A queda do Inter como mandante no Brasileirão virou um dos temas mais discutidos entre os torcedores colorados nesta semana. O motivo é simples de entender: o Beira-Rio, historicamente um dos maiores trunfos do clube, deixou de funcionar como vantagem competitiva.
Isso acontece justamente na temporada em que o time mais precisa desse trunfo. Antes de tratar da partida deste sábado, contra o Atlético-MG, vale entender a dimensão real do problema.
O retrospecto atual não é apenas ruim: é o pior do Inter como mandante em qualquer Brasileirão desde 2021, considerando o mesmo recorte de rodadas. E os números por trás dessa comparação ajudam a explicar o tamanho do alarme.
O tamanho da queda em números
Depois do empate por 1 a 1 com o Remo, o Colorado soma somente 13 pontos em 12 jogos disputados em casa nesta edição do Brasileirão, aproveitamento de 36,1%. A marca deixa o Inter como o segundo pior mandante do campeonato, à frente somente da Chapecoense.
Além disso, o time entra na 24ª rodada sem vencer há sete jogos seguidos pelo torneio nacional. Essa sequência ajuda a explicar por que a torcida deixou o Beira-Rio sob vaias logo após o resultado com o Remo.
Nesse contexto, o próprio treinador reconheceu a gravidade do momento. “A nossa salvação é dentro de casa”, disse Paulo Pezzolano, cobrando reação imediata da equipe já a partir do duelo com o time mineiro.
Por outro lado, o Inter também soma apenas um ponto de vantagem sobre a zona de rebaixamento. Esse detalhe aumenta ainda mais a urgência de reverter o retrospecto justamente diante da própria torcida.
Como o desempenho caiu ano após ano
Comparar 2026 com temporadas anteriores ajuda a entender a real dimensão da crise. Naquele que era, até aqui, o pior recorte da série, o Inter fechou 2021 com 16 pontos conquistados jogando em casa nesse mesmo estágio da competição, aproveitamento de 48,5%.
Em 2022, ano do vice-campeonato brasileiro, o Colorado tinha 22 pontos e 66,7% de aproveitamento em casa. Nesse contexto, o índice era o quinto melhor do torneio naquele momento da temporada.
Já em 2023, foram 18 pontos, com 54,5% de aproveitamento dentro de casa. As temporadas de 2024 e 2025, por sua vez, ficaram praticamente iguais entre si.
Em ambas, o Inter somou 17 pontos em 11 jogos, com 51,5% de aproveitamento. Mesmo essas campanhas, portanto, superam com folga os atuais 36,1% registrados nesta edição de 2026.
Ex-jogadores do clube também têm comentado o problema publicamente. Inclusive, Magrão, ídolo colorado, chamou a situação de grave, justamente por contrastar com a tradição de força do Inter jogando em Porto Alegre.
Um calendário que não dá trégua no Beira-Rio
A boa notícia, se é que existe uma neste momento, é que o Inter terá a chance imediata de começar a reverter o quadro. O duelo com o Atlético-MG acontece às 18h30 deste sábado, novamente em casa, pela 24ª rodada do Brasileirão.
Na sequência, o calendário seguirá exigente. Já na quinta-feira, dia 27, o Colorado recebe o Grêmio pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, às 20h, também no Beira-Rio.
Assim, Pezzolano terá dois jogos seguidos em casa com objetivos bem diferentes. O primeiro compromisso trata de abrir distância da degola no Brasileirão.
Enquanto isso, o duelo com o rival gremista já começa a definir a sobrevivência do Inter em uma competição de mata-mata direto contra o maior adversário. Não é força de expressão dizer que os próximos dez dias podem moldar boa parte da temporada colorada.
Vale lembrar, ainda, que o técnico uruguaio classificou o empate com o Remo como “o golpe mais duro” sofrido pela equipe nesta edição do campeonato. A frase resume bem o clima às vésperas do duelo com o Atlético-MG.
Isso reforça a pressão em torno dos próximos resultados dentro de casa. Contudo, o próprio elenco tem reforços recentes para tentar mudar essa realidade, como a chegada do atacante paraguaio Tonny Sanabria.
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Análise Colorado Puro Sangue
Cá entre nós, colorado: dá pra sentir o tamanho do problema só de olhar os números lado a lado. Passar de 66,7% de aproveitamento em casa, em 2022, para 36,1% em 2026 não é oscilação normal de temporada, é queda de rendimento mesmo.
Não é força de expressão dizer que o Beira-Rio parou de ser sinônimo de pontos garantidos. Em três das últimas quatro temporadas, o time somava pelo menos 17 pontos neste recorte; agora, mal chega à metade disso.
Ainda assim, existe um detalhe que pode ajudar a mudar essa conta: a chegada de Sanabria reforça justamente o setor que mais sente dificuldade em casa, o de conversão de chances em gols. Cara de reforço que chega na hora certa, dá pra dizer sem exagero.
Por isso, o duelo com o Atlético-MG serve como um pequeno teste antes de coisa maior. Se o time confirmar dentro de campo a reação que o discurso de Pezzolano promete, o Beira-Rio pode voltar a incomodar os visitantes como incomodava até poucos anos atrás.
De todo modo, o alerta já está dado. Sete jogos sem vencer e apenas um ponto de distância do Z-4 não deixam margem para mais tropeços dentro de casa.
Portanto, o sábado vale mais do que três pontos isolados. Vale a chance de o Colorado provar, ainda que aos poucos, que essa queda como mandante pode ser revertida antes que o problema fique ainda mais difícil de resolver.
Bola pra frente, Colorado.
Foto: Ricardo Duarte/Internacional





