Alessandro Barcellos admite salários atrasados no Inter em coletiva concedida logo após o empate sem gols com o Grêmio, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. O presidente colorado reconheceu publicamente que parte do elenco ainda tem vencimentos pendentes.
Além disso, Barcellos confirmou que o clube pode sofrer novas punições financeiras nos próximos meses. A situação, dessa forma, se soma a um transfer ban já em vigor, aplicado pela compra do zagueiro Juninho em 2025.
O dirigente ainda validou uma informação que circulava antes da bola rolar no Beira-Rio. Por causa do atraso nos direitos de imagem, o elenco decidiu não se concentrar na véspera do clássico. O grupo só se reuniu na manhã do dia 27, poucas horas antes da bola rolar. O próprio técnico Paulo Pezzolano confirmou o episódio.
Por que o rombo no caixa colorado cresceu neste ano
Segundo Barcellos, a receita com venda de atletas e a receita do patrocínio master caíram quase pela metade em 2026. Juntas, essas duas rubricas deixaram de render cerca de R$ 60 milhões aos cofres do clube.
Diante desse cenário, o Inter recorreu a saídas pontuais para tentar equilibrar as contas. Foram só duas movimentações de peso no ano, porém: a venda de Rafael Borré ao River Plate e o empréstimo de Alan Rodríguez. Nenhuma das duas, contudo, foi suficiente para cobrir o rombo apontado pelo próprio presidente.
Apesar da escassez de negócios, o presidente afirmou que a prioridade agora é outra. Quitar o que está em aberto com o próprio elenco vem antes do débito ligado ao transfer ban. Segundo ele, a diretoria também tem buscado patrocínios individuais como alternativa para reforçar o caixa, ainda que em escala bem menor do que a receita perdida.
Vale lembrar que o Inter já havia reconhecido, em outras ocasiões, atrasos pontuais em parcelas do 13º salário negociado no fim de 2025. Ainda assim, o discurso de 27 de agosto foi, de longe, o mais direto do presidente sobre o tamanho real do problema — pela primeira vez, ele colocou um número concreto na conta.
O que Barcellos disse sobre o elenco e sobre Pezzolano
Em determinado momento da coletiva, Barcellos fez questão de defender publicamente os jogadores. Para ele, nenhuma partida do Inter neste ano teve resultado ruim por falta de empenho do grupo, mesmo com vencimentos em aberto. Pelo contrário: o presidente chegou a dizer que desafiaria qualquer pessoa a apontar um jogo em que o time não tivesse entregado tudo o que podia.
O presidente afirmou ainda manter diálogo diário com o elenco sobre o assunto. Segundo Barcellos, o problema incomoda tanto a diretoria quanto os próprios atletas. Na visão dele, o Internacional não é o único clube brasileiro enfrentando esse tipo de dificuldade.
Questionado sobre o futuro de Pezzolano, o dirigente foi direto. O uruguaio segue no comando até o fim da temporada, independentemente do resultado da volta na Arena, marcada para 3 de setembro. Como prova dessa confiança, Barcellos citou as 11 contratações feitas neste ano, incluindo Eliasson e Sanabria, reforços buscados justamente para dar mais opções ao técnico uruguaio.
Essa fala reforça uma continuidade que já vinha se desenhando nos bastidores. Mesmo em meio à crise financeira, a diretoria optou por blindar o comando técnico, em vez de usar o resultado esportivo como pretexto para uma mudança. O momento do time no Brasileirão, aliás, reforça o tamanho da aposta: o Inter ocupa a 16ª posição, com 25 pontos, apenas um à frente da zona de rebaixamento.
Análise Colorado Puro Sangue
Tem uma diferença enorme entre um presidente que nega problema financeiro e um que sobe ao microfone e detalha o tamanho do rombo. Ainda mais logo depois de um empate sem graça. Nesse quesito, ao menos, Barcellos escolheu o caminho mais difícil e mais honesto.
Ainda assim, reconhecer o drama não resolve o drama. Um rombo desse tamanho não cabe mais como detalhe passageiro de bastidor, ainda mais com risco de novas punições pela frente.
O gesto de blindar Pezzolano, por outro lado, faz todo sentido dentro dessa lógica. Trocar de técnico agora custaria dinheiro que o Inter simplesmente não tem. Seria, também, jogar mais um problema em cima de uma turbulência que já é grande demais. Faz sentido, portanto, apostar na continuidade justamente no momento em que o caixa pede estabilidade, não rupturas.
Fica a pergunta que interessa ao torcedor. Quanto tempo dá pra sustentar um discurso de transparência sem que ele vire desculpa repetida a cada nova rodada de dificuldade? Barcellos comprou um respiro no dia 27, mas a cobrança por resultados financeiros concretos só tende a crescer.
No fim das contas, o próximo capítulo dessa novela não vai se resolver em coletiva de imprensa. Vai se resolver quando o Inter finalmente conseguir equilibrar as contas sem depender de vendas de última hora ou de discursos emergenciais logo depois de um jogo decisivo.
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