O futuro de Pezzolano em xeque no Inter virou o assunto mais quente do Beira-Rio nesta semana. A eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil, afinal, mudou o tom da diretoria em poucos dias.
Uma eliminação que pesa mais do que apenas um resultado
Perder um clássico dói. Perder um clássico eliminatório, justamente para o maior rival, entretanto, machuca de um jeito diferente.
O Gre-Nal 454, disputado na Arena, terminou em 3 a 1 para o Grêmio. Com isso, encerrou-se o sonho colorado de brigar pelo título nacional nesta temporada.
Até então, a diretoria vinha blindando Pezzolano publicamente. Depois da queda, no entanto, o discurso mudou de tom de um jogo para o outro.
Barcellos evita cravar a permanência
O presidente Alessandro Barcellos confirmou que o treinador segue no comando para o duelo com o Santos, neste domingo. Sobre o que vem depois, contudo, preferiu não se comprometer publicamente.
Dias antes do segundo Gre-Nal, o próprio dirigente havia garantido que Pezzolano ficaria, independentemente do resultado da Copa do Brasil. Aquela promessa, aparentemente, não sobreviveu à eliminação para o rival.
Naquele momento, vale lembrar, o clube ainda acreditava na classificação e tratava o treinador como peça central do projeto. A eliminação, portanto, mudou o cenário de uma vez.
Agora, Barcellos fala em confiança no departamento de futebol e reconhece que existem cobranças internas. Ainda assim, evitou repetir a garantia de continuidade dada apenas alguns dias antes.
Na prática, o próximo compromisso ganhou um peso enorme. Um resultado ruim contra o Santos, afinal, pode acelerar uma decisão que até pouco tempo parecia distante.
Treze rodadas para salvar a temporada
O cenário, além disso, mudou de figura em relação ao período anterior à eliminação. O Inter não tem mais como dividir atenção entre duas competições diferentes.
Com o fim da Copa do Brasil, sobram 13 jogos no Brasileirão. A permanência na Série A, dessa forma, virou prioridade única declarada pelo próprio clube.
O calendário, portanto, não deixa mais margem para erro. Cada ponto conquistado ou perdido a partir de agora carrega peso redobrado na avaliação sobre o treinador.
O problema é que a campanha recente não ajuda Pezzolano. Os resultados, na verdade, vêm abaixo do esperado havia algumas rodadas, mesmo antes do tropeço diante do Grêmio.
A queda diante do maior rival, ainda por cima, pesa emocionalmente sobre o grupo. Barcellos, inclusive, reconheceu o tamanho da frustração e chegou a pedir desculpas ao torcedor colorado.
O investimento no elenco complica a decisão
Trocar de comandante nesta altura do campeonato, no entanto, não é uma decisão simples. Pezzolano participou diretamente do planejamento do elenco ao longo de todo o ano.
Na janela do meio da temporada, o Inter contratou 11 reforços, entre eles Niclas Eliasson e Antonio Sanabria. Barcellos, na ocasião, disse publicamente que os reforços serviam para ampliar as opções do treinador uruguaio.
Uma mudança agora, portanto, representaria também descartar boa parte desse planejamento. Por outro lado, manter o time como está significa apostar que o próprio Pezzolano ainda consegue reverter o cenário.
Um novo técnico, além disso, precisaria de tempo para conhecer o grupo e implantar uma ideia de jogo própria. Em uma competição de pontos corridos, esse tempo, normalmente, não sobra.
Existe, dessa forma, um dilema real por trás da decisão. Insistir custa paciência; trocar custa tempo, e nenhuma das opções vem sem risco nesta reta final de temporada.
Santos como divisor de águas
O confronto com o Santos, assim, ficou maior do que apenas mais uma rodada do Brasileirão. Uma vitória devolveria fôlego ao treinador e um respiro à torcida colorada.
Uma derrota, no entanto, tende a acelerar qualquer avaliação que a direção já esteja fazendo internamente. Não existe mais espaço para dividir energia entre competições diferentes.
O Inter chega ao jogo, portanto, sabendo que o tropeço na Copa do Brasil não tem mais volta. Resta reagir dentro do único torneio ainda disponível nesta temporada.
Vale lembrar, ainda, que o histórico recente do futebol brasileiro não ajuda quem perde justamente para o maior rival numa fase eliminatória. Poucos técnicos, nesse tipo de cenário, sobrevivem inteiros à pressão que vem de fora e de dentro do clube.
Isso não significa, contudo, que a saída de Pezzolano seja um desfecho já decidido. Significa apenas que o resultado contra o Santos ganhou um peso que talvez não tivesse antes do Gre-Nal 454.
Análise Colorado Puro Sangue
Convenhamos: presidente que muda o tom do discurso de um dia para o outro está, na prática, comunicando alguma coisa. Barcellos não precisou dizer que Pezzolano pode sair, bastou parar de garantir que ele fica.
O detalhe que mais chama atenção aqui não é a eliminação em si, afinal, times grandes perdem clássicos o tempo todo. É o timing da mudança de discurso que aconteceu rápido demais para ser só coincidência.
Ao mesmo tempo, dá para entender a cautela da diretoria nesse momento. Gastar em 11 reforços numa janela e trocar de treinador poucas semanas depois seria admitir, na prática, que o planejamento do ano inteiro falhou.
Por outro lado, ninguém no Beira-Rio quer repetir o roteiro de uma temporada perdida por excesso de paciência. O torcedor colorado já viu essa história antes, e ela raramente termina bem.
No fim das contas, o jogo contra o Santos virou muito mais que três pontos disputados. Virou o teste que vai dizer se o Beira-Rio segue apostando no projeto Pezzolano, ou se a paciência já chegou ao limite.
Foto: Ricardo Duarte / Internacional





