Eduardo Baptista assume o Inter depois de dias de especulação e negativas públicas. A informação foi divulgada nesta quarta-feira pelo jornalista Eduardo Gabardo, da GZH, e confirma que o treinador vai comandar o Colorado nas rodadas finais da Série A. O contrato será válido até dezembro de 2026.
O que já está definido
Segundo a GZH, a diretoria colorada quer contar com Eduardo Baptista o quanto antes no CT do Parque Gigante. Assim, o clube pretende aproveitar o período da Data Fifa para o treinador implementar sua metodologia antes da estreia. A previsão é que ele comande a equipe pela primeira vez no dia 7 de outubro, contra o Corinthians, no Beira-Rio.
Portanto, o vínculo nasce curto e objetivo: dez rodadas para tirar o Inter da zona de rebaixamento. Não há, até o momento, indicação de renovação automática além do fim da temporada. Ainda assim, o fato de Eduardo Baptista assumir o Inter já num contrato emergencial mostra o tamanho da pressa da diretoria colorada.
Uma negociação que mudou de rumo em poucos dias
O nome de Eduardo Baptista só ganhou força depois de uma sequência de recusas no mercado. Luis Zubeldía e Mauricio Barbieri disseram não à proposta colorada, enquanto Jair Ventura, Diego Aguirre e Rafael Lacerda também foram consultados sem avanço. O diretor técnico Abel Braga chegou a ser cotado para assumir interinamente, mas descartou a possibilidade por questões de saúde.
Vale lembrar ainda que o próprio Baptista, na noite de terça-feira, havia negado qualquer contato oficial em entrevista coletiva pelo Criciúma. Na ocasião, o executivo do clube catarinense já indicava que existia multa contratual prevista para uma saída, caso o Inter avançasse e pagasse o valor combinado. Ou seja, o desfecho desta quarta-feira confirma que as tratativas avançaram rápido nas últimas horas, mesmo com o discurso público de cautela adotado pelo treinador.
Assim, quem esperava um anúncio arrastado se surpreendeu com a velocidade do desfecho. Eduardo Baptista assume o Inter num intervalo de menos de 24 horas entre a negativa pública e a confirmação da imprensa, o que reforça como o mercado de treinadores costuma mudar de figura rapidamente quando há multa prevista e urgência de calendário envolvidas.
Histórico recente pesou na escolha
De acordo com a GZH, um dos fatores que pesaram a favor de Eduardo Baptista foi sua capacidade de organizar equipes em pouco tempo. No Novorizontino, o treinador chegou a somar 73% de aproveitamento nos dez primeiros jogos à frente do time. Além disso, quando assumiu o Criciúma, em 2025, tirou a equipe da 15ª posição e conduziu uma reação na sequência da competição.
Aos 54 anos, o treinador soma passagens por Fluminense, Palmeiras, Athletico-PR, Coritiba e Juventude, entre outros clubes. Dessa forma, o currículo mistura passagens por times grandes com trabalhos recentes focados justamente em reagir sob pressão, o que explica o interesse colorado nesse perfil.
Vale destacar também que essa não é a primeira vez que o nome de Eduardo Baptista aparece ligado ao futebol gaúcho recentemente. Isso porque, antes de o Inter avançar, o próprio Sport já havia tentado repatriar o treinador em duas ocasiões distintas nos últimos meses, sem sucesso. Portanto, o interesse colorado surge justamente quando o profissional mostrava disposição para negociar sua saída do Criciúma.
Inter só pensa no Corinthians agora
O Colorado ocupa a 18ª posição do Brasileirão, com 28 pontos em 28 jogos, e amarga mais de 60% de chance de rebaixamento segundo cálculos recentes. Restam dez partidas para o fim da competição, cinco delas fora de casa. Por isso, o tempo de adaptação de Eduardo Baptista será curtíssimo antes do primeiro compromisso oficial.
Análise Colorado Puro Sangue
Quem acompanhou a novela dos últimos dias precisa admitir uma coisa: a negativa de Eduardo Baptista na terça-feira envelheceu rápido. Faz sentido, dentro do jogo de bastidores, que o treinador evitasse confirmar algo antes da hora, ainda comandando o Criciúma numa briga direta pelo acesso. Ainda assim, fica a lição de que declaração de treinador em coletiva vale pouco quando existe multa combinada e proposta na mesa.
Gosto do currículo que o Inter foi buscar, principalmente pelo histórico de reação rápida em times pressionados. Um aproveitamento de 73% em dez jogos no Novorizontino não é resultado de sorte, e a torcida colorada precisa exatamente disso: um técnico que organize o time rápido, sem inventar sistema novo em poucos dias de treino. Por outro lado, contrato até dezembro deixa claro que ninguém está pensando em projeto, e sim em sobrevivência imediata.
No fim, o julgamento sobre a forma como Eduardo Baptista assume o Inter só vai sair depois do apito inicial contra o Corinthians. Currículo bonito no papel não rebaixa nem salva ninguém sozinho. Quem decide isso, como sempre, é o que acontecer dentro de campo nessas dez rodadas decisivas.
Foto: Celso da Luz/ Criciúma





