O Internacional viveu uma tarde de emoção nesta terça-feira (1/9). O clube inaugurou a estátua de Abel Braga no pátio do Beira-Rio, justamente no dia em que o ídolo colorado completou 74 anos.
Uma cerimônia com clima de dia de jogo
Mais de 100 torcedores acompanharam a solenidade no complexo do estádio. Bandeiras, instrumentos e cânticos tomaram conta do pátio, recriando a atmosfera típica das tardes de Beira-Rio lotado.
Abel Braga participou pessoalmente do evento e se emocionou ao ficar de frente para a própria escultura. Em seguida, caminhou até a torcida e recebeu carinho de perto dos colorados presentes.
Depois do discurso oficial, os torcedores ainda cantaram “parabéns pra você” para o homenageado. Assim, a inauguração se transformou também em uma festa de aniversário coletiva.
Quem esteve na cerimônia
O presidente Alessandro Barcellos e o vice-presidente Victor Grunberg acompanharam a inauguração ao lado de outros dirigentes do clube. A presença da diretoria reforçou o peso institucional da homenagem.
Vale lembrar que a Allu, patrocinadora master do Internacional desde 2025, custeou integralmente a obra. Ou seja, a estátua não gerou custo algum para os cofres do clube.
Além disso, o próprio Abel acompanhou de perto cada etapa do processo de confecção, opinando sobre detalhes do projeto. Afinal, ninguém melhor do que o homenageado para validar como sua imagem seria eternizada.
Os detalhes por trás da escultura
Produzida em bronze, a peça reproduz uma das imagens mais marcantes da carreira de Abel Braga no comando do Inter. A escolha visual remete diretamente aos tempos áureos do treinador à beira do gramado.
Três artistas gaúchos assinam a obra: Vinicius Vieira, Caé Borges e Leandro Michels. A escultura, por sua vez, ficou posicionada próxima ao monumento de Fernandão, em área do pátio voltada para a Avenida Padre Cacique.
Curiosamente, essa não é a primeira homenagem do tipo dedicada a Abel neste ano. Em fevereiro, ele já havia recebido outra estátua em Atlântida, no Litoral Norte gaúcho, erguida por iniciativa de torcedores e conselheiros.
Ou seja, o Beira-Rio passa a ser o segundo ponto do Rio Grande do Sul a eternizar o ídolo em bronze. Poucos nomes do futebol estadual recebem esse tipo de reconhecimento duplo em um espaço tão curto de tempo.
Aliás, essa repetição de homenagens diz muito sobre o carinho que Abel construiu ao longo de décadas. Não é todo ídolo que recebe duas estátuas na mesma região em apenas alguns meses de diferença.

Por que a homenagem ganhou força justamente agora
A ideia de eternizar Abel no estádio cresceu depois da reta final do Campeonato Brasileiro de 2025. Já aposentado da função de treinador, ele aceitou voltar ao comando do time nas duas últimas rodadas daquela edição.
A missão não era simples: evitar o rebaixamento em meio a uma temporada conturbada. Depois de perder para o São Paulo, o Inter reagiu e goleou o Bragantino por 3 a 1, garantindo a permanência na Série A.
Diante do resultado, a proposta de uma estátua ganhou força entre torcedores e dirigentes. Em março deste ano, o Conselho Deliberativo aprovou a construção por aclamação, de forma unânime.
Consequentemente, o que começou como um pedido informal da torcida virou pauta oficial em tempo recorde. Poucas homenagens no futebol brasileiro saem do papel com tanta rapidez e unanimidade.
Atualmente, Abel segue vinculado ao clube como diretor técnico, função que assumiu após pendurar as chuteiras de treinador pela segunda vez. Por isso, a homenagem também celebra essa nova fase de trabalho nos bastidores.
A grandeza da trajetória de Abel Braga no Inter
Os números ajudam a explicar o tamanho do carinho da torcida. Ao todo, Abel soma oito passagens pelo Internacional e 342 jogos como treinador ao longo da carreira no clube.
Em 2006, ele comandou a histórica campanha que trouxe a Libertadores e o Mundial de Clubes para o Beira-Rio. Além disso, também conquistou os Estaduais de 2008 e 2014, junto com a Copa Dubai daquele mesmo ano.
Poucos treinadores na história do futebol brasileiro acumulam um retrospecto tão vitorioso associado a um único clube. Faz sentido, portanto, que o Inter tenha escolhido eternizá-lo em bronze dentro de casa.
Além disso, o vínculo de Abel com o Colorado atravessa gerações inteiras de torcedores. Muita gente que hoje leva os filhos ao Beira-Rio cresceu vendo o treinador nas principais conquistas do clube.
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Tem homenagem que soa protocolar, e tem homenagem que emociona de verdade. Pela reação do próprio Abel diante da escultura, essa claramente entra na segunda categoria.
Afinal, faz todo sentido reverenciar, em vida, um profissional que aceitou voltar duas vezes ao clube em momentos de necessidade. Poucos ídolos oferecem esse tipo de disponibilidade quando o time mais precisa.
Passado e presente se encontram, literalmente, em bronze no pátio do Beira-Rio — 2006 do lado de quem topou voltar duas vezes quando o time mais precisava. As próximas gerações de torcedores vão passar por ali sem saber de tudo isso. Sorte a nossa que a gente sabe.
Foto: Esther Fischborn





