O esquema de Eduardo Baptista no Inter deve ter uma marca registrada: a linha de três zagueiros. Segundo o ge, o treinador não costuma abrir mão dessa formação em nenhum clube por onde passou. Sem a bola, a ideia é recuar os alas e formar uma linha de cinco defensores.
O que já se sabe sobre o esquema de Eduardo Baptista no Inter
Baptista prioriza proteger a área e vencer duelos de bola aérea. Além disso, trata a bola parada como uma das principais armas do time. Segundo Manuela Silva, jornalista que cobria o Criciúma, essa característica se repete desde a última passagem do treinador até trabalhos anteriores.
O técnico chegou ao Inter com vínculo apenas até o fim da temporada. Antes disso, estava no Criciúma desde maio do ano passado. Ou seja, o esquema de três zagueiros não é uma ideia nova para testar, mas sim um projeto que ele já aplica há anos.
Por que o esquema de Eduardo Baptista importa para o Inter agora
A formação depende da qualidade defensiva disponível no elenco. Mercado e Maripán aparecem como opções mais consolidadas na zaga. Enquanto isso, Juninho e Félix Torres disputam a terceira vaga, já que Victor Gabriel ainda cumpre suspensão.
Bruno Gomes também entra nessa conta. Ele atuou como lateral-direito com Pezzolano, mas pode ser aproveitado por Baptista como uma espécie de zagueiro híbrido. Assim, o treinador ganha a opção de alternar entre linha de três e linha de quatro conforme o jogo pede.
Além da defesa, o meio-campo também deve se adaptar ao novo sistema. Villagra e Bruno Henrique surgem como peças de sustentação, enquanto Alan Patrick tende a jogar mais avançado, próximo do centroavante. Ou seja, a mudança tática não afeta só a zaga, mas o time inteiro.
O detalhe que mostra como Baptista resolve sem opções ideais
Aqui entra um dado que ajuda a entender a flexibilidade do treinador. No Criciúma, quando faltava um zagueiro de origem, Baptista improvisava um volante na função. Marcelo Hermes, lateral-esquerdo de origem, chegou a atuar bastante como zagueiro sob o comando dele.
Esse tipo de solução também aparece em outras posições do campo. Filipe Matheus, meia de construção, passou a jogar mais avançado, como atacante pelo lado esquerdo, depois de voltar de lesão. Otero, outro meio-campista, virou opção de ataque pelo lado direito na mesma equipe. Ou seja, improviso de posição não é exceção no trabalho de Baptista, é rotina de temporada inteira.
Essa versatilidade tende a ser útil no Inter, já que o elenco tem limitações para montar o time ideal em pouco tempo. Então, a expectativa é que Baptista use soluções parecidas caso a zaga original não esteja disponível em algum jogo da reta final. Vale lembrar, porém, que o esquema de Eduardo Baptista no Inter só funciona bem com treino prévio dessas variações. A pausa da Data Fifa ajudou nisso, já que deu tempo de ensaiar antes da volta do Brasileirão.
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Time com três zagueiros costuma dar segurança, mas também exige físico duplo dos alas, que sobem e descem o campo o jogo inteiro. Essa cobrança física preocupa justamente numa reta final de dez rodadas, com pouco tempo de recuperação entre os jogos. Não dá para saber ainda se o elenco aguenta esse ritmo sem desgaste.
Gosto da ideia de aproveitar Bruno Gomes como peça híbrida, porque o jogador já mostrou versatilidade na temporada. Por outro lado, times reativos como os que Baptista comandou no Novorizontino costumam sofrer contra adversário que joga o jogo mais aberto. Essa característica é bem diferente do que o Inter costuma enfrentar no returno do Brasileirão, quando muitos rivais também jogam na defensiva.
Entendo também a lógica de improvisar um volante na zaga quando falta opção pronta. Só que essa saída de emergência tem limite: funciona bem contra times fracos, mas pode custar caro contra ataques mais qualificados. Portanto, o esquema até parece coerente no papel, mas só o campo vai dizer se essa engenharia tática segura o Inter fora do Z4.
O primeiro teste chega logo contra o Corinthians, ainda sem muito tempo de treino junto. Se a linha de três já aparecer organizada nessa estreia, o discurso de Baptista sobre resultado rápido ganha um pouco mais de credibilidade.
Foto: Tomás Hammes





