Medeiros critica indicação de Siegmann no Inter: “fórmula mágica”

Marcelo Medeiros critica indicação de Siegmann no Inter para vice de futebol

Marcelo Medeiros criticou publicamente a ideia de colocar Roberto Siegmann no Inter como novo vice de futebol. O ex-presidente colorado deu a entrevista ao jornalista Nando Gross nesta terça-feira. Ele comentou a reunião que o atual presidente Alessandro Barcellos promoveu com ex-dirigentes e pré-candidatos na última segunda-feira. Medeiros não recebeu convite para o encontro. Por isso, ele soube do nome de Siegmann apenas depois, por meio de terceiros.

Segundo Medeiros, Siegmann não acompanha o futebol no dia a dia. Além disso, o dirigente está afastado da rotina do clube há mais de dez anos. Por essas razões, o ex-presidente chamou a sugestão de “fórmula mágica”. Ele defende que o Inter deveria ouvir Abel Braga antes de qualquer decisão. Para Medeiros, Abel é quem tem mais experiência e credibilidade dentro do departamento de futebol.

Inter sem vice de futebol desde a saída de Bisol

O posto de vice de futebol está vazio desde o fim do ano passado. José Olavo Bisol deixou o cargo naquele momento e, desde então, ninguém assumiu a função de forma efetiva. Barcellos, portanto, segue sem nomear um substituto direto em 2026. Enquanto isso, o time colorado enfrenta uma temporada difícil dentro de campo. O Inter briga contra o rebaixamento e ocupa a 18ª posição, com 25 pontos.

A reunião de segunda-feira reuniu nomes como Leonardo Aquino, Amarante, Melo, Chaves Barcellos e Papaléo. Medeiros também descartou a maioria desses nomes na entrevista. Ele afirmou que Aquino nunca comandou um grupo de atletas, nem mesmo na base do clube. Da mesma forma, classificou a experiência de Amarante como insuficiente para indicar rumos ao futebol. Já Melo, Chaves Barcellos e Papaléo, segundo ele, ao menos já circularam pelo vestiário colorado.

Além disso, Medeiros deixou claro que enxerga o cargo como uma função de confiança pessoal. Segundo ele, o vice de futebol precisa ter ligação direta com o presidente, quase “umbilical”. Ele citou o próprio convite que recebeu de Giovanni Luigi em 2013 como exemplo dessa relação. Naquela ocasião, segundo Medeiros, nunca escondeu informação alguma do então mandatário. Esse tipo de vínculo, na visão dele, é o que falta nas indicações discutidas agora.

Histórico de Siegmann e do cargo reforça desconfiança de Medeiros

O nome de Roberto Siegmann não é novidade nos bastidores do Inter. Ele já ocupou a vice-presidência de futebol em 2011, durante a gestão de Giovanni Luigi. Contudo, deixou o cargo junto com o técnico Paulo Roberto Falcão, demitido naquele ano. Mais tarde, em 2020, Siegmann apareceu como possível vice de futebol em outra chapa, a de José Aquino, opositor de Barcellos na eleição daquele ano. Aquela chapa, porém, perdeu a disputa para o atual presidente.

Além do próprio Siegmann, o cargo de vice de futebol viveu instabilidade sob o comando de Barcellos. João Patrício Herrmann assumiu a função em 2021, mas pediu desligamento após resultados ruins e pressão da torcida. Em seguida, Emílio Papaléo Zin ocupou o posto, porém também saiu pouco tempo depois, em meio a outra crise esportiva. Assim, o Inter já teve ao menos dois vices de futebol nomeados e removidos numa mesma gestão. Esse histórico ajuda a explicar por que Medeiros desconfia de mais uma escolha apressada.

Vale lembrar ainda que o clube atravessa outra frente delicada fora de campo. A diretoria negocia, ao mesmo tempo, um acordo com grandes credores para reorganizar parte da dívida colorada. Ou seja, o momento financeiro também exige atenção redobrada da gestão Barcellos. Dessa forma, escolher mal o comando do futebol pode custar caro: nos resultados dentro de campo e na credibilidade da diretoria fora dele.

Análise Colorado Puro Sangue

Para quem acompanha o Inter de perto, essa fala do Medeiros não soa como implicância pessoal. Faz sentido questionar um nome que já saiu do clube há tanto tempo e que não tem rotina de estádio. Além disso, o histórico recente mostra que trocar vice de futebol sem critério não resolveu nada nas últimas gestões. Portanto, insistir na mesma fórmula, mesmo com nome diferente, tende a repetir o erro.

O Inter precisa de alguém que converse com o técnico, entenda de mercado da bola e tenha rotina junto ao elenco. Caso contrário, o cargo vira só um título decorativo, sem função prática dentro do departamento de futebol.

De todo modo, chama atenção o fato de o clube seguir sem essa peça em pleno mês de setembro. Afinal, o Brasileirão está na reta final e o Colorado ainda briga contra o rebaixamento. Enquanto a diretoria discute nomes e ouve ex-presidentes, o time entra em campo sem um interlocutor forte para o técnico Pezzolano. Por fim, fica o alerta de Medeiros: escolher bem o próximo vice de futebol pode pesar tanto quanto qualquer contratação dentro das quatro linhas.

Foto: Reprodução/YouTube