A possibilidade de Alan Patrick alcançar um novo recorde no Gre-Nal movimenta os bastidores do Beira-Rio nesta quinta-feira, às 20h. Inter e Grêmio se enfrentam pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. Aos 35 anos, o capitão colorado entra em campo com a chance de ultrapassar um ídolo do clube, numa estatística que carrega peso simbólico entre os torcedores.
Atualmente, Alan Patrick soma nove gols em 19 Gre-Nais disputados. Esse número o deixa empatado com Andrés D’Alessandro como maior artilheiro colorado do clássico neste século. Um gol nesta quinta, portanto, seria suficiente para deixar a marca só para ele.
O empate com D’Alessandro veio em março. Naquela ocasião, Alan Patrick converteu um pênalti no 1 a 1 da volta da final do Gauchão. Assim, o meia alcançou exatamente o patamar construído pelo ídolo argentino ao longo de sua passagem pelo Beira-Rio.
Antes deste novo clássico, o próprio jogador já havia comentado publicamente sobre as marcas que vinha construindo no Inter. Na ocasião, também falou sobre a referência que D’Alessandro representa para ele dentro do clube. Chega, dessa forma, ao Gre-Nal com o assunto já familiar.
Por que este Gre-Nal pesa mais para o Inter
O momento colorado no Brasileirão ajuda a explicar o tamanho do jogo desta quinta. O time aparece na 16ª colocação, com 25 pontos e saldo negativo de quatro gols. Está à frente apenas de Mirassol, Remo e Vasco na tabela.
O Grêmio, por outro lado, não vive fase muito diferente: aparece uma posição acima, na 15ª colocação, também com 25 pontos e saldo negativo de sete gols. Ou seja, o clássico das quartas cruza dois times que buscam na Copa do Brasil um respiro que o Brasileirão não tem dado.
Os últimos resultados do Inter reforçam esse cenário de instabilidade. Foram 1 a 1 com o Remo e, na sequência, 0 a 0 diante do Atlético-MG. Diante disso, avançar às semifinais surge quase como uma válvula de escape num momento em que o time patina no returno nacional.
Vale lembrar que este confronto também é inédito na carreira de Alan Patrick por outro motivo. Dos 19 clássicos que ele já disputou, 11 foram pelo Gauchão e oito pelo Brasileirão. Nenhum, até aqui, havia sido pela Copa do Brasil.
O retrospecto recente no atual Beira-Rio, por sua vez, reforça o mando de campo como fator a favor do Inter. Desde a reinauguração, foram oito Gre-Nais disputados no estádio, com quatro vitórias, três empates e apenas uma derrota.
A trajetória pouco lembrada do meia nos clássicos
Um levantamento sobre o histórico de Alan Patrick em Gre-Nais mostra uma curva de protagonismo que nem sempre foi linear. O meia estreou no clássico em 2014, no Gre-Nal de número 399. Foi ainda na primeira passagem pelo Beira-Rio, num empate por 1 a 1.
No entanto, o primeiro gol contra o Grêmio veio logo depois, no Gre-Nal seguinte. Naquela vitória por 4 a 1, o Inter selou o título estadual daquele ano. Na sequência, porém, vieram oito anos de intervalo até o retorno de Alan Patrick ao clube, em 2022.
Desde essa volta, a relação dele com o clássico mudou de patamar. De coadjuvante ocasional, o camisa 10 virou referência goleadora. Passou a concentrar a maior parte dos nove gols justamente nesta segunda passagem pelo Inter.
Esse contraste ajuda a dimensionar o momento atual. Enquanto outros nomes da lista de artilheiros do século, como Nilmar, com sete gols, e Leandro Damião e Índio, ambos com seis, construíram seus números em janelas mais curtas de tempo, Alan Patrick reconstruiu a própria trajetória no clássico depois de um hiato considerável.
Além disso, o gol de março não veio isolado dentro de uma sequência recente. Antes dele, o último tento de Alan Patrick contra o Grêmio já vinha de temporadas anteriores, o que reforça como cada gol seu no clássico costuma surgir de forma espaçada, não em sequências curtas.
Análise Colorado Puro Sangue
Tem um detalhe que faz esse recorde pesar mais do que um número solto na ficha do jogador. Alan Patrick não construiu essa artilharia de forma constante ao longo da carreira no Inter.
Ele levou oito anos de intervalo entre o primeiro gol contra o Grêmio, em 2014, e o início da sequência que hoje o coloca ao lado de D’Alessandro. Ainda assim, não é força de expressão dizer que essa marca nasceu de uma segunda chance bem aproveitada.
Isso muda o tamanho do feito. Afinal, não é qualquer jogador que reaparece depois de tanto tempo e assume, de forma isolada, a artilharia de um clássico centenário como o Gre-Nal.
O momento também ajuda a explicar por que esse gol importaria tanto. Com o Inter mal no Brasileirão, um capitão de 35 anos escrevendo seu nome sozinho na história do confronto seria uma resposta dentro de campo, e não apenas mais uma estatística.
Bater D’Alessandro nesse quesito específico tem, dessa forma, um gosto duplo. De um lado, o recorde individual; de outro, a liderança justamente na hora em que o Inter mais precisa dela. Portanto, dá gosto ver o camisa 10 na condição de escrever essa página sozinho.
Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional





