A força-tarefa para salvar Pezzolano nasceu de um retrospecto que assusta qualquer torcedor colorado. Afinal, o Internacional não vence há dez partidas e é o único time da Série A sem um triunfo desde maio.
A equipe ocupa a 18ª colocação, com 25 pontos. Esse número, sozinho, já reforça a urgência do momento vivido no Beira-Rio.
Diante desse cenário, a diretoria optou por não demitir Paulo Pezzolano. Por outro lado, também não deu um cheque em branco ao treinador uruguaio.
Esse movimento nasceu justamente desse impasse interno. Em vez de uma demissão imediata, o clube preferiu montar uma estrutura de apoio direto ao comando técnico.
Abel Braga e Fabinho Soldado passaram a acompanhar de perto o dia a dia de treinamentos. Dessa forma, o clube tenta blindar Pezzolano num momento em que qualquer deslize custaria caro.
Os dois dirigentes têm dividido espaço com o comandante em quase todas as atividades. A meta, no fundo, é destravar o que ainda trava dentro de campo.
O prazo é curto e está definido: Pezzolano segue no cargo até o duelo com a Chapecoense. A partida acontece neste sábado (12), em Santa Catarina.
Uma vitória pode representar a virada de chave que o grupo persegue há semanas. Uma nova derrota, no entanto, deve encerrar de vez a paciência que resta na diretoria.
Abel Braga vira uma espécie de conselheiro nos bastidores
Abel Braga tem usado décadas de vivência de vestiário para reorganizar pontos sensíveis do dia a dia colorado. Assim, o dirigente age menos como executivo e mais como ponte entre o treinador e o entorno do clube.
Pezzolano ainda é bem visto por boa parte do elenco. Apesar disso, ele perdeu espaço com alguns jogadores e dirigentes ao longo da sequência ruim.
Hoje, o treinador não é mais unanimidade dentro do conselho. Consequentemente, qualquer resultado negativo passa a pesar de forma redobrada sobre o cargo.
Enquanto isso, Fabinho Soldado segue no radar da Justiça Esportiva. O dirigente foi denunciado no STJD por ofensas à arbitragem durante o Gre-Nal 453.
O episódio ainda pode render suspensão nas próximas rodadas. Mesmo assim, o jogador segue cotado para atuar diante dos catarinenses, ao lado de Abel Braga na missão de apoiar o treinador.
Chapecoense na lanterna vira teste decisivo para o Inter
A Chapecoense ocupa a última posição do Brasileirão. Por isso, o confronto ganha contornos decisivos para o futuro de Pezzolano.
Um tropeço diante do time catarinense jogaria por terra qualquer discurso de reação construído nas últimas semanas. Nesse contexto, o próprio grupo de jogadores sabe do tamanho da responsabilidade.
Não à toa, outros nomes já circulam como plano B, caso o resultado não venha. Segundo apuração de bastidores, o técnico Lisca teria despertado interesse de parte da diretoria.
Isso mostra que a paciência colorada tem prazo de validade. Ainda assim, ninguém dentro do clube fala abertamente em uma troca imediata de comando.
O próprio Fabinho Soldado esteve no centro da polêmica do Gre-Nal 453, episódio que ainda reverbera no dia a dia do grupo. Por isso, colocá-lo perto de Pezzolano também funciona como um gesto de coesão interna, mesmo em meio à turbulência recente.
Escalação deve mudar com volta da linha de três
Sem Braian Aguirre e Matheus Bahia, ambos suspensos, Pezzolano trabalha para montar uma nova peça tática. A aposta é o retorno da linha de três na zaga, esquema que o uruguaio já usou em outros momentos da temporada.
Bernabei, por sua vez, deve voltar à lateral esquerda. A função vinha sendo ocupada de forma diferente nos últimos jogos, o que reforça a ideia de reformulação.
A mudança de sistema pode ajudar a dar mais equilíbrio a um time que sofre para sustentar resultados. Além disso, a alteração sinaliza que o treinador está disposto a mexer no que for preciso para reagir.
Vale lembrar que o próprio Pezzolano já recorreu à linha de três em outros momentos de pressão nesta temporada. Portanto, a escolha não é exatamente uma novidade, mas sim uma volta a um terreno considerado mais seguro pelo comandante.
Análise Colorado Puro Sangue
Chamar Abel Braga e Fabinho Soldado para perto do treinador diz muito sobre o tamanho do problema. Nenhum clube grande monta esse tipo de arranjo quando está tudo tranquilo nos bastidores.
Dez jogos sem vencer é um número que, sozinho, já justificaria uma mudança de rota em qualquer equipe da Série A. Ainda assim, o Inter resolveu dar mais um voto de confiança, só que com data de validade clara.
Faz sentido esperar pela Chapecoense antes de qualquer decisão radical. Afinal, um adversário na lanterna é exatamente o tipo de jogo que separa um treinador salvo de um treinador demitido.
Por outro lado, o histórico recente do grupo pede cautela redobrada com qualquer onda de otimismo. Dez rodadas de jejum não desaparecem só porque o rival da vez está pior na tabela.
Se a linha de três realmente voltar e Bernabei encontrar a lateral esquerda de novo, o torcedor já vai enxergar uma resposta tática ao momento ruim. Resta saber se isso é suficiente para reverter tanta frustração em apenas noventa minutos.
De qualquer forma, o recado da diretoria ficou claro: Pezzolano ganhou reforços de peso nos bastidores, mas não ganhou tempo ilimitado. Sábado, em Santa Catarina, o Colorado descobre se a força-tarefa realmente vai funcionar.
Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional





