Estátua de Abel Braga no Beira-Rio: homenagem ganha data e significado histórico

Abel Braga, diretor do Internacional, em foto oficial do clube

A estátua de Abel Braga no Beira-Rio ganhou uma nova data para ser inaugurada: 1º de setembro, dia do aniversário do próprio homenageado. A mudança transforma uma decisão de calendário em parte importante da homenagem ao treinador e ídolo do Internacional, que comandou a equipe em conquistas históricas e construiu uma relação especial com a torcida colorada.

Por que a data escolhida reforça a homenagem

Inicialmente, a inauguração estava prevista para agosto, período que também marcou as comemorações pelos 20 anos da primeira conquista da Libertadores pelo Internacional. O clube, porém, remarcou o evento para uma data ainda mais simbólica: o aniversário de Abel Braga.

Abel nasceu no Rio de Janeiro, em 1952, e completará 74 anos no dia previsto para a revelação do monumento. A coincidência aproxima a celebração pessoal do treinador da memória de sua trajetória no clube. Para o torcedor, a estátua deixa de ser apenas uma obra instalada no estádio e passa a representar uma homenagem planejada em torno da história do próprio ídolo.

O projeto vinha sendo acompanhado desde julho, quando surgiram informações sobre o financiamento da obra e os primeiros detalhes do planejamento. Com a alteração da data, o Internacional também reforça a intenção de tratar a homenagem com cuidado, valorizando o significado do momento e a participação de Abel no processo.

A escultura deve ser posicionada próxima à estátua de Fernandão, no pátio voltado para a Avenida Padre Cacique. A escolha reúne, no mesmo espaço, dois nomes centrais da campanha vitoriosa de 2006. Fernandão foi o capitão da equipe, enquanto Abel Braga comandou o grupo que conquistou a Libertadores e o Mundial de Clubes.

Quem financiou e aprovou o projeto

A ideia de eternizar Abel Braga em uma estátua não nasceu de uma decisão isolada da diretoria. A Allu, patrocinadora master do Internacional desde 2025, assumiu o custo total da obra. O executivo Cadu Guerra se ofereceu publicamente para financiar a homenagem, permitindo que o clube conduzisse o projeto sem transformar a iniciativa em uma despesa adicional para os cofres colorados.

A proposta foi submetida ao Conselho Deliberativo do Internacional. Em 2 de março, 208 conselheiros e conselheiras aprovaram o projeto por aclamação. A sessão também foi marcada por mais de um minuto de aplausos a Abel, sinalizando o reconhecimento institucional ao treinador.

A aprovação demonstra que a homenagem recebeu apoio dentro do clube. Mais do que celebrar títulos, o monumento representa a importância de Abel em diferentes momentos da história colorada, tanto pelas conquistas quanto pela relação construída com jogadores, dirigentes e torcedores.

Abel acompanha pessoalmente o andamento do trabalho e tem participação na definição dos detalhes da representação. A escultura utiliza como referência uma fotografia de 2006 que ainda não foi divulgada publicamente. Entre os artistas avaliados pela direção estiveram os gaúchos Vinicius Vieira, Caé Borges e Leandro Michels, mas nenhum deles havia sido confirmado publicamente como autor final da obra.

O resgate de 2025 amplia o significado

A homenagem também pode ser compreendida à luz do retorno de Abel ao Internacional em 2025. Depois de anunciar a aposentadoria, o treinador voltou ao clube para comandar a equipe nas duas rodadas finais do Campeonato Brasileiro, justamente em um momento delicado da temporada.

O Internacional perdeu para o São Paulo na estreia daquela missão emergencial, mas reagiu na rodada decisiva e venceu o Bragantino por 3 a 1. O resultado garantiu a permanência colorada na Série A. A atuação de Abel naquele período reforçou a imagem de um profissional disposto a ajudar o clube quando a situação exigia experiência e liderança.

Depois da passagem pela área técnica, Abel deixou o cargo de treinador e assumiu a função de diretor técnico do Internacional. Ao longo da carreira, teve oito passagens pelo comando do clube e participou de 342 jogos. Seu currículo colorado inclui as conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes de 2006, além dos títulos gaúchos de 2008 e 2014 e da Copa Dubai de 2008.

Uma segunda estátua de Abel no Rio Grande do Sul

A obra do Beira-Rio não será a primeira estátua de Abel Braga erguida no Rio Grande do Sul em 2026. Em fevereiro, torcedores e conselheiros promoveram uma homenagem independente em Atlântida, no Litoral Norte, com a presença do próprio ídolo na cerimônia.

Na estátua de Atlântida, Abel aparece sentado ao lado de uma taça de vinho, em uma representação mais descontraída e afetiva. Já o monumento do Beira-Rio terá caráter institucional e permanente, instalado dentro do complexo do Internacional e diretamente associado à história esportiva do clube.

As duas homenagens não precisam ser vistas como concorrentes. Cada uma representa uma forma diferente de reconhecer a trajetória de Abel: uma destaca sua personalidade e proximidade com os torcedores, enquanto a outra registra oficialmente sua importância para o Internacional.

O lugar de Abel na história do Internacional

A relação de Abel Braga com o Internacional é construída por mais de uma passagem e por diferentes funções. Ele esteve à frente de equipes que marcaram época, participou de conquistas importantes e também assumiu responsabilidades em momentos de pressão. Essa combinação ajuda a explicar por que seu nome é lembrado não apenas como o treinador de 2006, mas como uma figura permanente da identidade colorada.

A proximidade com Fernandão acrescenta outro elemento simbólico ao projeto. O pátio do Beira-Rio poderá reunir referências a dois personagens fundamentais da maior conquista internacional da história do clube. A disposição das estátuas cria uma ligação visual entre o treinador e o capitão, sem apagar a importância individual de cada um.

Análise do Colorado Puro Sangue

Escolher o aniversário de Abel para inaugurar a estátua é uma decisão acertada. A data aproxima o homenageado da cerimônia e transforma o aniversário em uma celebração da trajetória construída dentro do Internacional. Não se trata apenas de revelar uma escultura, mas de reconhecer publicamente um profissional que dedicou décadas ao clube.

O projeto também ganha força porque Abel participa da definição de como será representado. Uma homenagem permanente precisa respeitar a imagem que o ídolo construiu e a forma como é reconhecido pelos torcedores. A presença do próprio treinador no processo ajuda a evitar uma representação distante de sua personalidade e de sua história.

Para quem acompanhou o retorno de 2025, a estátua carrega um significado adicional. Abel não é lembrado somente pelas taças de 2006: ele também aceitou voltar ao trabalho em uma situação de emergência e ajudou o Internacional a permanecer na Série A. Esse episódio reforçou uma relação que já era marcada por títulos, liderança e identificação.

A instalação próxima à estátua de Fernandão ainda permite que o Beira-Rio desenvolva um espaço permanente de memória. O estádio passa a contar sua história não apenas por meio de troféus e fotografias, mas também por homenagens visíveis a pessoas que participaram diretamente das conquistas do clube.

A inauguração ainda dependerá da confirmação final dos detalhes do evento, mas a escolha da data e do local já dá ao projeto um peso especial. Se for executada com o mesmo cuidado demonstrado até agora, a homenagem terá condições de representar Abel Braga de maneira compatível com seu lugar na história do Internacional.

Foto: Ricardo Duarte/Divulgação, Internacional