Candidatura de Roberto Melo promete “Inter diferente”

Roberto Melo apresenta projeto de candidatura para o Inter

A crise dentro e fora de campo do Internacional ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (17). O clube viu a confirmação da candidatura de Roberto Melo à presidência. O conselheiro apresentou sua proposta em evento oficial. Ele prometeu um projeto de gestão diferente do que o Colorado viveu nos últimos anos. Segundo ele, a ideia central passa por transparência, responsabilidade e reorganização financeira.

Melo defende recuperação judicial e investimento na base

Na apresentação, Melo reconheceu abertamente a crise financeira do Inter. Ele disse defender a entrada do clube em recuperação judicial. Para o conselheiro, esse caminho ajudaria a reorganizar as dívidas acumuladas. Além disso, destravaria investimentos no futebol, incluindo nas categorias de base. Segundo ele, essas categorias estão esquecidas há anos.

Contexto: Inter tenta equilibrar campo e finanças

A candidatura de Roberto Melo surge num momento delicado para o Inter. O clube tenta equilibrar duas urgências ao mesmo tempo: sair da zona de rebaixamento no Brasileirão e organizar as contas fora de campo. Enquanto o técnico Paulo Pezzolano lida com o time dentro das quatro linhas, a diretoria enfrenta uma dívida grande. Essa dívida já motivou até doação externa para colocar salários em dia.

Nesse contexto, Melo também citou o apoio de Delcir Sonda. O empresário intermediou uma doação de R$ 20 milhões usada para quitar valores em aberto com jogadores e funcionários. Ou seja, mesmo antes da eleição, o nome do conselheiro já aparece ligado a uma das poucas ações concretas contra o rombo financeiro do clube neste ano.

Como funciona o calendário eleitoral do Inter

O calendário eleitoral, porém, ainda impõe alguns obstáculos para quem quiser assumir o comando colorado. As chapas têm até 5 de outubro para confirmar seus candidatos. O primeiro turno acontece em 9 de novembro, restrito ao Conselho Deliberativo. Ou seja, ainda faltam quase dois meses até qualquer definição prática sobre o projeto de Melo.

Além disso, a regra do primeiro turno é bem exigente. Só existe eleição direta se um nome atingir 85% dos votos do conselho, um patamar dificílimo em qualquer disputa política. Portanto, o cenário mais provável é que a decisão avance para uma segunda etapa, dessa vez com participação direta dos associados. Assim, o novo presidente só sai mesmo em 12 de dezembro.

O descompasso entre a proposta e a urgência do Inter

Essa distância entre o discurso de campanha e a posse é o detalhe que mais chama atenção nessa história. Melo promete reorganizar a dívida e reforçar o futebol a partir de 2027. Enquanto isso, o Inter ainda tem 11 rodadas pela frente no Brasileirão deste ano, brigando diretamente contra o rebaixamento. Ou seja, qualquer plano de recuperação judicial ou investimento maciço em reforços só teria efeito prático depois que a atual crise esportiva já tiver sido resolvida, para o bem ou para o mal.

Além disso, vale lembrar que recuperação judicial não é um processo instantâneo. Normalmente, esse tipo de pedido passa meses em análise na Justiça antes de qualquer efeito prático sobre o caixa do clube. Então, mesmo que Melo vença a eleição em dezembro, o Inter dificilmente veria mudança financeira relevante logo no início de 2027. Assim, a proposta de campanha soa mais como um horizonte de longo prazo do que como solução imediata para o momento delicado do clube.

Vale destacar também que a candidatura de Roberto Melo não nasce isolada dentro do conselho. Ele já vinha aparecendo em outras pautas ligadas às finanças do clube antes mesmo de confirmar o nome à disputa. Essa movimentação prévia ajuda a explicar por que ele chegou ao lançamento da campanha já falando de temas específicos, e não apenas de promessas genéricas de campanha.

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Sempre desconfio um pouco de discurso de campanha que promete resolver tudo de uma vez, e aqui não é diferente. Reorganizar dívida, investir na base e ainda melhorar o futebol profissional formam o pacote perfeito para qualquer candidato falar em cima do palco. Só que a execução de tudo isso junto historicamente é bem mais difícil do que o anúncio.

Reconheço que defender recuperação judicial em público tem mérito. Nem todo candidato teria coragem de admitir isso antes mesmo de assumir o cargo. Ainda assim, fico pensando que essa decisão vai custar caro em imagem e em tempo, justamente num momento em que o Inter não tem sobra de nenhum dos dois.

No fim das contas, o que decide se Roberto Melo é a solução real ou só mais um nome bem falante é o que vier depois de dezembro. Até lá, resta ao torcedor acompanhar cada detalhe do plano com um pé atrás. Vale acompanhar sem descartar a proposta, mas também sem comprar o discurso só porque soa bonito num vídeo de campanha.

Foto: Max Peixoto/Roberto Melo