Conselho barra pedido e mantém eleição presidencial do Inter em 12 de dezembro

Estádio Beira-Rio, casa do Inter, em Porto Alegre

Dezembro continua sendo o mês da decisão no Beira-Rio. Nesta segunda-feira (28), o Conselho Deliberativo decidiu não antecipar a eleição do Inter, e o segundo turno continua no dia 12. Assim, a disputa política vai correr junto com a reta final do Brasileirão. Segundo o Zona Mista, Roberto Melo e Leonardo Aquino deixaram claro antes da reunião que pensam de forma oposta sobre o tema.

Como fica o calendário depois da decisão do Conselho

O Conselho manteve o cronograma que já estava valendo. Portanto, o primeiro turno acontece em 9 de novembro e reúne só os conselheiros. Se ninguém chegar a 85% dos votos, os dois mais votados disputam o segundo turno com os sócios, no dia 12 de dezembro. Essa data cai dez dias depois do fim do Brasileirão.

A votação também escolhe o sucessor de Alessandro Barcellos e define o Conselho de Gestão, que reúne o presidente e quatro vices. Além disso, ela renova 150 cadeiras do Conselho Deliberativo. O mandato novo vai de 2027 a 2029.

Até agora, três nomes aparecem como pré-candidatos. Melo representa o Movimento Inter Grande, Aquino lidera o Sangue Colorado, e José Amarante vem pelo Sou Inter. Amarante, aliás, indica que defende o que o estatuto do clube determina.

Antes do primeiro turno, ainda falta a inscrição formal das chapas e a campanha entre os conselheiros. Assim, a movimentação de bastidor deve esquentar nas próximas semanas, mesmo sem mudança de data. Além disso, como a primeira etapa depende só do voto dos conselheiros, cada apoio conta muito.

Por que antecipar a eleição do Inter virou briga política

O clube entra nessa discussão dentro da zona de rebaixamento. O Inter ocupa a 18ª posição, com 28 pontos em 28 jogos, e volta a campo só em 7 de outubro, contra o Corinthians. Depois disso, enfrenta o Grêmio no dia 11 e o Mirassol no dia 16. Por isso, qualquer conversa sobre data de eleição esbarra direto na luta contra a queda.

Melo puxou a fila para antecipar a eleição do Inter. O grupo dele protocolou um pedido para votar em outubro, e o jornalista Fabiano Baldasso apoiou a ideia em vídeo. Aquino e Amarante, porém, defendiam manter as datas.

Além disso, existe cálculo eleitoral dos dois lados. Segundo a leitura do JB Filho Repórter, o sócio conhece bem mais o Melo, então uma votação rápida ajuda o grupo dele. Já Aquino e Amarante ainda precisam juntar votos no Conselho antes de chegar ao associado, e por isso ganham com mais tempo.

O que cada candidato defende, em números e datas

Melo listou uma pilha de decisões para o fim do ano. Ele citou vários transfer bans, a busca por um patrocinador máster, a reorganização do futebol e da base e a reinvenção do futebol feminino. Além disso, quer decidir com os conselheiros como enfrentar a dívida. Por isso, ele pergunta por que esperar até 12 de dezembro e questionou o que impediria votar no dia 5.

Aquino usa outro raciocínio. Para ele, o foco precisa ficar em escapar da situação no Brasileirão, e uma campanha no meio dos jogos esquentaria o ambiente. Ele também aponta o estatuto: um clube que busca investidores não pode passar a imagem de que descumpre as próprias regras. Melo, mesmo assim, reconheceu que a regra estatutária vale.

Uma conta simples com as datas mostra o tamanho do problema. A partir de 29 de setembro, passam 74 dias até o segundo turno. Já entre o dia 12 de dezembro e a estreia do Gauchão, em 8 de janeiro, segundo Baldasso, sobram só 27 dias. Portanto, o novo presidente terá pouco tempo para montar a equipe antes de a bola rolar em 2027.

Análise Colorado Puro Sangue

A data me preocupa menos do que o buraco que ela deixa. Entre o fim do Brasileirão, em 2 de dezembro, e a estreia do Gauchão, o Inter vai precisar tratar de transfer ban, contratação e patrocínio máster. Mas quem manda no clube nesse intervalo? A gestão que sai, o presidente eleito ou ninguém?

Ninguém respondeu isso direito até agora. Eu proporia algo bem simples: os três candidatos assinarem, ainda em novembro, um protocolo público de transição com Barcellos. O documento listaria o que o clube não pode fechar sem consultar o futuro presidente. Eles já sentaram juntos com Barcellos uma vez, então o canal existe.

Isso vale mais do que brigar para antecipar a eleição do Inter por uma semana. Além disso, tira do torcedor a sensação de que o clube fica sem comando no pior momento do calendário. E convenhamos: se o time cair, nenhuma data de eleição vai livrar ninguém da conta.

Foto: Divulgação/Inter