Delcir Sonda pode ganhar espaço na próxima gestão do Inter, caso o grupo de Roberto Melo vença a eleição do fim deste ano. A informação foi divulgada pelo Bolavip nesta segunda-feira (14). O assunto é tratado internamente pelo Movimento Inter Grande, sigla que reúne a oposição colorada. Portanto, o nome de Sonda entra oficialmente na disputa pelo comando do clube em 2027.
Fato: Sonda pode assumir cargo na próxima gestão do Inter
O cenário mais adiantado é a renovação de Sonda como conselheiro. Ele ocupa o cargo há seis anos e o mandato está terminando agora. Existe, porém, uma segunda hipótese em discussão: o empresário assumir a vice-presidência eleita. Nesse caso, ele passaria a integrar também o Conselho de Gestão do Internacional. Essa decisão, no entanto, ainda depende de conversas internas e da disponibilidade pessoal de Sonda para uma função executiva.
Sonda e Roberto Melo já dividiram a mesma chapa na eleição de 2023. Na ocasião, os dois perderam para Alessandro Barcellos. Assim, uma eventual aliança em 2027 repetiria uma parceria política que já existiu dentro do clube. Além disso, dentro do grupo de oposição, Sonda é visto como alguém que carrega influência mesmo sem precisar de cargo formal.
Contexto: a relação de Sonda com o Inter
A relação de Delcir Sonda com o Inter é antiga e passa por diversas operações financeiras ao longo dos anos. O empresário participou, por exemplo, de negociações que trouxeram nomes como D’Alessandro e Kleber ao Beira-Rio. Dessa forma, o histórico dele com o clube vai muito além da doação recente de R$ 20 milhões. Esse valor foi usado para quitar salários atrasados de jogadores e funcionários.
A doação foi formalizada na última sexta-feira (11), por intermediação de Roberto Melo. Ela ajudou o Inter a reduzir uma pendência salarial que já passava de R$ 14 milhões. Como forma de agradecimento, o clube deve enviar a Sonda uma camisa autografada por todo o elenco. Ainda assim, o gesto ocorre em um momento de forte pressão financeira no Beira-Rio, com o time também brigando contra o rebaixamento no Brasileirão.
O momento também importa para entender o peso político da doação. O Inter briga contra o rebaixamento no Brasileirão e enfrenta pressão de torcida por resultado dentro de campo. Ao mesmo tempo, a diretoria de Alessandro Barcellos lida com contas apertadas justamente às vésperas de um processo eleitoral. Nesse cenário, qualquer gesto financeiro de peso tende a ganhar leitura política, ainda mais quando vem de alguém já ligado à oposição.
Números: o outro lado de Sonda na próxima gestão do Inter
Só que existe um detalhe que poucos torcedores conectaram até agora sobre a chegada de Sonda à próxima gestão do Inter. A DIS Esporte, fundo de investimentos do qual Sonda é sócio, entrou recentemente com ações judiciais contra o próprio Internacional. O valor cobrado gira em torno de R$ 60 milhões. Parte dessas ações já resultou no bloqueio de R$ 11,5 milhões das contas do clube. Ou seja, o mesmo empresário que doou R$ 20 milhões também cobra, por meio de sua empresa, uma quantia três vezes maior do Colorado.
Clube e Roberto Melo trataram publicamente a doação e as disputas judiciais como assuntos separados. Contudo, essa dupla relação com Sonda ajuda a explicar por que o nome dele pesa tanto na política interna. Afinal, o empresário aparece hoje como credor via Justiça e também como doador via boa vontade pessoal. Essa combinação é pouco comum dentro de um mesmo clube.
Análise Colorado Puro Sangue
Dá para confiar de olhos fechados numa doação de R$ 20 milhões quando a empresa do doador cobra R$ 60 milhões do mesmo clube na Justiça? Eu, particularmente, fico com o pé atrás. O gesto pessoal de Sonda tem valor real, porque ajudou a colocar em dia salário atrasado de jogador e funcionário. Só que colocar esse mesmo nome dentro do Conselho de Gestão, com poder de decisão sobre o caixa do clube, é uma conversa bem diferente.
O histórico político também pesa nessa conta. Sonda e Roberto Melo já perderam juntos em 2023, e agora tentam repetir a parceria num momento em que o Inter briga contra o rebaixamento e tenta se equilibrar financeiramente. Isso deixa claro que a disputa por 2027 já começou nos bastidores, bem antes da urna abrir.
No fim, quem vai decidir isso não sou eu, nem o Bolavip: é o conselho e depois o sócio, na hora do voto. Mas fica registrado que dinheiro doado e dinheiro cobrado, vindo da mesma fonte, deveriam pesar igual na avaliação de quem vai sentar no Conselho de Gestão — não só o lado bonito da história.
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