Cobrança de falta que empatou o Internacional no Beira-Rio

Pezzolano orienta o Internacional durante Internacional x Remo no Beira-Rio

A cobrança de falta que empatou o Internacional no Beira-Rio veio só nos acréscimos, quando a vitória já parecia praticamente resolvida. Vitor Bueno acertou um chute de longa distância e transformou a festa colorada em frustração em questão de segundos.

É esse tipo de lance que resume uma noite inteira: um time que fez o trabalho pesado durante quase noventa minutos e viu tudo escapar num detalhe só. Por isso, antes de qualquer outra coisa, vale entender o que esse ponto realmente significa pro Inter.

O que esse ponto custa na tabela

Numa fase em que cada resultado pesa toneladas na briga contra o Z-4, transformar uma vitória praticamente certa em apenas um ponto dói de um jeito particular. Afinal, contra um rival direto na tabela, os pontos perdidos custam mais caro do que em qualquer outra rodada.

Consequentemente, o empate não é só estatística fria: ele reflete diretamente na distância que separa o Inter da zona de rebaixamento. Assim, a sensação que fica é de oportunidade desperdiçada, não de ponto conquistado.

Domínio que não virou gol

Tudo começou bem para o Colorado: logo aos três minutos, Johan Carbonero abriu o placar com uma finalização de dentro da área. O gol cedo deu ao Inter a possibilidade de administrar o jogo durante praticamente toda a partida.

Só que o problema apareceu na hora de matar o confronto. Carbonero teve nova chance, enquanto Bernabei e Calebe também desperdiçaram oportunidades de ampliar o placar.

No segundo tempo, o time seguiu encontrando espaços, mas faltou eficiência para definir o resultado. Não é força de expressão dizer que o Inter teve tempo de sobra pra resolver antes dos acréscimos – só faltou aquele detalhe final.

As entradas de Calebe, Patrick e Paulinho Paula mudaram algumas características do time ao longo da etapa final. Ainda assim, a equipe não encontrou o segundo gol que provavelmente teria encerrado o assunto bem antes do apito.

Remo aproveitou o que sobrou

Enquanto o Inter desperdiçava chances claras, o Remo soube se agarrar ao pouco que tinha. O time paraense levou perigo principalmente em bolas paradas e finalizações de média distância, sem se abater mesmo jogando fora de casa.

Esse tipo de postura combativa costuma aparecer justamente em quem também luta contra o rebaixamento. E foi exatamente numa bola parada, o ponto forte do adversário durante toda a partida, que o gol do empate finalmente saiu.

Análise Colorado Puro Sangue

Sejamos sinceros: sair na frente aos três minutos e não segurar o resultado até o fim dói de um jeito particular. Não adianta discurso bonito sobre volume de jogo quando o placar final não reflete a superioridade construída em campo.

O Inter teve, sim, chances de matar a partida – Carbonero, Bernabei e Calebe passaram perto. Só que, numa briga direta contra o Z-4, desperdiçar essas oportunidades cobra caro, e foi exatamente isso que aconteceu nos acréscimos.

Cá entre nós, administrar vantagem também é uma habilidade, tanto quanto criar chances. Portanto, não basta abrir o placar cedo; é preciso saber fechar o jogo quando a oportunidade aparece.

Doeu ver o time relaxar depois das trocas e permitir que o Remo chegasse com perigo em bola parada até o fim. Consequentemente, o que era pra ser uma vitória tranquila virou um ponto amargo, mais próximo de derrota do que de resultado positivo.

Ainda assim, é preciso separar o que foi mau momento pontual do que é tendência. Um empate desse jeito machuca, mas não apaga o fato de que o time criou, teve o controle da maior parte do jogo e esteve perto de resolver antes dos acréscimos.

Fica o alerta pra próxima rodada: contra o rebaixamento, não existe combate matado antes da hora. Enquanto o apito final não soa, o adversário sempre tem uma cartada guardada – e o Remo mostrou isso, do jeito mais cruel possível.

Doeu, mas segue o jogo. Bola pra frente, Colorado.

Foto : Fabiano do Amaral