Depois do empate sem gols com o Palmeiras, o Internacional entra em um trecho do calendário que pode ser decisivo para os rumos da temporada. Serão três jogos seguidos com mando de campo em Porto Alegre, incluindo o primeiro Gre-Nal das quartas de final da Copa do Brasil. Por isso, a comissão técnica aposta no Inter no Beira-Rio como o empurrão que falta para o time engatar uma reação.
O momento pede cautela. Afinal, o Colorado vive uma fase de resultados irregulares, sem conseguir emplacar sequências positivas, e a cobrança da torcida cresce a cada rodada. Nesse cenário, a comissão técnica enxerga um período com mais jogos em casa e menos desgaste com viagens como uma oportunidade rara. Assim, o clube pode reorganizar a equipe sem a pressão extra do calendário apertado.
Preparação já mira o próximo compromisso contra o Remo
Os jogadores tiveram dois dias de folga após o duelo com o Palmeiras e retornam aos trabalhos nesta quarta-feira, no CT Parque Gigante. A partir daí, Paulo Pezzolano comanda a preparação para enfrentar o Remo, na próxima segunda-feira, novamente em casa. Essa é a primeira etapa de uma sequência que ainda inclui o Atlético-MG, pelo Brasileirão, e o Grêmio, pela Copa do Brasil. O segundo confronto do mata-mata acontece em 2 de setembro, na Arena.
Tempo de treino extra beneficia o Inter no Beira-Rio
Essa distribuição de jogos, com intervalos mais generosos entre eles, é rara no calendário apertado do futebol brasileiro. Além disso, para um elenco desgastado por viagens e partidas em sequência, ter tempo de treino de verdade pode pesar tanto quanto jogar em casa. Assim, Pezzolano ganha dias extras para corrigir problemas. Antes, a comissão técnica tratava esses problemas apenas entre um jogo e outro, sem tempo hábil para um trabalho tático mais aprofundado.
Treinadores costumam valorizar esse tipo de janela justamente porque ela permite ajustar detalhes que fazem diferença em campo. Entre eles: intensidade de marcação, posicionamento nas transições e entrosamento entre os setores. Portanto, para um Inter que ainda busca uma identidade de jogo mais sólida na temporada, os próximos dias podem ser tão importantes quanto os resultados em si.
Retornos importantes aumentam as opções de Pezzolano
Uma boa notícia para Pezzolano é a possível volta de Rodrigo Villagra. O volante desfalcou a equipe nos dois últimos jogos por causa de um problema muscular, mas deve estar recuperado e à disposição contra o Remo. Por isso, Pezzolano vê Villagra como peça capaz de dar mais equilíbrio ao meio-campo. O setor tem penado para sustentar a posse de bola e proteger a saída de jogo.
Mercado também deve retornar. Pezzolano poupou o zagueiro diante do Palmeiras, e ele tende a reassumir a titularidade na zaga, reforçando a defesa colorada antes dos compromissos decisivos. Dessa forma, a dupla de retornos dá a Pezzolano mais opções para montar um time mais equilibrado entre marcação e construção de jogadas. Isso é algo que a equipe sentiu falta nas últimas rodadas.
Setor ofensivo segue como o maior desafio para o Inter no Beira-Rio
Se a defesa ganha alternativas, o ataque segue como o ponto fraco da equipe. Isso porque a escassez de opções ofensivas limita a criatividade de Pezzolano. Assim, os próximos dias de treino serão cruciais para encontrar uma formação capaz de criar mais chances claras de gol. Isso é algo que tem faltado nas últimas apresentações.
O problema não é só de nomes disponíveis, mas também de repertório. Além disso, o Inter tem sentido dificuldade para furar defesas organizadas e depende cada vez mais de lances isolados para chegar ao gol. Reverter esse quadro em poucos dias de treino não é tarefa simples. Ainda assim, o técnico uruguaio terá pela frente uma oportunidade concreta de testar variações antes de enfrentar o Remo.
O que está em jogo para o Inter no Beira-Rio
O 0 a 0 com o Palmeiras deixou o Inter fora do Z4, mas está longe de representar tranquilidade. Os dois próximos jogos pelo Brasileirão, contra Remo e Atlético-MG, ganham peso redobrado. Além de pontos na tabela, uma boa sequência ajudaria o grupo a chegar ao Gre-Nal da Copa do Brasil em um ambiente mais leve. Afinal, a pressão ronda o Beira-Rio há semanas.
Bater o Remo, somar pontos contra o Atlético-MG e ainda embalar para o primeiro clássico do ano é osso duro de roer. Mesmo assim, o calendário realmente ajuda o Colorado dessa vez. Depois de uma sequência desgastante fora de casa, ter o Beira-Rio como palco por três partidas seguidas é o tipo de respiro que Pezzolano pedia. A torcida sabe que o time joga diferente em casa — mais confiante, mais disposto a atacar. Justamente esse fator precisa aparecer já contra o Remo.
Se a defesa recupera peças importantes, falta a Pezzolano resolver o quebra-cabeça do ataque, porque sem gol não existe reação que baste. O momento é de reconstrução, e a sequência em casa pode ser o ponto de virada que o torcedor colorado espera desde o início do returno. Além disso, para quem quer entender melhor os problemas ofensivos do Colorado nesta temporada, vale conferir também nossa análise sobre a crise de criação do time.
Foto: Ricardo Duarte/Divulgação, Internacional
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