Ex-funcionários do Inter relatam pendências de rescisão que se arrastam desde junho, em mais um capítulo da crise financeira que atinge o clube. Sete ex-colaboradores de diferentes departamentos afirmam ter dificuldade para receber valores relacionados ao desligamento.
Segundo os relatos, parte desse grupo já procurou o clube em busca de uma previsão concreta de pagamento. Nos últimos dias, porém, o cenário teve um avanço parcial: três desses ex-funcionários tiveram parte dos valores regularizados.
Ex-funcionários do Inter relatam pendências de rescisão desde junho
Mesmo assim, ainda existem casos em aberto. O Internacional afirmou que trabalha em um plano para enfrentar as pendências financeiras, com aplicação prevista para o mês de setembro.
De acordo com o clube, a prioridade inicial será justamente a regularização dos pagamentos a funcionários e ex-funcionários. Por enquanto, no entanto, a direção não detalhou publicamente os mecanismos que serão usados para reorganizar o fluxo de caixa.
Um problema que não aparece isolado
O caso dos ex-colaboradores não surge de forma isolada. Ao contrário, ele se soma a uma lista de compromissos financeiros que colocam o Beira-Rio sob pressão nos últimos meses.
Recentemente, o Inter recebeu um transfer ban da Fifa por causa de uma dívida ligada à contratação do zagueiro Juninho junto ao Midtjylland, da Dinamarca. A punição impede o registro de novos jogadores e pode se estender por até três janelas de transferências.
Além disso, os direitos de imagem dos jogadores também entraram na pauta nos últimos dias. O atraso nesses valores chegou a afetar a rotina do elenco antes do Gre-Nal 453, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Os atletas optaram por não fazer a concentração tradicional por causa disso.
O que a apuração de bastidores acrescenta ao quadro
Vale destacar que os salários registrados em carteira, tanto de jogadores quanto de funcionários, seguem sendo tratados separadamente dos direitos de imagem, segundo apuração de bastidores. Ou seja, o problema não é único: são frentes diferentes de pendência, cada uma com seu próprio ritmo de negociação.
Nesse sentido, a situação dos ex-funcionários reforça um padrão. Assim como ocorreu com o elenco, a resposta do clube tem vindo depois que os casos ganham repercussão pública, e não antes.
Por outro lado, a própria direção já reconheceu publicamente o impacto da queda em duas receitas centrais. A venda de atletas e o patrocínio máster renderam bem menos do que o esperado em 2026.
Consequentemente, o Internacional tenta equilibrar diversas frentes de pagamento com recursos que, segundo a própria diretoria, estão aquém do planejado.
O presidente Alessandro Barcellos chegou a admitir publicamente a dificuldade financeira do clube, afirmando que duas receitas importantes da temporada ficaram bem abaixo do esperado. Segundo ele, faltam algo entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões no caixa colorado.
Inclusive, o próprio presidente estabeleceu uma ordem de prioridade para os pagamentos: funcionários, colaboradores e jogadores vêm antes de outras obrigações que estão sendo reorganizadas. Isso ajuda a explicar por que o caso dos ex-colaboradores voltou a ganhar atenção justamente agora.
Já o vice-presidente Victor Grunberg reforçou, em outro momento, que o clube reduziu o endividamento em cerca de R$ 40 milhões no último ano. Ainda assim, ele reconheceu que o valor é insuficiente e que o Inter precisa de uma solução estrutural para o problema.
Por fim, Barcellos também projetou uma novidade sobre a reestruturação financeira dentro de 15 a 20 dias. Ele não detalhou, porém, se o mecanismo envolverá captação de recursos, renegociação de dívidas ou mudança na forma de pagamento.
Enquanto essa novidade não sai do papel, o clube segue sendo cobrado em várias frentes ao mesmo tempo. Vão de credores internacionais a ex-funcionários que só pedem o que já era devido há meses.
Análise Colorado Puro Sangue
Não dá pra tratar esse assunto com o mesmo entusiasmo de uma escalação ou de um resultado de campo. Aqui, o que está em jogo é o nome do clube fora das quatro linhas, e isso pesa diferente.
De fato, é positivo que o Inter tenha regularizado parte das pendências com três dos sete ex-funcionários. No entanto, um plano para setembro, sem detalhes públicos sobre os mecanismos, ainda soa vago para quem está esperando um pagamento desde junho.
Ainda assim, dá pra entender o tamanho do desafio. Entre transfer ban, direitos de imagem atrasados e agora rescisões pendentes, o Beira-Rio enfrenta uma pressão financeira em várias frentes ao mesmo tempo. Não é um problema que se resolve com um único cheque.
Mesmo assim, o torcedor colorado tem todo o direito de cobrar transparência nesse processo. Quem construiu o dia a dia do clube por dentro merece, no mínimo, prazo claro e resposta objetiva. A promessa de um plano, sozinha, não é suficiente.
Além disso, colocar funcionários e ex-funcionários no topo da lista de prioridades é o discurso correto da diretoria. Falta, porém, transformar essa fala em cronograma público, com datas e valores. Só assim a cobrança deixa de depender apenas da repercussão de cada caso isolado.
Por isso, o próximo mês vai dizer muito sobre a seriedade dessa reorganização. Setembro chega com a cobrança dupla de resolver o problema no papel e de mostrar, na prática, que o compromisso anunciado sai do discurso.
Foto: Ricardo Duarte/Inter





