Inter pode acionar cláusula que obriga compra de parte de Villagra

Villagra em campo pelo Internacional

O Inter está a um jogo de acionar uma cláusula decisiva no contrato de Rodrigo Villagra junto ao CSKA Moscou. O volante argentino soma 30 partidas pelo Colorado. Assim, ele precisa chegar a 31 para disparar o gatilho que obriga o clube a comprar parte dos direitos econômicos do jogador. A GZH levantou essa informação nesta terça-feira (15). Portanto, o Inter fica muito perto de transformar um empréstimo em compra obrigatória.

Fato: cláusula do contrato de Villagra está a um jogo de ser acionada

A cláusula do contrato de Villagra prevê participação em 60% dos jogos possíveis desde a chegada dele ao clube. O Inter contratou o volante depois do início do Gauchão, por isso ele não estava disponível nas quatro primeiras partidas do estadual. A partir daí, o levantamento contabiliza 52 compromissos possíveis na temporada, somando Gauchão, Recopa Gaúcha, Copa do Brasil e Brasileirão. Assim, 60% desse total resulta na marca de 31 jogos necessários para acionar o gatilho.

Villagra não vai atingir a marca diante do São Paulo, no sábado (19). Isso porque o volante recebeu o terceiro cartão amarelo na vitória sobre a Chapecoense e cumpre suspensão automática. Depois desse jogo, o calendário para pela Data Fifa. Dessa forma, a próxima chance de Villagra completar a 31ª participação só deve acontecer contra o Corinthians, em 7 de outubro, no Beira-Rio.

Contexto: o vínculo de Villagra com o CSKA Moscou

O CSKA Moscou mantém os direitos de Villagra e cedeu o volante por empréstimo ao Inter até o fim de 2026, com mecanismos contratuais que preveem sua permanência definitiva. Aliás, no fim de agosto, esse mesmo contrato já havia pesado em uma tentativa de clube saudita de contratar o volante. Além disso, Villagra consolidou espaço no meio-campo do Inter ao longo da temporada e disputou 20 partidas somente no Brasileirão atual.

Números: a cláusula de Villagra pesa no caixa apertado do Inter

Só que o momento financeiro do Inter dá um peso extra a essa conta. Depois da doação de R$ 20 milhões do conselheiro Delcir Sonda, o clube ainda precisa de cerca de R$ 50 milhões até dezembro. Esse valor cobriria salários e direitos de imagem em atraso. Antes da doação, porém, a diretoria havia apresentado a conselheiros e pré-candidatos uma estimativa de R$ 70 milhões. Ou seja, mesmo com o alívio recente, o caixa colorado segue sob forte pressão.

O cenário fica ainda mais delicado porque o Inter também enfrenta um transfer ban da Fifa. Uma dívida envolvendo o volante Juninho e o Midtjylland, da Dinamarca, motivou essa punição. Além disso, a restrição impede o registro de novos reforços e aumenta a urgência por soluções financeiras. Nesse contexto, uma cláusula que obriga a compra de parte de um atleta vira mais um compromisso que o clube precisa equacionar, independentemente do calendário esportivo.

Depois do jogo contra o Corinthians, o Inter ainda enfrenta o Grêmio fora de casa, em 11 de outubro, pela sequência do Brasileirão. Ou seja, mesmo que o Inter não acione o gatilho de Villagra logo na volta da Data Fifa, o cenário não muda muito. Afinal, o volante deve seguir sendo titular também nesse confronto direto contra o rival gaúcho. Assim, a tendência é que Villagra atinja a marca de 31 participações em algum momento próximo, porque o jogador segue essencial para Paulo Pezzolano.

Análise Colorado Puro Sangue

Tem uma ironia dolorosa nesse contrato do Villagra. Quanto melhor ele joga, mais rápido chega a cláusula que vai custar dinheiro que o Inter nem sabe onde vai buscar. Afinal, o clube está numa corrida contra o relógio, com cerca de R$ 50 milhões ainda em aberto para fechar o ano, mesmo depois da doação do Sonda. E agora se aproxima de um gatilho contratual que soma mais uma conta obrigatória à lista.

Do ponto de vista esportivo, porém, dá para entender por que Villagra virou peça fixa. Ele consolidou espaço no meio-campo numa temporada em que o Inter mal consegue montar o mesmo time de um jogo para outro. Contudo, o problema é que bom desempenho dentro de campo, nesse caso específico, tem custo direto fora dele, e isso raramente acontece com tanta clareza contratual quanto agora.

Fico pensando também no dilema que isso cria lá na frente. Afinal, adiar o acionamento da cláusula não resolve o problema financeiro, apenas empurra a decisão para outro momento do calendário. Mais cedo ou mais tarde, então, o Inter vai ter que decidir entre contar com um jogador que ajuda dentro de campo ou tentar segurar uma despesa extra. Isso deve acontecer justamente na reta mais dura da temporada, com o time ainda dentro da zona de rebaixamento.

Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional