A primeira formação titular do Inter sob Eduardo Baptista já mostra uma mudança clara de desenho. O treinador colocou três zagueiros, dois alas e um centroavante de referência no treino contra o Sub-20, no CT Parque Gigante. Segundo o Zona Mista e o Bolavip, o time jogou em 3-4-2-1. Assim, o Colorado chega à estreia com ideia nova e pouco tempo para lapidar.
Formação titular do Inter: o desenho que Baptista ensaiou
Primeiro, vale registrar o time que abriu o treino. Matheus Cunha ficou no gol, e a zaga teve Bruno Gomes, Mercado e Juninho.
Braian Aguirre, Villagra, Thiago Maia e Bernabei formaram a linha de quatro no meio. Mais à frente, Vitinho e Alan Patrick jogaram atrás de Alerrandro.
Além disso, o desenho conversa com o que Baptista disse na coletiva de apresentação. Com linha de três, segundo ele, os pontas passam a ser os alas, e a bola precisa chegar mais vezes na área. Nas palavras do treinador, “temos que ter um 9 ali”. Ou seja, o centroavante virou peça central do plano.
Quem ganhou espaço e quem perdeu lugar no time titular
Juninho é a novidade que mais pesa na defesa. Ele jogou pelo lado esquerdo do trio, enquanto Bruno Gomes atuou pela direita e Mercado ficou no centro. Consequentemente, Maripán ficou fora da formação que o técnico montou no treino.
No meio-campo, Thiago Maia fez dupla com Villagra. Por isso, Bruno Henrique e Paulinho começaram entre os reservas. Além disso, a antiga parceria de Bernabei com Matheus Bahia desapareceu nesse ensaio.
No ataque, Alerrandro apareceu como camisa 9, e Carbonero ficou no grupo dos reservas. Portanto, Baptista apostou em dois criadores próximos do centroavante, e não em três jogadores de frente. Ainda assim, nada disso vale como definitivo, porque a formação titular do Inter ainda pode mudar até a estreia.
Por que o 3-4-2-1 surge com o Inter na zona de rebaixamento
O Inter ocupa a 18ª posição, com 28 pontos em 28 jogos. Ou seja, o clube está dentro do Z4, três pontos atrás do Vasco e quatro atrás do Corinthians. Além disso, restam apenas dez rodadas para mudar esse quadro.
A estreia de Baptista acontece no dia 7, contra o Corinthians, às 19h30, no Beira-Rio. Em seguida, o time encara o Gre-Nal na Arena, no dia 11, e visita o Mirassol no dia 16. Portanto, o treinador tem cerca de uma semana para fixar a ideia antes de três jogos que pesam muito na tabela.
Aliás, pela tabela de hoje, o Gre-Nal coloca frente a frente dois times do Z4. O Grêmio tem 29 pontos, e o Inter tem 28. Além disso, segundo o Zona Mista, o duelo com o Corinthians abre a promoção de ingressos para a reta decisiva. Então, a torcida vai pressionar desde o primeiro jogo.
O número que explica a insistência no camisa 9
A tabela ajuda a entender a prioridade do treinador. O Inter marcou 30 gols em 28 jogos, o que dá pouco mais de um por partida. Com isso, o time aparece entre os cinco que menos marcaram no campeonato, ao lado de Grêmio, Corinthians, Chapecoense e Vitória.
Já na defesa, o retrato muda. O Inter levou 36 gols, o mesmo total do Fluminense, e dez clubes levaram mais que isso. Assim, a zaga não representa o maior buraco do time.
Portanto, o problema central está no ataque, e não na defesa. Por isso, faz sentido Baptista falar tanto em centroavante, em ala chegando na área e em meias próximos do 9. Porém, essa conversa só se confirma se os gols aumentarem já nas próximas rodadas.
Três pontos para acompanhar na estreia contra o Corinthians
Primeiro, o torcedor deve olhar o novo trio de zaga. Juninho, Mercado e Bruno Gomes precisam mostrar entrosamento nas bolas longas e nas costas dos alas. Afinal, o time abre espaço quando Aguirre e Bernabei sobem ao mesmo tempo.
Segundo, vale observar a distância entre Villagra, Thiago Maia e os dois meias. Se essa ligação falhar, então Alan Patrick e Vitinho vão receber a bola longe da área. Por fim, o terceiro ponto é simples: quantas chances chegam para Alerrandro dentro da área.
Análise Colorado Puro Sangue
Zagueiro a mais não faz gol, e gol é justamente o que falta ao Inter. Por isso, a formação titular do Inter me deixou com uma dúvida incômoda. Três zagueiros e dois volantes de perfil defensivo montam um time que nasce para não tomar gol. Só que a zaga colorada já toma gol em nível de meio de tabela.
Então, quem leva a bola até Alan Patrick? Thiago Maia ao lado de Villagra dá proteção, mas não parece o perfil de quem arma o jogo. Aliás, se Aguirre e Bernabei não apoiarem o tempo inteiro, o Inter vira um time que marca bem e não chega ao gol.
Eu testaria Bruno Henrique ou Paulinho no lugar de Thiago Maia, pelo menos no segundo tempo contra o Corinthians, para ganhar saída de bola. Além disso, no dia 7 eu vou contar quantas vezes os alas aparecem na área adversária. Se aparecerem, o desenho funciona; se ficarem parados na linha, é zagueiro demais e ataque de menos.
Foto: Ricardo Duarte/Inter





