Amor pelo Internacional: quando a dor não consegue vencer a esperança

Torcedor do Internacional emocionado após derrota do Colorado no Campeonato Brasileiro, simbolizando a esperança da torcida.

O amor pelo Internacional não terminou quando o árbitro apitou

O árbitro encerrou a partida e os jogadores caminharam para o vestiário de cabeça baixa. Enquanto isso, as luzes do estádio continuaram acesas, iluminando o vazio.

Entretanto, quem realmente ficou sozinho foi o torcedor.

A televisão permaneceu ligada por alguns segundos.

Depois veio o silêncio.

Não aquele silêncio comum de quem perdeu um jogo.

Mas o silêncio de quem tenta entender como um clube tão gigante parece ter perdido a capacidade de fazer seu povo acreditar.

Talvez seja exatamente esse o sentimento que domina milhões de colorados hoje.

Não é apenas tristeza.

Também não é apenas revolta.

É uma mistura de frustração, saudade e preocupação.

Porque perder faz parte do futebol.

Entretanto, deixar de reconhecer o próprio time dói muito mais.

O amor pelo Internacional nunca dependeu de vitórias.

Esse sentimento nasceu nas arquibancadas, cresceu no colo do pai e se fortaleceu com a primeira camisa recebida ainda na infância

Nas primeiras lágrimas de alegria.

E também nas primeiras lágrimas de tristeza.

Por isso, ninguém abandona um clube porque ele vive uma fase ruim.

O torcedor continua firme, ainda que machucado ou decepcionado. Ele segue em frente sem entender por que tantos erros continuam acontecendo.

O amor pelo Internacional continua maior do que qualquer gestão

É impossível falar do momento atual sem olhar para quem conduz o clube.

Treinadores têm responsabilidade.

Jogadores também.

Entretanto, o futebol começa muito antes do apito inicial.

Tudo se inicia no planejamento e na correta montagem do elenco. Além disso, o futebol ganha vida nas decisões tomadas por quem administra o Internacional.

O torcedor não cobra milagres.

A arquibancada exige organização e trabalho sério. Acima de tudo, o que se espera é uma evolução constante e respeito pela história colorada.

Principalmente, ele cobra respeito pela história de um clube que já mostrou ao mundo inteiro a força da camisa vermelha.

Infelizmente, essa evolução não aparece.

Por isso, cresce a sensação de que o Internacional anda em círculos.

Uma temporada termina.

Outra começa.

Mudam os discursos.

Mudam algumas peças.

Entretanto, os problemas continuam praticamente iguais.

Consequentemente, aumenta a distância entre o que o torcedor sonha e aquilo que vê dentro de campo.

E essa talvez seja a maior derrota de todas.

Não a derrota de noventa minutos.

Mas a derrota da confiança.

O torcedor nunca deixou de fazer a sua parte

Existe uma cena que sempre me chama a atenção. Mesmo depois de mais uma derrota, milhares de pessoas seguem vestindo a camisa do Internacional no dia seguinte. Elas defendem o clube, mantêm a crença inabalável e fazem questão de levar filhos e netos ao Beira-Rio.

Isso não acontece por obrigação. O amor pelo Internacional ignora a tabela de classificação e não depende da posição no campeonato ou de quem ocupa o cargo de treinador.

Esse sentimento atravessa gerações. Ele resiste às crises, supera gestões ruins e sobrevive às derrotas mais amargas. O Inter continua vivo porque foi construído por pessoas que jamais aceitaram abandonar o clube nos momentos difíceis.”

O amor pelo Internacional precisa ser retribuído dentro de campo

Quem ama também cobra.

Aliás, só cobra quem realmente se importa.

Por isso, quando o torcedor critica a direção, o treinador ou os jogadores, não significa que deixou de amar o Internacional. Pelo contrário. Significa que ele se recusa a aceitar que um clube tão gigante se acostume com a mediocridade.

O Internacional nunca nasceu para lutar apenas contra o rebaixamento.

Nunca entrou em campo satisfeito em apenas participar.

A história colorada foi construída por homens que acreditavam que era possível desafiar qualquer favorito. Foi assim nas maiores conquistas. Foi assim que o clube conquistou o respeito do Brasil e do mundo.

Entretanto, hoje falta justamente aquilo que sempre diferenciou o Colorado: confiança.

Falta segurança para jogar e força para reagir. É preciso recuperar a crença que faz o torcedor voltar para casa acreditando em dias melhores.

Sem isso, cada derrota pesa ainda mais.

Além disso, cada rodada aumenta a sensação de que o clube está desperdiçando tempo precioso.

O amor pelo Internacional não pode ser tratado como algo garantido

Existe uma frase que sempre volta à minha cabeça quando vejo o Beira-Rio cheio, mesmo depois de tantas decepções.

“O torcedor sempre estará aqui.”

Mas será que alguém dentro do clube realmente entende o tamanho dessa frase?

Porque ela não representa apenas fidelidade.

Ela representa sacrifício.

Essa fidelidade reflete o sacrifício do pai que economiza para levar o filho ao estádio. Ela vive em quem atravessa centenas de quilômetros para assistir a um jogo e naqueles que trabalham a semana inteira esperando pelo domingo.

Esse amor merece respeito.

Merece organização.

Merece planejamento.

Principalmente, merece um Internacional que volte a honrar a própria história.

Enquanto existir um colorado, existirá esperança

Talvez o futebol nunca consiga explicar por que continuamos acreditando.

Depois de tantas derrotas, seria muito mais fácil desistir.

Seria muito mais simples guardar a camisa no armário e esperar dias melhores.

Entretanto, quem ama o Internacional sabe que isso nunca vai acontecer.

Porque o clube faz parte da nossa história.

Ele está nas fotografias antigas.

Nas lembranças de infância.

Nas conversas com quem já partiu, mas deixou como herança a paixão pelo Colorado.

É por isso que ninguém consegue arrancar esse sentimento do peito de um torcedor.

É possível que tirem títulos ou vitórias. Podem até tentar arrancar a nossa esperança, mas o sentimento colorado é inabalável.

Mas nunca conseguirão apagar o amor pelo Internacional.

E talvez seja justamente aí que mora a maior força desse clube.

Não está apenas nas taças.

Não está apenas no Beira-Rio.

Ela vive em cada torcedor que continua acreditando, mesmo quando tudo parece perdido.

Desejo sentir novamente orgulho do meu Internacional. Quero ver crianças indo ao estádio com aquele brilho nos olhos que um dia também tive, enxergando em campo um time que represente a grandeza dessa camisa.

E acredito que isso vai acontecer.

Não porque alguém prometeu.

Não porque a tabela diz.

Mas porque a história do Internacional sempre foi construída por quem se recusou a desistir.

Se hoje você terminou mais um jogo com os olhos marejados, saiba que não está sozinho.

Milhões de colorados sentiram exatamente a mesma dor.

Entretanto, amanhã, quando o sol nascer, a camisa continuará pendurada no mesmo lugar.

Ao olhar para o manto, você lembrará de cada momento vivido ao lado do Inter. É nessa hora que fica claro: existem amores que nem a pior derrota consegue vencer.

Porque, no fim das contas, nós não escolhemos ser colorados.

Foi o Internacional que escolheu morar para sempre dentro do nosso coração.

Foto: Divulgação / Internacional