareceu rápido. O time gaúcho passou a dominar as ações e cresceu bastante na etapa final, mesmo sem balançar as redes.
Vale destacar que a mudança pode ter sido planejada para preservar energia e criatividade para um momento em que a marcação adversária já estivesse mais cansada.
Pressão extra vinda do Brasileirão
Nesse meio-tempo, o cenário ficou mais delicado depois da derrota para o Bahia, por 3 a 2, no último domingo (30/8), na Fonte Nova. Com o resultado, o Colorado caiu para a 18ª posição, dentro da zona de rebaixamento, e chegou a nove jogos sem vencer na competição.
Coube justamente a Alan Patrick abrir o placar diante dos baianos, logo no início da partida. Vitinho descontou na etapa final, mas não evitou a virada adversária.
Mesmo assim, o gol reforça que o camisa 10 segue afiado na finalização, apesar do momento conturbado vivido pelo restante do elenco.
Diante disso, cresce o argumento de quem defende sua presença desde o apito inicial. Um jogador em fase de confiança tende a pesar mais no ataque do que um substituto ainda buscando ritmo de jogo.
O retrospecto que pesa a favor do camisa 10
Com base nos números levantados para esta análise, Alan Patrick aparece como um dos principais carrascos do Grêmio entre os nomes disponíveis no elenco atual. São nove gols e cinco assistências acumulados contra o rival ao longo da carreira, embora esses números devam ser considerados dentro do levantamento realizado.
Além do retrospecto ofensivo, soma-se a experiência acumulada em decisões. Por isso, muitos torcedores enxergam o meia como sinônimo de sangue-frio justamente nos momentos de maior pressão emocional.
Circulou também, ao longo do primeiro confronto, uma informação de bastidor ainda sem confirmação oficial. Segundo essa versão, teria existido um entendimento entre atletas, comissão técnica e dirigentes para dispensar o regime de concentração antes da ida.
Caso confirmado, o episódio ajudaria a entender por que a escalação surpreendeu tanta gente.
Até o momento, contudo, o clube não validou essa versão publicamente, e o assunto segue apenas como especulação de bastidor. De qualquer forma, o barulho em torno do tema aumentou ainda mais a curiosidade sobre a escalação para a Arena.
Titular desde o início ou aposta para o segundo tempo?
Pezzolano tem, basicamente, dois caminhos possíveis. O primeiro é repetir a fórmula usada na ida, com mais intensidade e velocidade nos primeiros 45 minutos.
Nesse cenário, Alan Patrick ficaria guardado para um instante em que o Grêmio já estivesse fisicamente mais desgastado.
O segundo caminho, por sua vez, é começar já com o articulador em campo. A ideia seria controlar a posse de bola desde o apito inicial, evitando o sufoco vivido na etapa inicial da ida.
Cada opção carrega um risco diferente, e a definição só deve sair perto da bola rolar.
Além disso, vale lembrar que, como o primeiro confronto terminou empatado, uma vitória simples classifica qualquer um dos dois lados. Um novo empate levaria a decisão direto para os pênaltis, o que aumenta ainda mais o peso de cada escolha da comissão técnica.
Enquanto isso, o Grêmio também monta sua estratégia pensando no fator casa. Afinal, jogar na Arena diante da própria torcida tende a exigir uma postura ofensiva do time gaúcho.
Isso, por sua vez, pode abrir espaços interessantes para o setor criativo do Inter.
Análise Colorado Puro Sangue
Nove gols e cinco assistências não caem do céu: é currículo de quem sabe aparecer quando o jogo pesa. Clubes grandes costumam blindar justamente esse tipo de jogador nos duelos que mais importam.
Ainda assim, dá pra entender a cautela do treinador uruguaio. O Inter chega desgastado física e emocionalmente pela sequência ruim no Brasileirão.
Nem sempre, porém, a escalação mais óbvia no papel é a mais eficiente dentro de campo.
Por outro lado, existe um limite pro experimentalismo. Um Gre-Nal de mata-mata não costuma perdoar quem abre mão da própria melhor arma logo de cara.
E o camisa 10 continua sendo, disparado, a melhor carta colorada em jogos dessa magnitude.
No fim, a matemática do retrospecto é clara, mas quem decide a escalação é gente, não planilha. Que a coragem fale mais alto do que o medo de errar — um Gre-Nal decisivo raramente perdoa quem joga na defensiva antes mesmo de precisar.
Foto: Divulgação / Internacional





