O Gre-Nal 454 não decide só uma vaga na semifinal da Copa do Brasil. Nos bastidores do Beira-Rio, o resultado desta quinta-feira também pode pesar diretamente no futuro de Pezzolano no comando do Internacional.
A bola rola às 20h desta quinta-feira, na Arena, em jogo único que vale vaga direta na semifinal contra o Atlético-MG. Além da premiação de R$ 9 milhões prevista pela CBF, o Colorado garantiria a classificação e ainda aliviaria a pressão da torcida sobre o elenco e a comissão técnica.
Já um tropeço reabre uma discussão que a diretoria evita, mas não ignora. O Internacional não vence no Brasileirão desde maio, soma nove jogos seguidos sem vitória e briga contra o rebaixamento. Uma demissão não está sendo considerada no momento. Contudo, a eliminação pode abrir espaço para o fim da passagem do uruguaio à frente do time.
Um precedente recente no próprio clássico
Esse tipo de cenário não seria inédito no Internacional. Em 2024, o clube demitiu Eduardo Coudet horas depois de uma eliminação na Copa do Brasil, justamente após derrota para o Juventude. Na ocasião, o próprio presidente Alessandro Barcellos comunicou a saída ainda no vestiário do Beira-Rio.
De lá para cá, o cargo virou uma cadeira de alta rotatividade. Somando as gestões, Barcellos já contratou oito técnicos em cinco temporadas à frente do clube. Ou seja, o histórico recente mostra que resultados ruins em mata-matas costumam acelerar decisões, mesmo quando a demissão parece distante.
O próprio Cacique Medina, outro nome que passou pelo cargo, viu a carreira perder força depois de deixar o Internacional. Após a saída do clube gaúcho, o argentino teve passagens sem sucesso por Vélez Sarsfield, Talleres e Granada. O exemplo reforça que, no Beira-Rio, o resultado imediato costuma pesar mais do que o histórico do treinador.
Por que Pezzolano ainda tem respaldo
Apesar do risco, o momento de Pezzolano é diferente do vivido por antecessores como Coudet e Cacique Medina. Segundo relatos internos, o uruguaio é bem avaliado tanto pela direção quanto pelo grupo de jogadores.
Nos bastidores, ele é elogiado por conseguir bons resultados mesmo com um elenco limitado. Além disso, o treinador mantém controle total sobre o vestiário e é visto como uma liderança querida pelos atletas.
Um exemplo dessa relação é o próprio Alan Patrick. O camisa 10 perdeu a condição de titular incontestável nesta temporada, mas nunca reclamou publicamente da decisão. Pelo contrário, o meia costuma elogiar o trabalho do treinador nas entrevistas.
Depois do empate no Gre-Nal 453, Barcellos voltou a público para reforçar a confiança no comandante. “Temos total confiança no trabalho do Pezzolano”, afirmou o presidente, destacando a chegada de Niclas Eliasson e Toni Sanabria como novas alternativas para o elenco.
Segundo a diretoria, os dois reforços recém-contratados podem ajudar a mudar o rumo da temporada. Assim, mesmo em meio à pressão, o discurso oficial do clube segue sendo de continuidade.
Análise Colorado Puro Sangue
Vale reconhecer o mérito de Pezzolano em manter o vestiário coeso num momento tão instável. Isso não é pouco, especialmente num clube que trocou de técnico com a frequência que o Inter trocou nos últimos anos.
Ainda assim, respaldo interno e resultado dentro de campo são coisas diferentes. O caso de Coudet mostra que uma eliminação específica pode custar caro, mesmo para quem tem a confiança da direção em outros momentos.
Por isso, esse Gre-Nal carrega um peso que vai além da tabela e da premiação. Uma classificação tranquiliza o ambiente por semanas. Uma eliminação, por outro lado, reabre justamente a pergunta que a diretoria hoje prefere não responder.
Reforços como Eliasson e Sanabria ajudam, mas chegam depois do prazo em que fariam mais diferença. Cabe a Pezzolano, então, provar em campo o que a diretoria já garante em discurso: que o trabalho segue no caminho certo, independentemente do resultado desta quinta-feira.
De todo modo, fica um alerta baseado no próprio histórico do clube. Bom relacionamento com jogadores e apoio da diretoria não blindaram Coudet nem Medina quando o resultado não veio na hora certa. Pezzolano sabe disso, e talvez seja justamente por isso que trata o Gre-Nal 454 como uma partida qualquer, sem discurso de despedida nem de virada de chave.
Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional





