Sanabria perde espaço no Inter às vésperas do duelo direto contra a Chapecoense, neste sábado, às 17h, na Arena Condá. O paraguaio está entre os três jogadores barrados da equipe titular pela má fase recente, ao lado do goleiro Matheus Cunha e do zagueiro Félix Torres. A decisão reforça o momento de pressão vivido pelo elenco colorado antes de mais uma decisão na luta contra o rebaixamento.
Escalação cautelosa para enfrentar o lanterna
A escalação cautelosa também deve trazer mudanças estruturais. A tendência é o Inter jogar com três zagueiros, mesmo diante do lanterna da competição. Além disso, os laterais Matheus Bahia e Braian Aguirre seguem suspensos e também não podem atuar em Chapecó.
Por que Sanabria perde espaço no Inter
Sanabria perde espaço no Inter num momento em que a comissão técnica ainda tenta encontrar o ritmo ideal para o paraguaio. Ele chegou ao clube após vínculo encerrado com o Torino, na Itália, mas iniciou a pré-temporada depois dos demais companheiros. Por isso, o departamento médico segue monitorando sua evolução física antes de liberar minutos mais longos em campo.
Um dado ajuda a explicar a cautela em torno do atacante. Sanabria não completa uma partida inteira desde 13 de abril de 2025, quando ainda defendia o Torino. Consequentemente, o clube optou por uma reintrodução gradual, em vez de exigir 90 minutos logo de início.
A ideia inicial era semelhante ao processo aplicado a Niclas Eliasson, outro reforço do ataque. O sueco-brasileiro recebeu seus primeiros minutos aos poucos, diante do Atlético-MG, e ganhou espaço conforme evoluiu fisicamente. Assim, o clube pretendia seguir caminho parecido com Sanabria, usando-o como opção no segundo tempo.
Contudo, a sequência recente de resultados ruins mudou a equação. O Inter perdeu para o Santos, em casa, e viu a pressão aumentar sobre Pezzolano diante do duelo direto contra o Verdão do Oeste. Diante desse cenário, a comissão técnica decidiu barrar de vez os três nomes em baixa, incluindo o paraguaio, em vez de aguardar uma evolução mais lenta.
Um ataque que cria muito, mas converte pouco
O momento também expõe a dificuldade do Inter em montar um ataque afiado nesta temporada. O time colorado está entre os que mais criam chances no Brasileirão, mas também converte pouco. Foram apenas 24 gols em 23 partidas antes da rodada mais recente, produção superior somente à de Vasco, Chapecoense e Vitória.
Esse contraste explica por que a diretoria apostou em reforços como Sanabria e Eliasson justamente para o setor ofensivo. Portanto, ver o paraguaio fora da equipe titular logo num confronto direto soa como um retrocesso na estratégia inicial montada pelo clube.
A tabela do Brasileirão aumenta ainda mais o peso da partida deste sábado. O Inter ocupa a 18ª colocação, com 25 pontos, dentro da zona de rebaixamento. Já a Chapecoense é a lanterna da competição, com 17 pontos somados até aqui.
Vale lembrar que a crise no Beira-Rio já rendeu até um contato informal com o técnico Eduardo Coudet, ex-comandante do clube, para uma possível volta. O presidente Alessandro Barcellos chegou a conversar com o argentino antes mesmo de definir o futuro de Pezzolano. Ainda assim, o uruguaio segue no comando para o confronto em Chapecó.
Vale destacar ainda que o retrospecto entre as equipes favorece o Colorado. Foram 15 confrontos entre Inter e Chapecoense, com oito vitórias coloradas, cinco triunfos catarinenses e dois empates. No entanto, esse histórico positivo perde relevância diante do momento delicado das duas equipes na tabela.
Diante das ausências, Pezzolano recorreu à base para completar o time. Os jovens Allex e Luiz Felipe foram incorporados ao grupo principal durante a semana, reforçando as opções para a lateral esquerda e o ataque.
Análise Colorado Puro Sangue
O Inter gastou uma janela inteira de reforços e chega a um sábado decisivo sem poder contar com nenhum dos dois nomes trazidos para resolver o ataque. Isso não é detalhe, é sintoma. Afinal, contratar um atacante que não completa 90 minutos há mais de um ano já era um risco assumido desde a assinatura do contrato.
Claro que faz sentido dosar a carga de Sanabria aos poucos, sem forçar antes da hora. Nenhum torcedor quer ver o jogador se lesionando de novo por pressa. Porém, o planejamento não tinha margem para esperar tanto tempo. Afinal, o Inter entrou na zona de rebaixamento justamente na janela em que deveria estar reforçado, e agora paga o preço por contar com peças ainda incompletas.
Fica então uma pergunta para o duelo em Chapecó: sem Cunha, sem Torres e sem Sanabria, quem puxa o Inter para fora dessa fase? Por enquanto, a resposta é praticamente o mesmo time que vem perdendo. Portanto, se o resultado se repetir, vai ficar cada vez mais difícil defender que o problema era só uma questão de tempo.
Foto: Ricardo Duarte / Internacional





